Leituras Compartilhadas :: O retrato de Dorian Gray (The Picture of Dorian Gray)


Há livros que atravessam gerações porque contam uma boa história. Outros permanecem porque, mesmo depois de tantos anos, continuam fazendo perguntas que não sabemos muito bem como responder.

Em junho de 2018, vamos ler justamente, uma dessas histórias: O Retrato de Dorian Gray, único romance de Oscar Wilde. Entre beleza, juventude, desejos, aparências e escolhas, vamos acompanhar Dorian Gray e descobrir o que acontece quando alguém deseja permanecer eternamente jovem, enquanto o tempo e as consequências de suas escolhas encontram outro lugar para deixar suas marcas.

☕ Prepare o café, escolha um cantinho confortável e venha conversar sobre este clássico conosco. Afinal, algumas leituras ficam ainda mais interessantes quando podemos dividir nossas impressões, nossas dúvidas e até aquelas opiniões que mudam completamente ao longo dos capítulos.

🖋️ Sobre Oscar Wilde

Oscar Wilde nasceu em Dublin, em 1854, e foi um dos grandes nomes da literatura e da vida cultural do período vitoriano. Escritor, poeta, dramaturgo, ensaísta e conferencista, tornou-se conhecido tanto por sua produção literária quanto pelo humor afiado, pela personalidade extravagante e pelas frases espirituosas que ajudaram a construir sua imagem pública.

Wilde esteve profundamente ligado ao movimento estético, associado à ideia de que a arte poderia ser apreciada por seu próprio valor, sem precisar se submeter necessariamente a uma finalidade moral. Essa relação entre arte, beleza e moralidade atravessa boa parte de O Retrato de Dorian Gray e ajuda a entender por que o romance provocou tanto desconforto quando surgiu.

Sua trajetória pessoal também acabou se entrelaçando de maneira dolorosa com a recepção de sua obra. Wilde foi condenado por "atentado ao pudor" e passou dois anos na prisão, em um contexto no qual relações entre homens eram criminalizadas no Reino Unido. Morreu em Paris, em 1900, aos 46 anos.

Talvez por isso seja impossível separar completamente o romance do homem que o escreveu. Mas, como toda grande obra, O Retrato de Dorian Gray também ganhou vida própria.

📖 A obra e seu contexto

Imagine um jovem de beleza extraordinária, ainda encantado com a própria juventude, diante de um retrato que registra toda a sua beleza.

Agora imagine desejar que o retrato envelheça em seu lugar.

É a partir desse desejo que começa a história de Dorian Gray, um jovem que passa a viver sob a influência das ideias de Lord Henry Wotton e descobre uma maneira perigosa de experimentar os prazeres da vida sem que seu rosto revele as consequências.

O romance coloca em cena uma pergunta fascinante: o que aconteceria se pudéssemos esconder do mundo tudo aquilo que nossas escolhas fizeram de nós?

Publicado inicialmente em 1890 na revista Lippincott's Monthly Magazine, o texto surgiu em pleno período vitoriano, uma sociedade marcada por rígidos códigos sociais e morais. A primeira versão provocou forte reação, especialmente por suas sugestões homoeróticas e pela maneira como tratava temas relacionados ao desejo, ao prazer e à transgressão. 

Para a edição em livro, publicada em 1891, Wilde revisou e ampliou a narrativa, acrescentando capítulos e alterando alguns aspectos do texto original. É essa versão posterior que se tornou o texto mais conhecido do romance.

Na edição da Penguin-Companhia que acompanha nossa leitura, encontramos a tradução de Paulo Schiller, publicada originalmente em 2012. O volume tem 264 páginas.

"O Retrato de Dorian Gray" parece falar sobre juventude e beleza, mas talvez esteja muito mais interessado naquilo que fazemos quando acreditamos que ninguém está olhando.

🕰️ Recepção crítica: ontem e hoje

Hoje é difícil imaginar O Retrato de Dorian Gray sem a aura de clássico que o acompanha. Mas sua chegada ao mundo literário esteve muito longe de ser tranquila.

