Você pode começar simplesmente pela narrativa de
Fedors, e ainda sim ser
envolvido pela história de uma forma única. Como toda a criação do universo
foi recontada e recriada, o autor contou com toda liberdade para criar a
trama e os personagens como pretendeu, sem precisar se preocupar com
realismos desnecessários, deixando tudo único e irretocável.
Preciso deixar claro que
Esteros não é a reinvenção da
fantasia, mas no meu modo de ver foi feito algo inédito a partir do universo
comum ao gênero fantástico. Toda a trama é bem amarrada e deixa aquela
curiosidade no ponto certo para as respostas que virão neste nos próximos
livros da série e também para as próximas perguntas. Dito isso, vamos às
Crônicas de Fedors.
As
Crônicas de Fedors — como o título já revela — é uma narrativa histórica que expõe os
fatos seguindo uma ordem cronológica, o que preciso dizer foi perfeito para
essa história. Porque simplifica para o leitor menos experiente e deixa uma
leitura prazerosa para os acostumados com fantasia medieval.
Com a história contada por Fedors em seu encontro com Salazar, os fatos são
propositalmente narrados a alguém que nada sabe da história, o que deixa
tudo de tal forma que não existe a preocupação em conhecer os personagens, a
medida que são apresentados o leitor vai identificando cada um. Tudo feito
de forma tranquila e detalhada o suficiente para colocar o leitor na
história sem deixa-la em nenhum momento superficial ou cansativa. Muito pelo
contrário, deixa aquela sensação de só mais uma página... risos (sim essa mesma, não tem como largar...), afinal esse é "só" o primeiro livro, então prepara-se para já querer o
próximo.
Devo dizer, que você esquece de que a história está sendo contada e isso é
mágico, logo é você que está visitando os castelos, a academia e
acompanhando o crescimento e treinamento dos filhos do rei. Achei
interessante o fato de a história conter elfos, orcs e outros seres
conhecidos, porque facilitou a imaginação dos personagens, porém de uma
maneira diferente daquela encontrada em outros livros. Explico: mesmo
imaginando um elfo como "Legolas" eu não poderia em momento nenhum dizer que
a Rainha Elfa aqui seria Arwen, ela assim como todos os personagens tem
características muito distintas e únicas.
Com a história contando a partir da infância dos filhos do rei, podemos ver
como cada um já eram diferentes entre si, como cada personalidade já
demonstrava muito sobre o caráter de cada criança. O treinamento dos jovens
príncipes na academia de Petrus e a vida no castelo é uma introdução ao
mundo medieval das conquistas e das guerras. Já que em um temos o ambiente
do Poder e do acolhimento na família e em outro o treinamento das
habilidades que formam o guerreiro e o líder, deixando claro como as
escolhas moldam o futuro e revela quem cada um realmente é.
Fiquei impressionada com a capacidade de demonstrar como o mal se alastra
na mente e no coração de qualquer ser que deixe uma pequena semente desse
mal brotar dentro de si. Toda a sutileza dos mais simples erros até às
verdadeiras intenções por trás de falsos elogios são bem
apresentados. O papel de "Aurélio Destrus" ou Destructor, o eracicto
que viu no aviso do Mago Panderios ao Rei Mustafar a chance pela
qual vinha ansiando e no erro do
“errei em não ouvir tal aviso sua grande oportunidade”.
"O garoto que me segue demonstra interesse pela batalha, sonha com o poder e admira sua espécie."
E assim, momentos depois, em um batismo de luta e sangue, nascia Vamcast, o
impiedoso. E morria a inocência do menino. Abrindo as portas para a
guerra e a morte, o destino de todo o Reino começava a ser selado e o
mistério por trás da figura apodrecida de Fedors fica cada vez maior.
"— O maior inimigo da verdade não é a mentira deliberada, planejada, desonesta, mas sim o mito persistente, intolerante e irreal. O mal sempre existiu, sempre esteve ali."
À medida que o mal cresce o ritmo da história fica intenso e não dá vontade
nenhuma de largar até descobrir tudo que ainda tem para acontecer, afinal
Andor, príncipe de Naires não era mais nenhum menino e contava com a
companhia de Angel, Bardor e Mandorados já não via o mundo da mesma maneira.
Porém esse conhecimento do mundo não seria suficiente para parar os fatos
que iriam acontecer a seguir, e devo avisar que nem de longe o final desse
livro pode ser imaginado, até porque ele é o primeiro e não realmente
termina quando acaba.
"— Morte a morte! Guerra à guerra! Vida à vida! Ódio ao ódio. Esse será apenas o começo de uma era obscura. Que a sua morte se torne o início."
Toda a narrativa do texto flui muito bem, deixando a leitura
instigante e num ritmo perfeito, quase cinematográfico mesmo, porque é fácil
imaginar os cenários e os personagens vivendo neles. Todo o texto é bem
estruturado com as pontas bem amarradas, seja para aumentarem a curiosidade
ou encerrar alguma parte da trama. Eu gostei bastante dos diálogos,
porque não são do tipo que me deixaram confusa durante a leitura, mesmo
seguindo a linha medieval e as formalidades da realeza ou da hierarquia
militar.
Sobre livro em si, preciso dizer que a encadernação é maravilhosa, a
impressão e o papel são perfeitos e a diagramação ficou linda, sério gente.
O livro está todo com um acabamento perfeito, com ilustrações lindíssimas
entre os capítulos.
Ficha Técnica do Livro
- Autor: Aldemir Alves
- Série: As crônicas de Fedors #1
- Editora: Selo Jovem
- Páginas: 305 fls.
+ Ler Sinopse
“A minha consciência é atormentada por milhares de vozes e cada uma traz-me
milhares de histórias, e em todas elas eu sou o vilão condenado. Voltarei no
tempo para consertar meus erros. Eu quero me redimir, ofertarei o meu reino,
todo o meu ouro, e se necessário, a minha própria alma.”
Esteros nos leva para um mundo medieval, onde reis se tornam homens
individualistas, crianças são incentivadas a fazer o bem acima de qualquer
coisa, e até mesmo o mal deixa de ser temido. Entretanto, a inocência é algo
inevitável para um povo que só preza a paz. Vamcast, o menino que desejou
dominar o mundo aos 13 anos não tinha amigos e buscava constantemente o
afeto do pai que era um homem frio e descuidado. Por ser assim errou na
criação do seu filho. O governante descuidado traz o caos ao seu povo, mas
um homem sensato precisa corrigir seus próprios erros.



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