Leitura Compartilhada :: Aventuras de Alice no País das Maravilhas


Há histórias que parecem feitas para a infância, mas que guardam dentro delas perguntas que continuam nos acompanhando muito depois de crescermos. Há também aquelas que nos convidam a esquecer, por algumas horas, que o mundo precisa fazer sentido.

É nesse espírito que embarcamos em nossa próxima Leitura Compartilhada. Entre coelhos apressados, mudanças de tamanho, chás intermináveis, rainhas temperamentais e personagens que parecem ter saído de um sonho muito curioso, seguimos Alice por um lugar onde a lógica pode ser virada de cabeça para baixo.

De 13 a 31 de janeiro de 2020, abrimos as páginas de 'Alice no País das Maravilhas', de Lewis Carroll, e nos deixamos levar por uma história que atravessa gerações justamente porque nunca parece caber em uma única interpretação. 📖☕

'E se, por um instante, deixássemos de procurar sentido em tudo e simplesmente seguíssemos o Coelho Branco?'


🖋️ Sobre a autoria

Lewis Carroll é o pseudônimo de Charles Lutwidge Dodgson, nascido na Inglaterra em 1832. Professor e estudioso de matemática em Christ Church, Oxford, Carroll também se dedica à poesia, à lógica, à fotografia e à criação de jogos e enigmas. A combinação entre seu interesse pela matemática e seu gosto pelo 'nonsense' ajuda a compreender parte da atmosfera tão particular de sua obra.

A história de Alice começa antes de chegar às livrarias. Em 4 de julho de 1862, durante um passeio de barco pelo rio Tâmisa em direção a Godstow, Carroll conta uma história às irmãs Lorina, Alice e Edith Liddell. A menina Alice Liddell, filha de Henry George Liddell, então reitor de Christ Church, torna-se a principal inspiração para a personagem.

Carroll transforma aquela narrativa oral em manuscrito e presenteia Alice Liddell com 'Alice's Adventures Under Ground'. Depois, amplia consideravelmente a história, acrescenta novos episódios e personagens e chega à obra que conhecemos como 'Alice's Adventures in Wonderland'.

O livro também ganha uma parceria fundamental: as ilustrações de John Tenniel. Seus desenhos passam a fazer parte da própria identidade visual de Wonderland e ajudam a transformar Alice, o Coelho Branco, o Chapeleiro, o Gato de Cheshire e tantos outros personagens em imagens que permanecem reconhecíveis até hoje.


📖 A obra e seu contexto

O título original da obra é 'Alice's Adventures in Wonderland', publicado pela primeira vez em 1865. A história acompanha Alice, uma menina que segue um Coelho Branco até sua toca e acaba caindo em um mundo no qual as regras do cotidiano deixam de funcionar como deveriam.

Em Wonderland, o tamanho de Alice muda constantemente, o tempo parece obedecer a regras próprias, os animais conversam, as palavras podem adquirir novos significados e as conversas nem sempre conduzem a alguma conclusão. O que poderia ser apenas uma sucessão de acontecimentos absurdos transforma-se em um jogo constante com a linguagem, a lógica e as convenções do mundo adulto.

A história nasce na Inglaterra vitoriana, período em que a literatura infantil ainda era fortemente marcada por ensinamentos morais e educativos. Carroll caminha em outra direção: em vez de ensinar uma lição a cada aventura, ele cria um universo no qual a imaginação, o humor, os jogos de palavras ocupam o centro da narrativa.

E talvez seja justamente aí que esteja parte do encanto de Alice. Ela entra em um mundo no qual os adultos e suas regras nem sempre parecem tão razoáveis quanto deveriam. Alice tenta compreender o que acontece ao seu redor, questiona as criaturas que encontra e, aos poucos, aprende a se posicionar diante de situações que não obedecem às regras que conhece.

A edição que escolhemos para a leitura é a 'Alice: edição comentada e ilustrada', publicada pela Clássicos Zahar em 2013. Com tradução de Maria Luiza X. de A. Borges, ela reúne 'Aventuras de Alice no País das Maravilhas' e 'Através do Espelho e o que Alice encontrou por lá', acompanhadas das ilustrações originais de John Tenniel e das notas de Martin Gardner, que esclarecem trocadilhos, enigmas, referências históricas e aspectos da obra que podem se perder em uma tradução.

É uma edição especialmente interessante para uma leitura compartilhada porque nos permite não apenas acompanhar Alice em suas aventuras, mas também parar de vez em quando para conversar sobre aquilo que está escondido entre uma palavra e outra.


