Há livros que parecem esperar pela hora certa para serem lidos. E há aqueles que, mesmo depois de mais de dois séculos, continuam nos convidando para a mesma conversa: sobre amor, escolhas, primeiras impressões e tudo aquilo que julgamos saber sobre alguém antes de realmente conhecê-lo.
É com muito carinho que nos preparamos para leitura compartilhada de Orgulho e Preconceito, de Jane Austen. Entre bailes, visitas, cartas, propostas de casamento e algumas opiniões precipitadas, teremos a oportunidade de voltar a Longbourn e acompanhar Elizabeth Bennet e Mr. Darcy enquanto descobrem que, às vezes, o maior desafio de uma história de amor é aprender a enxergar o outro para além das próprias certezas.
"É uma verdade universalmente reconhecida que um homem solteiro, possuidor de boa fortuna, deve estar necessitado de esposa."
E, talvez, seja justamente a partir dessa famosa frase que Austen nos lembra que, por trás de uma história aparentemente sobre casamento, existe uma história muito maior sobre sociedade, dinheiro, família, reputação e liberdade de escolha.
🖋️ Sobre a autora
Jane Austen (1775–1817) nasceu em Steventon, na Inglaterra, e começou a escrever ainda muito jovem. O primeiro rascunho de Orgulho e Preconceito foi escrito entre 1796 e 1797, quando a autora tinha pouco mais de vinte anos, sob o título First Impressions. O manuscrito chegou a ser recusado por uma editora e permaneceu guardado por anos, até que Austen o revisou profundamente antes da publicação.
Austen publicou seus romances anonimamente durante a vida. Orgulho e Preconceito, lançado em janeiro de 1813, apareceu como sendo escrito ‘pela autora de Razão e Sensibilidade’, sem que seu nome estivesse na capa.
Sua escrita combina ironia, humor, observação social e uma atenção extraordinária às relações humanas. Austen não precisa de grandes acontecimentos para construir tensão: uma visita, um baile, uma conversa ou uma carta podem revelar diferenças de classe, interesses econômicos, vaidades e sentimentos escondidos.
Talvez seja justamente por isso que seus personagens continuem tão próximos de nós. Mudam as roupas, os costumes e os salões, mas continuam existindo pessoas que julgam depressa demais, pessoas que confundem orgulho com segurança e encanto com caráter.
📖 A obra e seu contexto
Publicado pela primeira vez em 28 de janeiro de 1813, Orgulho e Preconceito foi lançado em Londres, em três volumes, por Thomas Egerton. A obra nasceu de um manuscrito escrito ainda na década de 1790, quando recebeu o título de First Impressions. Anos depois, Jane Austen revisou profundamente o texto e o publicou com o título que conhecemos hoje.
A história acompanha Elizabeth Bennet, a segunda das cinco filhas da família Bennet, cuja situação financeira torna o casamento das meninas uma questão que vai muito além do romance. Como Longbourn está destinado ao primo Mr. Collins, as possibilidades futuras das filhas dependem, em grande medida, de bons casamentos.
É nesse cenário que Elizabeth conhece Mr. Fitzwilliam Darcy, um homem rico, reservado e aparentemente orgulhoso. O primeiro encontro entre os dois não poderia ser menos promissor. Enquanto ela rapidamente forma uma opinião sobre ele, Darcy também precisa lidar com suas próprias ideias preconcebidas.
E é justamente aí que mora uma das delícias do romance: quem está realmente enxergando quem?
Ambientada na Inglaterra do período georgiano e da Regência, a narrativa reflete uma sociedade profundamente marcada por hierarquias sociais, riqueza, herança, casamento e relações familiares. Ao mesmo tempo em que a Inglaterra enfrentava guerras e grandes transformações políticas e econômicas, a Revolução Industrial começava a modificar o país e novas discussões sobre o papel das mulheres e as estruturas sociais ganhavam espaço.
Austen transforma tudo isso em matéria literária sem precisar fazer discursos. Está nas conversas, nos casamentos, nas preocupações das mães, nas visitas e até na escolha de quem pode ou não frequentar determinado ambiente.
🕰️ Recepção crítica: ontem e hoje
Orgulho e Preconceito foi bem recebido desde sua publicação e rapidamente se tornou um dos romances mais comentados e populares da temporada. Os periódicos British Critic e The Critical Review publicaram avaliações favoráveis, destacando especialmente a construção dos personagens e a dimensão moral da narrativa.
O sucesso também foi comercial: uma segunda edição foi publicada ainda em 1813. A obra logo ultrapassou as fronteiras inglesas e começou a ser traduzida para outros idiomas, chegando à França, Alemanha, Dinamarca e Suécia já no início do século XIX.
Mas a permanência de Austen na literatura não aconteceu apenas porque seus primeiros leitores gostaram do livro.
Mais de duzentos anos depois, Orgulho e Preconceito continua sendo lido, discutido, adaptado e reinterpretado porque suas questões permanecem surpreendentemente familiares. O romance pode ser lido como uma história de amor, mas também como uma reflexão sobre classe social, dinheiro, casamento, reputação, educação, expectativas familiares e, principalmente, sobre a dificuldade que temos de reconhecer nossos próprios preconceitos.
Elizabeth e Darcy não precisam apenas descobrir que gostam um do outro. Eles precisam rever a maneira como enxergam o outro e a si mesmos.
Talvez seja essa a grande graça de reler Austen: descobrir que algumas primeiras impressões também envelhecem.
E que livro melhor para uma leitura compartilhada do que aquele em que praticamente todos os personagens parecem ter uma opinião sobre alguém? Afinal, vamos ter muito o que conversar. 🕯️
🗓️ Cronograma e dinâmica da leitura
Nossa leitura compartilhada acontecerá entre 19 de março e 22 de abril de 2018.
Durante esse período, vamos avançar pela história juntos, respeitando o ritmo da leitura e, principalmente, criando espaço para conversar sobre aquilo que o livro desperta: personagens que amamos, personagens que nos irritam, romances que torcemos para acontecer, julgamentos que mudam ao longo da narrativa e aquelas cenas que inevitavelmente pedem um comentário para os amigos.
Porque ler um clássico acompanhado também é uma maneira deliciosa de descobrir que uma história escrita há mais de duzentos anos ainda pode render boas risadas, indignações, suspiros e muitas opiniões diferentes.
Ficha Técnica do Livro
- Título original: Pride and Prejudice
- Autora: Jane Austen
- Tradução: Alexandre Barbosa de Souza
- Introdução: Tony Tanner
- Prefácio: Vivien Jones
- Editora: Penguin-Companhia
- Páginas: 576 fls.
- Ano: 2011
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Porque, no fim das contas, talvez Orgulho e Preconceito seja exatamente o tipo de livro que fica ainda melhor quando temos alguém ao lado para dizer:
‘Eu sabia que esse personagem estava errado!’
Ou, pior ainda:
‘Eu também julguei errado.’
Jane Austen nasceu em 1775 e morreu em 1817, deixando seis romances completos. Orgulho e Preconceito permanece como sua obra mais popular e uma das histórias de amor e amadurecimento mais conhecidas da literatura ocidental.



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