Talvez a morte seja mesmo como para aqueles que conseguem ver os
Testrálios, sabe-se da existência, mas só é vista e sentida por aqueles
que a conheceram ao perder alguém.
Foi o primeiro trabalho da editora que li, porém a história me é muito
conhecida, já perdi as contas de quantas vezes maratonei os filmes, a
série e sim naveguei sobre a história na internet. Mas não pense que isso
é algo de agora, data de mais de 15 anos. E foi com ansiedade e medo que
peguei essa HQ para ler.
E assim, voltei aos becos sombrios dos anos 1980 e acompanhei a história
de Eric Draven, misto de anjo vingador e anti-herói, que não descansará
enquanto os assassinos de sua amada Shelley continuarem vivos.
Amei as informações que tive e que não sabia ainda, como a origem dos
nomes, as trinta páginas de artes inéditas e uma sequência que o
quadrinista só se sentiria à vontade para produzir anos depois. Tudo isso
narrado pelo autor num prologo tão lindo quanto doloroso de ler.
Doeu ficar sabendo que o Corvo foi concebido pelo autor para conseguir
superar a dor de perder sua noiva e sobre a tragédia que se aproximou
novamente do universo de O Corvo em 1993, com a morte do ator Brandon Lee.
Fato esse muito conhecido por que acompanhou as adaptações para o cinema.
Porém tem informações que antes eram ditas pra esconder a verdade que aqui
o autor revela que deu um sentido de beleza a HQ ainda maior. Que em preto
e branco consegue mostrar coisas que cor alguma seria capaz, porque para
quem está preso em culpa e dor como Erick não existem cores no mundo, nem
zonas cinzas. Tudo está sem cor, morto mas ainda continua vivo.
Não sou especializa em HQ mas amei a edição, as imagens e a manutenção da
"tecnologia" original = papel e Nankin para reescrever o que foi escrito e
não publicado, porque precisava de tempo para a dor ceder espaço a arte e
deixar o mundo conhecer algo que só seu autor havia concebido.
O restante da experiência de leitura foi única e não existem palavras para
ela.
Ficha Técnica do Livro
- Título original: The Crow
- Autor: James Barr
- Tradução: Érico Assis
- Editora: DarkSide Books
- Páginas: 272 fls.
+ Ler Sinopse
E se a morte não fosse o fim para quem deseja vingança? A partir de uma
tragédia pessoal, James O’Barr criou a história de Eric Draven, o
protagonista de O CORVO que retorna para perseguir seus assassinos depois
que estes interromperam uma vida de sonhos ao lado de sua amada Shelly.
Sucesso desde quando começou a ser publicada de forma seriada e
independente, em 1981, a jornada espiritual e a incapacidade de vencer o
luto tocaram fundo os leitores, que se aproximaram de O’Barr, muitos de
forma reverente.
Outra tragédia marcaria o personagem: na adaptação de O CORVO para o cinema,
Brandon Lee, que interpretava o protagonista, foi morto acidentalmente
durante as filmagens, por uma bala de verdade, que deveria ser de festim.
Todos esses incidentes, aliados à arte em preto e branco, as citações
musicais de ícones do pós-punk e o lirismo de James O’Barr, carregam a
graphic novel com uma sombria melancolia, que cativou e tocou o coração dos
leitores ao redor do planeta.A versão definitiva deste clássico dos
quadrinhos traz a força da arte e dos textos góticos de O’Barr, em edição
mais que especial.
Além de reunir a história completa criada pelo autor na época do lançamento,
O CORVO ― Edição Definitiva apresenta ainda trinta páginas de artes
inéditas, e uma sequência que o quadrinista não se sentiu a vontade para
produzir nos anos 1980, conforme O’Barr confessa na introdução inédita.Ler
esta edição é uma oportunidade de reviver e de conhecer os anos 1980 por um
viés bastante sensível e belo, que perpetua o legado da obra original: a
poderosa jornada de um anjo vingativo e a celebração do amor verdadeiro, de
forma tão intensa, inteligente e inesquecível como sua concepção original.




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