Leitura Compartilhada :: As crônicas de Nárnia (The Chronicles of Narnia)


Algumas histórias parecem nos convidar para uma leitura. Outras fazem algo um pouco diferente: abrem uma porta e esperam que a gente tenha coragem de atravessá-la.

Foi assim que, entre 14 de janeiro e 01 de março de 2019, nosso grupo se aventurou por As Crônicas de Nárnia, de C. S. Lewis. Foram sete histórias, diferentes personagens, mundos mágicos, criaturas fantásticas, batalhas, descobertas e, principalmente, muitas conversas sobre aquilo que encontramos quando uma boa história termina e continua morando dentro da gente.

Porque talvez seja essa uma das maiores magias de Nárnia: depois que conhecemos aquele mundo, nunca mais olhamos para um simples guarda-roupa exatamente da mesma maneira.


“Era uma vez uma terra chamada Nárnia...”

 


🖋️ Sobre a autoria

Clive Staples Lewis, conhecido como C. S. Lewis, nasceu em Belfast, em 1898, e foi um dos mais importantes escritores, estudiosos e pensadores cristãos do século XX. Sua trajetória passou pela Universidade de Oxford, pela Primeira Guerra Mundial e, posteriormente, por uma longa carreira acadêmica dedicada à literatura inglesa.

Lewis tornou-se Fellow e tutor de Literatura Inglesa no Magdalen College, em Oxford, em 1925, permanecendo ali por quase três décadas. Foi nesse período que escreveu algumas de suas obras mais conhecidas, incluindo As Crônicas de Nárnia, além de textos de ficção, crítica literária e apologética cristã.

Uma curiosidade especialmente bonita sobre Nárnia é que a ideia da história começou muito antes de Lewis efetivamente escrevê-la. Na adolescência, ele já imaginava a figura de um fauno caminhando por uma floresta coberta de neve, carregando um guarda-chuva e alguns pacotes. Anos depois, essas imagens retornaram e encontraram espaço em uma história.

A chegada de crianças evacuadas de Londres à casa de Lewis durante a Segunda Guerra Mundial também parece ter contribuído para a concepção da narrativa. Foi desse encontro entre memória, imaginação, literatura e experiência que começou a tomar forma o mundo que conhecemos como Nárnia.

Lewis também fazia parte dos Inklings, grupo literário que reunia escritores e acadêmicos em Oxford e do qual J. R. R. Tolkien foi um dos integrantes mais conhecidos. A convivência entre esses escritores ajuda a entender um pouco do ambiente literário extraordinariamente fértil no qual Nárnia nasceu.

📖 A obra e seu contexto

Publicado originalmente entre 1950 e 1956, As Crônicas de Nárnia é formado por sete livros que apresentam diferentes momentos da história de um mundo fantástico onde animais falam, criaturas mitológicas caminham pelas florestas, reis e rainhas são crianças e a fronteira entre o nosso mundo e outros universos pode ser muito mais delicada do que imaginamos.

A primeira história publicada foi O Leão, a Feiticeira e o Guarda-Roupa, em 1950. Depois dela vieram outras seis crônicas, publicadas aproximadamente uma por ano até 1956.

A edição em volume único da WMF Martins Fontes utilizada como referência para esta leitura reúne as sete histórias e apresenta os livros na ordem preferida por Lewis, e não na ordem em que foram originalmente publicados. São elas:

  • O Sobrinho do Mago: The Magician's Nephew   
  • O Leão, a Feiticeira e o Guarda-Roupa: The Lion, the Witch and the Wardrobe   
  • O Cavalo e seu Menino: The Horse and His Boy   
  • Príncipe Caspian: Prince Caspian   
  • A Viagem do Peregrino da Alvorada: The Voyage of the Dawn Treader   
  • A Cadeira de Prata: The Silver Chair   
  • A Última Batalha: The Last Battle

A edição traz ainda as ilustrações de Pauline Baynes, artista que se tornou intimamente associada ao universo visual de Nárnia.

E há algo especialmente interessante no contexto em que essas histórias foram escritas. Nárnia surgiu no período posterior à Segunda Guerra Mundial, em uma época marcada por profundas transformações sociais e culturais. Ao mesmo tempo em que Lewis escrevia para crianças, a fantasia infantil ainda não ocupava o lugar de prestígio que conquistaria posteriormente. Histórias realistas eram consideradas mais adequadas para leitores jovens, enquanto contos de fadas e fantasias podiam ser vistos como escapismo.

