Olá leitores! Do início ao fim, O Livro Roubado, de Flávio Carneiro, não é apenas o que
aparenta ser, é mais, e em alguns momentos, é menos. A princípio, temos um
romance policial. Só que é um romance policial com pouco romance e nenhuma
polícia. Em seu lugar, temos jovens detetives, um sebo, livros raros,
alquimia, pistas, falsas pistas e uma quantidade generosa de Edgar Allan
Poe.
André e seu amigo Gordo retornam para mais uma investigação tendo o Rio de
Janeiro como cenário e os livros como parte essencial da trama. Dessa vez, o
mistério começa com o roubo de um exemplar especial de "Histoires
extraordinaires", de Edgar Allan Poe e o caso parece simples demais: O
culpado já está praticamente entregue: o mordomo, “Putz”, diria André.
“Moleza”, pensaria Gordo. Só que, naturalmente, se fosse tão simples assim,
não teríamos uma história para investigar.
Entre uma pista quente e outra que leva a lugar nenhum, os dois acabam
entrando em uma trama muito maior do que imaginavam. Um motorista de táxi
com planos ambiciosos, um chope com colarinho, bolinhos de feijoada,
livros antigos, conhecimentos de alquimia e duas irmãs, Bruna e Clarice,
tão parecidas quanto diferentes, fazem com que a investigação fique cada
vez mais confusa.
E é justamente aí que o livro começa a mostrar aquilo que ele realmente é
,uma história sobre duplos e aparências. Sobre o que parece certo e pode estar errado, o bem e o mal, o claro e o escuro, a verdade e a mentira caminhando lado a
lado.
A resposta para o mistério parece sempre estar ao alcance das mãos, mas,
quando pensamos que finalmente conseguimos encontrá-la, ela escapa para a
próxima página. E para a próxima. E para a próxima (risos) até a revelação final, mas O Livro Roubado também é uma viagem cultural, existe muito conhecimento espalhado pela narrativa. Daqueles conhecimentos
que não são obrigatórios para entender a história, mas que tornam a leitura
muito mais interessante: a explicação sobre a origem da expressão “banho-maria” é um ótimo
exemplo.
São pequenas informações que aparecem durante a leitura e fazem a gente
pensar: “Olha só!”, e isso acontece várias vezes. A história é leve, quase descomprometida em alguns momentos, mas possui uma
profundidade surpreendente. Flávio Carneiro consegue construir uma narrativa
que conversa diretamente com quem gosta de literatura policial e, ao mesmo
tempo, utiliza o próprio universo dos livros como matéria-prima para o
mistério, um livro leva a outro e a mais um, que talvez leve ao livro roubado e essa brincadeira literária é uma das coisas mais interessantes da
obra.
As referências a Edgar Allan Poe são evidentes e deliciosas, mas também
existe aquele diálogo com a tradição do romance policial que vai fazer os
leitores de Agatha Christie e Sherlock Holmes se sentirem em casa, porque
existe aquela sensação de que todos podem estar escondendo alguma coisa e que qualquer detalhe pode ser uma pista ou o personagem que parece absolutamente secundário pode, de repente, ser
muito mais importante do que imaginávamos.
Só que preciso fazer uma ressalva sobre a minha experiência de leitura,
descobri depois de terminar o livro que O Livro Roubado é o segundo volume
de uma trilogia e isso me fez repensar um pouco a minha experiência.
Não porque eu tenha achado necessário conhecer o primeiro livro para
entender a investigação apresentada aqui a história funciona por si mesma,
mas percebi que algumas relações, personagens e dinâmicas provavelmente
teriam outro peso para mim se eu tivesse chegado a este livro depois de
conhecer o anterior. Ou seja apenas uma desculpa pra adquirir o primeiro e o
terceiro livro logo.. quem sabe? Afinal eu amei acompanhar essa história.
Ficha Técnica do Livro
- Autor: Flávio Carneiro
- Série: André e Gordo: detetives #2
- Editora: Rocco
- Páginas: 221 fls.
- Ano: 2013
+ Ler Sinopse
Eles estão de volta. Os jovens detetives de O campeonato retornam, mais uma
vez tendo o Rio como cenário e os livros como parte essencial da trama. Com
a ajuda de seu grande amigo Gordo, agora dono de sebo, André vai investigar
o roubo de uma obra rara, um exemplar especial de Histoires extraordinaires,
de Edgar Allan Poe.
Para surpresa da dupla, o caso já vem solucionado: o culpado é o mordomo.
"Putz", diria André. "Moleza", pensaria o Gordo. Até que, entre uma pista
quente e uma falsa, tomando carona com um motorista de táxi que ambiciona
construir um motel-fazenda, depois de um chope com colarinho e uma porção de
bolinho de feijoada, eles vão aprender que nem sempre as coisas são o que
parecem.
André vai contar com os conhecimentos de alquimia de Ana, e se confundir com
as irmãs Bruna e Clarice, tão parecidas quanto diferentes, em um jogo de
espelhos no qual nunca se sabe quem está falando a verdade.



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