🕰️ Recepção crítica: ontem e hoje

Quando 'Alice's Adventures in Wonderland' chega ao público, em 1865, encontra uma recepção bastante favorável. As primeiras críticas destacam principalmente a inventividade de Carroll, seu domínio da linguagem, as paródias e o humor. Houve, entretanto, algumas vozes discordantes: uma resenha publicada no 'Athenaeum' considerou a história excessivamente elaborada e pouco encantadora para uma criança.

O sucesso junto aos leitores é imediato. A primeira impressão enfrenta um problema curioso: Carroll e Tenniel ficam insatisfeitos com a qualidade da reprodução das ilustrações, e o autor decide retirar a edição. Uma nova impressão é realizada ainda em 1865, desta vez com outro impressor, e a obra rapidamente conquista seu público. Mais de 5 mil exemplares são vendidos na Inglaterra apenas no primeiro ano da nova impressão.

Ao longo do tempo, porém, Alice deixa de ser apenas um sucesso da literatura infantil e passa a despertar interpretações cada vez mais variadas. O jogos de lógica, as mudanças de identidade, as questões sobre crescimento e as relações entre crianças e adultos fazem com que a obra seja estudada sob perspectivas literárias, filosóficas, psicológicas e culturais.

Hoje, sua importância ultrapassa a literatura. 'Alice' permanece em circulação, ganha novas traduções e adaptações e continua sendo reinterpretada por leitores de diferentes idades. A própria editora Macmillan registra que a obra nunca deixou de ser publicada e já foi traduzida para pelo menos 176 idiomas.

Talvez seja essa uma das características mais bonitas de Wonderland: cada geração encontra uma Alice diferente. Para uma criança, pode ser uma aventura fantástica. Para um adulto, pode ser uma brincadeira com a lógica, uma história sobre crescer ou uma oportunidade de reencontrar aquela parte de nós que ainda aceita entrar em uma toca de coelho sem saber exatamente onde vai parar e é justamente essa multiplicidade que queremos levar para a nossa conversa.

🔎 Fontes pesquisadas

Para a elaboração das informações sobre Lewis Carroll, o contexto da obra e sua recepção, foram consultados materiais da Universidade de Oxford, da British Library, da Poetry Foundation, da Lewis Carroll Society e da editora Macmillan, além das informações editoriais da Companhia das Letras/Zahar.


🗓️ Cronograma e dinâmica da leitura

Nossa viagem pelo País das Maravilhas acontece de 13 a 31 de janeiro de 2020.

Durante esse período, cada leitora e cada leitor segue seu próprio ritmo, mas temos um espaço especial para dividir impressões, comentar personagens, levantar teorias e, principalmente, conversar sobre aquelas cenas que fazem a gente parar e pensar: 'Mas o que acabou de acontecer aqui?'

A ideia não é encontrar uma única resposta para Alice. É justamente permitir que diferentes olhares convivam.

💬 Vamos conversar?

O grupo da Leitura Compartilhada fica aberto para nossas conversas, descobertas e claro trocas de impressões:

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Capa do Livro

Ficha Técnica do Livro

  • Título original: Alice's Adventures in Wonderland
  • Autor: Lewis Carroll
  • Coleção: Clássicos Zahar
  • Tradução: Maria Luiza X. de A. Borges
  • Ilustrações: John Tenniel
  • Introdução e notas: Martin Gardner
  • Editora: Zahar
  • Páginas: 416 fls.
  • Ano: 2013
+ Ler Sinopse
A premiada edição comentada e ilustrada de Alice ganha novo formato, seguindo o padrão da coleção Clássicos Zahar. O livro reúne Aventuras de Alice no País das Maravilhas e sua continuação, Através do espelho e o que Alice encontrou por lá, obras-primas de Lewis Carroll. A versão impressa apresenta ainda capa dura e acabamento de luxo.

Além da primorosa tradução vencedora do Prêmio Jabuti, o livro inclui centenas de notas esclarecendo passagens antes nebulosas, trocadilhos de época, enigmas lógicos e referências à vida pessoal do autor, elaboradas por Martin Gardner, um dos maiores especialistas em Carroll. Traz ainda todas as incríveis ilustrações originais de John Tenniel, além de esboços recém-descobertos; introdução situando esses clássicos no contexto da Inglaterra vitoriana; bibliografia da obra de Lewis Carroll, enriquecida com edições em português; filmografia elencando adaptações de Alice para o cinema, a televisão e desenhos animados; e um episódio inédito de Através do Espelho: "O Marimbondo de Peruca".

Agora é preparar o chá, abrir o livro e seguir o Coelho Branco. Porque, afinal, algumas histórias não foram feitas para serem explicadas. Foram feitas para serem vividas. ☕🐇📖

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