A publicação de 1890 provocou uma verdadeira onda de críticas negativas na imprensa britânica. Alguns jornais consideraram o romance imoral, ofensivo e perigoso, e parte da reação estava diretamente relacionada às sugestões de desejo homoerótico presentes na narrativa. O escândalo foi tão significativo que a rede de livrarias W. H. Smith retirou de suas bancas exemplares da edição da revista que havia publicado a história.

Do outro lado do Atlântico, porém, a recepção foi menos uniformemente hostil. Pesquisas sobre as primeiras críticas norte-americanas mostram que a história de sua recepção nos Estados Unidos foi mais complexa do que a simples oposição entre uma Inglaterra escandalizada e uma América receptiva.

A polêmica, entretanto, não terminou com a publicação do livro. O romance acabou sendo utilizado nos processos contra Wilde em 1895, contribuindo para que a obra ficasse ainda mais associada à vida pessoal e à perseguição sofrida pelo escritor.

Mais de um século depois, a leitura mudou.

Continuamos interessados na beleza e na juventude de Dorian, mas hoje podemos enxergar outras camadas na narrativa: a relação entre aparência e identidade, o medo de envelhecer, a pressão social, o desejo, a hipocrisia, a liberdade individual e o preço de viver uma vida dividida entre aquilo que mostramos e aquilo que somos.

A própria Companhia das Letras destaca justamente essa capacidade de permanência do romance, apontando para sua discussão sobre aparência e virtude, vida pública e privada, além do desejo de juventude eterna.

E talvez seja essa uma das melhores razões para reler um clássico: perceber que o mundo mudou, mas algumas perguntas continuam sentadas à nossa mesa.

Fontes de Pesquisa: 
British LibraryCambridge University Press e Companhia das Letras

🗓️ Nossa Leitura Compartilhada

Chegou a hora de abrir o livro, conhecer Dorian e descobrir juntos até onde podemos confiar naquele retrato.

Período da leitura:
08 de junho a 01 de julho de 2018

Durante esse período, nossa leitura acontece no nosso espaço de conversa, onde podemos compartilhar impressões, comentar personagens, levantar teorias, reclamar de algumas escolhas e, principalmente, descobrir como cada leitor enxerga a mesma história.

💬 Grupo de conversa:

"Uma leitura compartilhada nunca é apenas sobre terminar um livro. É sobre tudo aquilo que acontece enquanto estamos lendo."

 

Capa do Livro

Ficha Técnica do Livro

  • Título original: The Picture of Dorian Gray
  • Autor: Oscar Wilde
  • Tradução: Paulo Schiller
  • Editora: Penguin-Companhia
  • Páginas: 264 fls.
  • Ano: 2012
+ Ler Sinopse
Em 1891, quando foi publicado em sua versão final, O retrato de Dorian Gray foi recebido com escândalo, e provocou um intenso debate sobre o papel da arte em relação à moralidade.
Alguns anos mais tarde, o livro foi inclusive usado contra o próprio autor em processos judiciais, como evidência de que ele possuía “uma certa tendência” - no caso, a homossexualidade, motivo pelo qual acabou condenado a dois anos de prisão por atentado ao pudor.

Mais de cem anos depois, porém, o único romance de Oscar Wilde continua sendo lido e debatido no mundo inteiro, e por questões que vão muito além do moralismo do fim do período vitoriano na Inglaterra, definida por um dos personagens do livro como “a terra natal da hipocrisia”.

Seu tema central - um personagem que leva uma vida dupla, mantendo uma aparência de virtude enquanto se entrega ao hedonismo mais extremado - tem apelo atemporal e universal, e sua trama se vale de alguns dos traços que notabilizaram a melhor literatura de sua época, como a presença de elementos fantásticos e de grandes reflexões filosóficas, além do senso de humor sagaz e do sarcasmo implacável característicos de Wilde.

☕ Agora é só começar...

Talvez Dorian Gray nos faça pensar sobre aquilo que desejamos conservar. Talvez nos faça desconfiar um pouco mais das aparências. 

Talvez Lord Henry nos irrite, nos divirta ou nos faça concordar com alguma de suas provocações antes que percebamos o perigo delas. E talvez o retrato seja apenas o começo da conversa.

Boa leitura e nos encontramos para falar sobre Dorian.

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