Terminei essa leitura completamente apaixonada. Já imaginava que seria
assim por ser um livro da Babi A. Sette, por indicação da Adriana, mas a
verdade é que essa história conseguiu me surpreender muito mais pela
profundidade dos temas abordados do que apenas pela história de
amor.
Mais do que os personagens, é a maneira como Babi conduz os assuntos
que chama a atenção. Ela encontra a medida certa para falar sobre o
primeiro amor, a primeira decepção, as escolhas que fazemos e que, pouco
a pouco, vão moldando nossas vidas. Fala sobre aquilo que escolhemos
conscientemente, mas também sobre as escolhas que fazemos quando estamos
machucados, tentando nos proteger de sentir novamente.
Francesca ou Francie, passou por uma grande decepção e decidiu abrir
mão dos relacionamentos amorosos. Em vez de procurar alguém, escolhe
olhar para si mesma, investir em autoconhecimento, crescimento pessoal e
na escrita de seu livro. É nesse processo que começa um trabalho
voluntário bastante diferente: ler para pessoas em coma.
E é justamente ali que Mitchell aparece, ou melhor, permanece ali.
Mitchell é um poderoso magnata, inconsciente e incapaz de responder às
palavras que Francie lê para ele. E, ainda assim, alguma coisa
acontece. Uma conexão que ela não consegue explicar e muito menos
controlar.
Se apaixonar por alguém que não pode corresponder seria um absurdo,
não seria? Talvez, mas o coração nem sempre se preocupa muito com
aquilo que parece lógico. Francie é alguém que tem o coração nas mãos
e o sorriso nos olhos. Talvez por isso as pessoas consigam feri-la de
maneira tão dolorosa, tão profunda. Ela sente tudo com muita
intensidade e é impossível não se envolver com a sua maneira de
enxergar o mundo.
Mitchell, quando acorda, é o tipo de personagem que nos faz suspirar,
brigar, querer bater e também querer confortar. Como todo personagem
masculino maravilhoso que se preze, ele consegue provocar uma coleção
inteira de sentimentos no leitor. E talvez seja justamente isso que
faça com que funcione tão bem. Ele não é perfeito, não precisa ser.
Tem seus conflitos, seus defeitos e suas dificuldades, e isso o torna
muito mais interessante.
Mas o que realmente me conquistou nessa história foi a profundidade. A
morte, a vida e as repercussões de tudo o que acontece conosco e ao
nosso redor. As perdas. As ausências. As marcas que determinadas
pessoas deixam. As escolhas que fazemos depois de sermos feridos. O
medo de amar novamente. O desejo de seguir em frente e, ao mesmo
tempo, aquela parte de nós que continua presa ao que ficou para trás.
Babi consegue falar de tudo isso sem transformar a história em algo
pesado demais e isso é uma das coisas que mais gostei, existe drama,
mas ele não é exagerado. Existe romance, mas não é aquele romance
extremamente doce que acaba perdendo a verdade no caminho. Existem
momentos divertidos, conflitos, dúvidas e reviravoltas. Tudo na medida
certa para que a história continue leve quando precisa ser leve e
profunda quando precisa ser profunda.
As histórias escritas por Francesca são outro ponto que achei
maravilhoso. Existe um toque muito especial nelas, porque elas
conseguem desnudar a alma dos personagens e, de alguma forma, também a
nossa. Afinal, qual de nós não tem uma carta de faltas e ausências
para escrever?
Quantas coisas ficam guardadas porque não tivemos coragem de dizer?
Quantas pessoas deixam nossas vidas, mas continuam ocupando algum
espaço dentro de nós? Quantas despedidas nunca aconteceram de verdade?
É impossível não se reconhecer um pouquinho nessas reflexões.
A relação entre Francie e Mitchell também me conquistou justamente
porque não parece fácil. Eles são diferentes, têm conflitos e precisam
lidar com aquilo que sentem e com tudo o que os separa. E eu gostei
muito da maneira como essas questões são resolvidas, porque amar pode
doer e pode ser assustador, pode significar correr riscos. Mas, quando
é de verdade, ainda acredito que vale a pena.
A história também fala muito sobre recomeços. Sobre entender que uma
decepção não precisa determinar o resto da nossa vida. Sobre perceber
que aquilo que aconteceu conosco faz parte da nossa história, mas não
precisa ser o capítulo final.
Francie começa a história tentando se proteger do amor e termina
entendendo que não existe proteção completa contra aquilo que
sentimos. E talvez seja justamente essa a beleza de tudo. Não
conseguimos controlar quem vai entrar em nossas vidas, o que essa
pessoa vai despertar em nós ou o quanto ela poderá nos transformar.
A vida é assim, um pouco de loucura, um pouco de caos, algumas perdas,
muitos encontros inesperados e sentimentos que chegam quando menos
esperamos e talvez o amor seja justamente a cola que junta nossas
partes quebradas. Entre o Amor e o Silêncio é uma história sobre amor,
mas também é uma história sobre vida. Sobre escolhas, perdas,
recomeços e sobre a coragem de permitir que alguém entre novamente
quando já aprendemos o quanto pode doer deixar alguém entrar.
É uma leitura que me deixou suspirando, pensando e, principalmente,
sentindo e quando um livro consegue fazer isso, para mim, ele já
cumpriu seu papel. Babi A. Sette entrega uma história encantadora,
divertida, dramática na medida certa e cheia de sentimentos
verdadeiros. Uma história que nos lembra que nem sempre amar é fácil,
mas que talvez seja justamente o amor que consiga dar algum sentido a
todo o caos e a toda a loucura quando nada mais parece fazer sentido.
No fim, talvez seja isso, a vida é um milagre. E amar alguém,
mesmo sabendo que existe o risco de se machucar, continua sendo uma
das maiores loucuras que vale a pena viver.
Ficha Técnica do Livro
- Autora: Babi A. Sette
- Editora: Talentos da Literatura Brasileira
- Páginas: 528 fls.
+ Ler Sinopse
Francesca Wiggs sofreu uma grande decepção amorosa e, desde então, está
decidida a não se relacionar mais. Além de se dedicar a escrever o seu
livro, ela resolve preencher os dias com um trabalho voluntário – a leitura
para pacientes em coma proporcionaria a ela a distância de problemas
afetivos. No entanto, um grande imprevisto ocorre quando ela passa a se
sentir atraída por um dos pacientes.
Mitchell, descrito como um poderoso magnata, seria a antítese de tudo o que
ela busca em um homem... se não estivesse em coma. Precisar de alguém
inconsciente seria um absurdo, não seria? Amar uma pessoa que nunca responde
parece loucura! Francesca já havia entendido e sentia-se quase segura diante
disso. Mas e se Mitchell acordasse? A aproximação desses personagens tão
diferentes revela um romance encantador e divertido, repleto de
reviravoltas.




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