E talvez seja por isso que uma leitura de Nárnia nunca seja apenas sobre fugir para outro mundo. É também sobre retornar ao nosso mundo com perguntas diferentes.

🕰️ Recepção crítica: ontem e hoje

Quando O Leão, a Feiticeira e o Guarda-Roupa chegou às livrarias, em 1950, sua recepção crítica foi positiva, mas não exatamente entusiasmada de maneira unânime. A literatura infantil daquele momento privilegiava narrativas mais realistas, e a fantasia ainda era frequentemente tratada como uma forma menor ou excessivamente infantil de literatura.

Alguns críticos também se incomodaram com a dimensão religiosa da história ou consideraram seus elementos simbólicos excessivamente evidentes. Outros, porém, reconheceram a força imaginativa da narrativa, seu ritmo e a capacidade de Lewis de construir uma aventura capaz de envolver seus jovens leitores.

Uma das críticas publicadas no New York Times em novembro de 1950 considerou o livro bem escrito, embora apontasse que ele não alcançava exatamente a mesma atmosfera de encantamento encontrada em obras como O Vento nos Salgueiros e nos textos de George MacDonald.

Já a crítica britânica parece ter percebido desde cedo algo importante: a história poderia ser lida como fantasia sem que sua dimensão religiosa precisasse dominar toda a experiência do leitor. Pesquisas sobre a recepção de Lewis mostram que os críticos britânicos se envolveram de maneira relativamente mais atenta com os livros, enquanto parte da crítica norte-americana tendia a enxergá-los também à luz da reputação religiosa que Lewis já possuía.

O tempo, entretanto, fez com Nárnia algo que poucas obras conseguem alcançar.

As sete histórias deixaram de ser apenas livros destinados ao público infantil e passaram a integrar o imaginário de diferentes gerações. Atualmente, As Crônicas de Nárnia são reconhecidas como um clássico da literatura de fantasia e continuam sendo estudadas, discutidas, adaptadas e relidas por leitores de diferentes idades.

A série já foi traduzida para dezenas de idiomas e alcançou a marca de mais de 100 milhões de exemplares vendidos, segundo o Magdalen College, onde Lewis lecionou durante grande parte de sua carreira. Talvez uma das razões para essa permanência esteja justamente na possibilidade de Nárnia ser muitas coisas ao mesmo tempo.

Pode ser aventura. Pode ser fantasia. Pode ser literatura infantil. Pode ser uma história sobre coragem, amizade, perda, escolhas e amadurecimento. Pode ser lida a partir de sua simbologia cristã ou simplesmente como uma extraordinária viagem por um mundo inventado.

Porque uma mesma história pode abrir portas completamente diferentes para cada leitor.

Fontes de pesquisa

As informações sobre C. S. Lewis, a criação e publicação de Nárnia e sua trajetória acadêmica foram consultadas principalmente em materiais do Magdalen College e da Universidade de Oxford, além de registros bibliográficos e estudos sobre a recepção crítica da obra.

Para os dados da edição brasileira, foram consultados os catálogos da WMF Martins Fontes e registros de bibliotecas brasileiras.

🗓️ Cronograma e dinâmica da leitura

Nossa viagem por Nárnia aconteceu entre:

📅 14 de janeiro a 01 de março de 2019

Foram algumas semanas para atravessar os sete livros, conhecer seus personagens, acompanhar suas aventuras e, claro, conversar sobre tudo aquilo que a leitura despertou.

Porque leitura compartilhada não precisa ser uma corrida para chegar ao fim. Às vezes, o melhor da viagem está justamente nas paradas pelo caminho, nas teorias, nas surpresas, nas opiniões completamente diferentes e naquele inevitável:

“Você também percebeu isso?”

As conversas aconteceram em nosso grupo de leitura: 💬 Entrar no grupo de conversa


Capa do Livro

Ficha Técnica do Livro

  • Título original: The Chronicles of Narnia
  • Autor: C. S. Lewis
  • Ilustração: Pauline Baynes
  • Tradução: Paulo Mendes Campos
  • Editora: WMF Martins Fontes
  • Páginas: 752 fls.
  • Ano: 2009
+ Ler Sinopse

Então prepare o chá, acomode-se em um cantinho confortável e deixe a imaginação fazer o restante. Existe uma coisa maravilhosa nas boas histórias: elas nunca são exatamente as mesmas quando voltamos para elas.

A porta está aberta. Vamos entrar? 🦁📖

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