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Prepare a xícara de chá, escolha um cantinho confortável e venha conversar sobre Jane Austen com a gente! Nossa próxima Leitura Compartilhada nos leva para a Inglaterra de Jane Austen, entre bailes, passeios, amizades, expectativas amorosas e, claro, uma antiga abadia que parece saída diretamente das páginas de um romance gótico.
De 21 de outubro a 20 de novembro de 2019, vamos acompanhar Catherine Morland em sua temporada em Bath e descobrir até onde a imaginação de uma jovem leitora pode levá-la quando ficção e realidade começam a se misturar.
E, como toda boa leitura compartilhada, a proposta é ir além de simplesmente terminar o livro. Vamos trocar impressões, rir das situações, comentar os personagens, levantar suspeitas e descobrir juntos o que Jane Austen está escondendo por trás de sua narrativa aparentemente leve.
Afinal, quem nunca deixou um livro influenciar um pouquinho a maneira como enxerga o mundo?
🖋️ SOBRE A AUTORIA
Jane Austen nasce em 16 de dezembro de 1775, em Steventon, Hampshire, em uma família ligada ao clero. Filha do reverendo George Austen, cresce em um ambiente familiar no qual a leitura e a escrita fazem parte do cotidiano. É justamente nesse período de formação que começa a desenvolver os primeiros textos que, anos mais tarde, se transformam em alguns dos romances mais conhecidos da literatura inglesa.
Austen escreve sobre amor, casamento, dinheiro, reputação e relações sociais, mas sua literatura está longe de ser apenas romântica. Com uma ironia muito particular, ela observa as pequenas contradições da sociedade e transforma conversas, visitas, bailes e situações aparentemente banais em oportunidades para revelar o comportamento humano.
Sua escrita combina humor, precisão e uma percepção extraordinariamente aguda das relações sociais. Em seus romances, aquilo que parece apenas uma conversa educada muitas vezes diz muito mais do que os personagens gostariam de revelar.
Jane Austen morre em 1817, aos 41 anos, deixando seis romances completos. A abadia de Northanger e Persuasão são publicados postumamente, em 1817, com a página de rosto datada de 1818. Foi somente nessa publicação que seu irmão Henry tornou público o nome da autora de seus romances.
Uma curiosidade deliciosa para esta leitura é que A abadia de Northanger nasce muito antes de sua publicação. O romance começa a ser escrito por volta de 1798-1799, quando Austen ainda está no início de sua trajetória literária, e circula inicialmente sob o título Susan.
📖 A OBRA E SEU CONTEXTO
Catherine Morland tem dezessete anos, é jovem, ingênua, curiosa e uma leitora apaixonada por romances góticos. Quando deixa sua vida tranquila no campo para passar uma temporada em Bath, encontra um mundo muito mais movimentado do que aquele ao qual está acostumada.
Entre novos amigos, bailes, passeios e possíveis interesses amorosos, Catherine conhece Henry Tilney e sua família. O convite para visitar a Abadia de Northanger parece realizar um de seus maiores desejos: entrar em um lugar antigo, misterioso e aparentemente perfeito para uma história cheia de segredos.
Mas existe uma diferença importante entre viver uma história e ler uma história e é justamente nesse espaço entre imaginação e realidade que Jane Austen constrói sua brincadeira. A abadia de Northanger funciona como uma paródia dos romances góticos que fazem enorme sucesso no final do século XVIII, especialmente das narrativas repletas de castelos sombrios, passagens secretas, mistérios, perigos e acontecimentos sobrenaturais. Catherine, acostumada a esse universo literário, passa a enxergar a realidade através das lentes de suas leituras.
A própria Austen aproveita o romance para defender a literatura de ficção e ironizar o preconceito que existia contra os romances, especialmente aqueles lidos pelas mulheres. Em determinado momento, sua narrativa transforma essa defesa em uma verdadeira declaração de amor aos livros e aos leitores de romances.
