Esse livro foi um dos desafios da minha TBR (Livros para ler) na Maratona
literária de Inverno. Ela atendia a dois dos desafios, o primeiro -
pontuação no título Manhã de Sol Florida. Cheia de Coisas Maravilhosas. E
o segundo - história que se passa em momento histórico marcante. Essa
história acontece nos anos 70, em plena ditadura militar.
Confesso
não ter me apaixonado pela sinopse, mas assim que comecei a ler tive
certeza que não iria abandonar a leitura, que rendeu boas surpresas. Logo
no começo o livro mostra uma história nada clichê e com muito
conteúdo.
Outra coisa surpreendente foi a quantidade de conteúdo em poucas palavras e
a desenvoltura do autor em fazer o leitor interpretar a história de maneira
quase inconsciente, ir preenchendo as lacunas entre as linhas da história
sem deixar que com isso o livro tivesse uma queda no rendimento da história
e da leitura.
Ao indicar esse livro já diria que só de pensar em toda cultura histórica
do livro e alguns fatos de época já valeria a leitura desse livro. Que
começa apresentando alguns personagens e uma rotina até então comum num dia
a dia de um operário morador de áreas periféricas, várias pequenas
curiosidades de Montevidéu e dos gostos dos moradores do local. Também nos
apresenta o protagonista Miguel e como a vida pode seguir numa rotina sem
cores e até sem vida, preso a rotina e aos horários da vida cotidiana.
"Miguel Martinez era um cinzento montevideano, que gostava de vinho,
bife à milanesa, doce de leite, café puro e tubaína que aprendeu a
tomar no Brasil."
Eu sinceramente comecei a notar pequenas peculiaridades no personagem
principal e a cada novo capítulo o tom da história entra num crescente
ascendente, mais conteúdos e detalhes são acrescentados de forma tranquila
deixando a leitura muito prazerosa; as voltas que a vida dá, que levam
Miguel ao RJ, são muito bem escritas e verossímeis, em especial pelas
notas de rodapé. Um tom pessoal que explica a paixão pelo RJ e encerra um
ciclo. Após uma passagem interessante de tempo que diz mais que muitas
páginas escritas.
Esse salto no tempo para mim foi meio chocante porém antes do choque passar
veio o entendimento e o aplauso a esse que foi um recurso muito bem
empregado. Porque? Simplesmente o autor poderia ter escrito diversas páginas
de “nada” apenas para narrar a vinda de Miguel ao Brasil, sem narrar nada
especialmente relevante a história. Porém ele deixa apenas os fatos
realmente importantes ou detalhes que deveriam ser insignificantes, mas
dizem muito.
Aninha, ou Ana Clara surge na história de uma maneira tranquila, assim como
os outros personagens que aos poucos ganham destaque. O modo como o autor
conta um pouco a cada momento de um personagem em destaque faz com que o
conhecimento venha de forma tranquila, porém extremamente marcante a ponto
de te deixar cada vez mais próximo do personagem e da história. No entanto a
sensação é de um personagem fictício caminhando no mundo real e algumas
vezes, de tão bem escritos, o real e o imaginário se fundiam e confundiam
deixando a leitura muito agradável e com aquela dúvida de onde termina o
real e começa o imaginário instigando ainda mais a leitura.
“A convivência com a jornalista fez dele um homem mais humano,
sensível e curioso pela vida. Graças a ela, começou a manifestar um
real interesse pelos meandros das comunidades cariocas.”
E a crescente da história só aumenta com a entrada de Ana Clara Pernambuco
na história, o romance dos personagens seguem um tom crescente de uma forma
muito real e também como o amor é. Trazendo aquele sorriso bobo, cores no
mundo que pareciam não estar lá antes e aquela sensação ruim que me deixou
angustiada achando que toda essa felicidade não vá durar. Porque além das
lentes rosas do amor existe a realidade. A realidade dos morros cariocas,
fatos históricos como o surgimento do Comando Vermelho, o terror do submundo
do governo militar, da tortura e das cores em preto e branco, da traição e
da tortura.
Ana Clara é fundamental para a história, porém o pouco romance na história
deixa o livro ainda mais interessante. E o final... eu terminei o livro com
o coração na mão e no fim aquele suspiro de quem diz... WAW, o final me
conquistou, porque me preparou para algo e me surpreendeu com um final ainda
melhor. Estou realmente encantada com todas as surpresas que esse livro me
trouxe. Não é uma história de amor fofa, mas é uma história de amor que
facilmente seria verdade no mundo que vivemos.
Sobre o livro: Notei logo nos primeiros capítulos, que esses sendo curtos
facilitam a leitura e algumas palavras correntes da época dão charme ao
texto. Outra coisa digna de nota são as frases escritas na língua do
protagonista e traduzidas no rodapé, achei um charme fantástico a história.
Sem falar em papel amarelo de uma qualidade incrível, letras num tamanho
ótimo para leitura. E passagens sobre Tim Maia e sua carreira.
Boa leitura e divirta-se!
Ficha Técnica do Livro
- Autor: Alécio Faria
- Editora: Selo Jovem
- Páginas: 154 fls.
- Ano: 2017
+ Ler Sinopse
Montevidéu, outono de 1977.
O uruguaio Miguel Martinez consegue realizar, ainda que tardiamente, o sonho
de menino – o de conhecer o Rio de Janeiro. Contudo, não poderia imaginar o
quão sem graça seria viver na cidade maravilhosa, até encontrar Ana Clara
Pernambuco - repórter do Diário de Notícias e responsável pela ONG Babilônia
Azul, numa das maiores favelas cariocas. Morando num país periférico, belo e
exótico, porém esquecido e marginalizado pela ditadura militar dos anos 70,
Ana Clara o envolverá numa arriscada investigação sobre a indústria de
bebidas.
Nunca li livros que se passam em períodos históricos e esse parece interessante. Você citou que o autor coloca apenas coisas importantes no livro, e isso é uma coisa que agrada muito, não gosto quando enrola demais hehe Beijos
ResponderExcluirhttp://amorliterarioblog.blogspot.com/
Eu também gosto muito quando o autor sabe exatamente o que precisa estar na história e não fica enrolando. ❤️ Espero que, se você conhecer o livro, essa característica funcione tão bem para você quanto funcionou para mim.
ExcluirAdorei sua resenha, mas não parece o tipo delivro que me prenderia.Talvez eu começasse bem a leitura, mas acho que abandonaria.
ResponderExcluirE tudo bem! 😂❤️ Nem todo livro precisa ser para todo leitor. Fico feliz que a resenha tenha ajudado você a perceber isso antes de começar a leitura.
ExcluirOii, adorei a proposta do livro. Ainda mais por passar-se em um período histórico do nosso país como a ditadura, e nesse periodo tenso ainda ser cenário para um lindo romance. Gosto muito quando os autores, mesclam personalidades brasileiras no enredo como foi citado o Tim Maia, acho que enriquece bastante. Amo quando as sinopses me surpreendem. Ainda não conhecia a leitura,e adorei a dica <3
ResponderExcluirBeeijos a resenha estava maravilhosa!
Também achei muito interessante essa mistura de história do Brasil, ditadura e romance. ❤️ E essas referências à cultura brasileira dão mesmo um sabor especial à narrativa.
Excluir