A Estrangeira
nos leva de volta um pouco no tempo, onde um jovem Lorde Edward Baldwin,
barão de Fermoy, faz uma viagem a freguesia do Brasil, em busca de uma
sociedade e uma saída para os problemas da família. E assim, somos levados a
começar a conhecer segredos não contados nos livros anteriores. O que torna
essencial que você tenha lido os livros anteriores, ou ao menos a viúva
antes de começar essa história.
Porém, de todas as surpresas que a viagem à longínqua terra poderia criar,
em nenhum momento Edward poderia sequer sonhar com algo parecido a Izadora
Senior. Quase como uma força da natureza, ela agrega o que existe entre uma
lady inglesa e uma brasileira, não apenas da casa grande, mas da terra, do
terreiro do próprio Brasil. Talvez o clima do tempo, que o recepcionou, já
tentasse antecipar o encontro de ambos.
"— Poderia chegar a lady, embora eu ache pouco provável — ela respondeu num inglês fluente, deixando Sr. Joaquim atordoado —, mas não acredito que chegaria a ser sua senhora algum dia."
E assim, com toda sua irreverência nata e uma beleza encantadora, sem
sequer imaginar, Izadora faz com que o jovem Lorde comece a repensar seu
futuro e o que poderia planejar para seu futuro. Afinal ao chegar no Brasil,
encontrou algo que lhe pareceu mais valioso que o ouro da Golden e com olhos
lindos como o céu de verão.
Mas o passado cobra o preço no futuro e destrói os sonhos doces do futuro e
assim, após o encanto pelo Brasil e por Izadora, o barão de Fermoy se vê
obrigado a voltar a Inglaterra e viver o dilema entre o coração e a honra e
o dever. E assim, nessa volta, somos levados a entender certos
acontecimentos ocorridos nos livros anteriores, a começar por
A Cortesã ,
A Marquesa e entrando em uma narrativa linear em
A Viúva. E nesse momento o(a) leitor(a) já está irremediavelmente preso a essa
trama que deixa, a cada resposta respondida vindo dos outros livros, o
coração batendo contra as costelas tão alto que marca o ritmo da ansiedade e
do prazer de ler essa história.
Claro que o jeito de ser de Izadora não muda com sua ida a Inglaterra, mas,
ao mesmo tempo em que encanta, gera algumas situações que, tanto para os
personagens quanto para o leitor, causam um:
“Desnecessário, Iza”. E isso
deixa o clima, que poderia ser quase sufocante, leve e divertido o bastante
para o tom do livro ser como uma deliciosa reunião das
Damas Perfeitas.
"A companhia de Izadora era como jogar dados num dia de sorte. A face revelada era sempre uma agradável surpresa."
Preciso destacar a figura de Dona Bebel, que conquista e ao mesmo tempo
mostra que com o tempo vem a sabedoria e a paciência de saber o melhor
momento de revelar segredos, entregar informações e, sobretudo, quando é
possível usar tudo ao seu redor para satisfazer as necessidades mais
secretas do coração.
E assim, quando a história de
A Estrangeira
se desenrola, traz toda ansiedade pelas novas perguntas que se formam e a
necessidade quase desesperadora pelo próximo livro (o que mostra como toda história é cativante, surpreendente a
apaixonante). E assim, terminamos a história em um misto de emoções, que incluem o
reencontro com personagens queridos, a felicidade de saber um pouco mais dos
casais anteriores após o seu “felizes para sempre” e nosso quinhão de
ansiedade para o próximo livro com a torcida para que a série não acabe.
Afinal, ninguém gosta de dizer adeus.
A edição está mais uma vez belíssima, perfeita para a essência da
personagem, da história e da série. A diagramação e revisão mais uma vez
ficaram ótimas.
Boa leitura, Elis
Ficha Técnica do Livro
- Autora: Nahra Mestre
- Série: Damas Perfeitas #4
- Editora: Portal
- Páginas: 170 fls.
+ Ler Sinopse
Em uma viagem ao Brasil, o barão de Fermoy, Lorde Edward Baldwin, conheceu a
irreverente Izadora Senior. Um encantamento imediato, um romance inesperado,
uma conexão que parecia já existir de outras vidas. Quando é obrigado a
voltar a Londres, a possibilidade de um reencontro se torna cada vez mais
distante. Após anos ansiando por sentir Izadora novamente nos braços, Edward
se vê preso a uma rede de intrigas em que precisa escolher entre defender a
honra da família ou sucumbir aos seus desejos românticos.
Quando Izadora desembarca em Londres, ocorre o começo e o fim. Edward
tornou-se o primeiro-ministro e a brasileira não é uma dama aceitável para
um cavalheiro nessa posição. Impossibilitado de abandonar sua carreira, o
barão se vê mais uma vez dividido entre o amor e o dever, mas é incapaz de
se afastar da estrangeira irreverente que não segue padrões.
O quarto livro da série Damas perfeitas nos faz enxergar além e que, na
verdade, nada é como parece ser.



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