A história também nos conduz a Bath, cidade que Austen conhece pessoalmente e que ocupa um lugar importante em sua trajetória. A cidade, frequentada pela elite e marcada por espaços de sociabilidade como bailes e salas de convivência, torna-se o cenário perfeito para observar as relações, as aparências e os interesses que movimentam aquela sociedade.
Assim, por trás da leveza, do humor e da atmosfera quase aconchegante da narrativa, encontramos uma autora observando como as pessoas se comportam quando dinheiro, posição social, casamento e reputação entram em jogo.
🕰️ RECEPÇÃO CRÍTICA: ONTEM E HOJE
A abadia de Northanger chega aos leitores somente depois da morte de Jane Austen. Publicado junto com Persuasão no final de dezembro de 1817, com a data de 1818 na página de rosto, o romance recebe suas primeiras críticas no ano seguinte.
A recepção inicial é interessante justamente porque os críticos parecem perceber a qualidade da escrita de Austen, mas nem sempre compreendem completamente o jogo literário que ela propõe.
O British Critic, por exemplo, considera o romance uma leitura agradável e destaca a capacidade da autora de construir personagens e observar com precisão a sociedade de Bath. Ao mesmo tempo, o crítico não reconhece plenamente o caráter paródico de A abadia de Northanger e demonstra algumas reservas em relação ao enredo e a determinados acontecimentos da história.
Já a Edinburgh Review reage de maneira mais entusiasmada, valorizando a inventividade da autora e sua capacidade de combinar situações familiares com acontecimentos surpreendentes.
A recepção ao conjunto da obra de Austen também cresce gradualmente. Seus romances permanecem publicados e, ao longo do século XIX, sua reputação literária se consolida. Hoje, Jane Austen ocupa um lugar central no cânone da literatura inglesa e continua sendo uma das autoras mais lidas, traduzidas e adaptadas para cinema, televisão e teatro.
E talvez A abadia de Northanger tenha encontrado uma nova maneira de conversar com os leitores contemporâneos justamente porque continua brincando com algo que conhecemos muito bem: o poder que os livros têm de interferir na nossa imaginação.
Hoje, o romance pode ser lido não apenas como uma sátira aos romances góticos, mas também como uma reflexão divertida sobre o próprio ato de ler. Catherine não é ridicularizada simplesmente por gostar de histórias. Austen parece perguntar o que acontece quando confundimos nossas expectativas literárias com aquilo que encontramos na vida real.
E essa pergunta continua deliciosamente atual.
Porque talvez o problema nunca esteja em imaginar demais, mas em esquecer que a realidade também escreve suas próprias histórias.
🔎 Fontes pesquisadas
Para a elaboração das informações sobre Jane Austen, o contexto de escrita e publicação de A abadia de Northanger e sua recepção crítica, foram consultados materiais da British Library, Cambridge University Press, Jane Austen Society e registros históricos da recepção da obra.
🗓️ CRONOGRAMA E DINÂMICA DA LEITURA
Nossa leitura acontece de 21 de outubro a 20 de novembro de 2019.
Durante esse período, cada leitora e cada leitor segue seu próprio ritmo, mas podemos aproveitar o grupo para compartilhar impressões, comentar os acontecimentos e conversar sobre aqueles personagens que despertam amor, desconfiança ou simplesmente uma vontade irresistível de revirar os olhos. ☕😄
A ideia é que a leitura seja leve, coletiva e cheia de conversa. Não precisamos ter a mesma opinião sobre Catherine, Henry, Isabella ou qualquer outro personagem. Pelo contrário: são justamente as diferentes percepções que tornam uma leitura compartilhada tão gostosa.
💬 Vamos conversar?
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Ficha Técnica do Livro
- Título original: Northanger Abbey
- Autora: Jane Austen
- Tradução: Rodrigo Breunig
- Editora: L&PM
- Páginas: 263 fls.
- Ano: 2011
+ Ler Sinopse
Agora é só preparar o chá, abrir o livro e deixar Catherine Morland nos conduzir até Northanger.
Boa leitura!



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