Resenha :: Audácia e Presunção: Os Watsons

Quem me conhece sabe que nós amo clássicos e leituras conjuntas. Por isso, quando a nossa editora parceira lançou um livro que foi escrito pela Jane Austen e ganhou uma adaptação toda especial pela Lis Wey, com certeza não iría resistir a leitura desse livro.

A edição se divide em duas partes. A primeira é a história escrita por Jane Austen e a segunda a versão da Lis Wey, continuando a partir do ponto onde Jane Austen parou. Vamos conhecer a história de 04 irmãs e 02 irmãos que são filhos de um viúvo adoecido.


"A contribuição feminina ainda será de grande valor e há vontade para tal, mas só isso não é suficiente."




Claro que o foco é nas quatro irmãs, dentre elas a irmã mais nova, Emma Watson que, depois de anos vivendo sob a tutela de uma tia na Escócia, foi enviada de volta para casa e encontrou suas irmãs, descobrindo inimizades, desentendimentos, rancores e mal-entendidos. Influenciada pelas percepções da irmã mais velha, Elizabeth, Emma passa a observar as pessoas e formar a própria opinião sobre elas. 


Elizabeth, a irmã mais velha e responsável pelos cuidados com o pai, sofreu uma desilusão causada por Penélope, outra de suas irmãs, que a afastou de Purvis, o grande amor de Eli. Depois disso, Penélope partiu atrás de um marido. Outra de suas irmãs, Margareth, disputa com todas as moças solteiras o amor do galanteador Tom Musgrave. No primeiro baile que comparece, Emma conhece a família Edwards e os Osbornes, família mais abastada da região, além do antigo tutor de Lorde Osborne, o Senhor Howard, personagens cruciais no desenrolar da trama.

 

"É audácia, presunção e uma pitada de modéstia, tudo ao mesmo tempo, junto e misturado nesta tradução do texto original feita por mim."


Trama que continua na versão da Lis Wey dessa história. Mesmo ela mantendo a base da narrativa dada por Jane Austen, ganhou os contornos da própria história, dando mais vida e personalidade a personagens que apareceram no baile e desenrolando à sua maneira as histórias começadas. Assim como o desenrolar da história das irmãs, Margareth, que conseguiu superar Lydia em meu ranço eterno, e a Penélope que, apesar da desavença com Elizabeth, tem um segredo que minha nossa!!!



Como alguém que já leu todas as histórias completas de Jane Austen, pude perceber várias referências a essas histórias na narrativa da Lis Wey, nada que desabone, ok?! Mas houveram algumas coisas que, por ser uma história ligada a Jane Austen, me incomodaram bastante por não ser algo que Austen escreveria. Mas aqui fica algo muito pessoal. Como a história é da Lis Wey, nessa parte, entendo perfeitamente que a escrita seja dela.


"— Saber a hora de não falar nada é um conhecimento que só os mais inteligentes possuem — disse Penélope."


Creio que o título do livro retrata muito bem a segunda parte da história, sendo audácia e presunção sentimentos marcantes nos personagens. Assim como algumas emoções dignas dos romances que tanto amamos escritos por Austen como finais felizes. Confesso que terminei a leitura sem conseguir cumprir as metas. Ok, podem me julgar, mas foi impossível parar para deixar para descobrir depois como a história iria terminar e o final de cada personagem.


"De fato, perdi Purvis, mas quase ninguém casa com o primeiro amor."


AH! E, durante essa leitura, a autora lançou o e-book Entrelinhas, histórias de época retiradas do Wattpad da autora, com um spin-off da história de Elizabeth, com conto de mesmo título. Neste breve spin-off de Audácia e Presunção vamos conhecer mais sobre o que aconteceu e como ela chegou ao surpreendente final na obra.

 

Acho que o fato da autora não tentar ser Jane Austen, e sim uma autora escrevendo a partir de uma história dela, é muito honesto e faz com que a diagramação da editora seja ainda mais perfeita do que já foi. Com imagens, boa fonte e espaçamento, uma capa lindíssima e papel e revisão confortáveis para leitura. A tradução foi feita e adaptada pela própria autora, o que mostra seu total e pleno envolvimento pelo projeto.

Capa do Livro

Ficha Técnica do Livro

  • Título original: The Watsons
  • Autoras: Jane Austen e Lis Wey
  • Série: As irmãs Watson #1
  • Tradução: Dri Alevato
  • Editora: Papoula Editorial
  • Páginas: 226 fls.
+ Ler Sinopse
Jane Austen abandonou a escrita de The Watsons por volta de 1805, deixando a história de Emma, Elizabeth, Margaret e Penélope sem um final. Em 1850, a sobrinha Catherine Hubback o publicou – “The Younger Sister”, ainda sem tradução no Brasil -, provavelmente seguindo as confidências de Jane Austen à sua irmã Cassandra sobre as previsões de final.

Mais de 200 anos depois, a jovem autora brasileira Lis Wey decidiu reviver as páginas de uma de suas autoras prediletas, propondo uma versão em Língua Portuguesa para a obra e escrevendo um final diferente para o romance. “Emma Watson é a mais nova dos filhos de um viúvo adoecido. Depois de anos vivendo sob a tutela de uma tia na Escócia, foi enviada de volta para casa e encontrou suas irmãs, descobrindo inimizades, desentendimentos, rancores e mal-entendidos. Influenciada pelas percepções da irmã mais velha, Elizabeth, Emma passa a observar as pessoas e formar a própria opinião sobre elas. Elizabeth, a irmã mais velha e responsável pelos cuidados com o pai, sofreu uma desilusão causada por Penélope, outra de suas irmãs, que a afastou de Purvis, o grande amor de Eli. Depois disso, Penélope partiu atrás de um marido. Outra de suas irmãs, Margareth, disputa com todas as moças solteiras o amor do galanteador Tom Musgrave. No primeiro baile que comparece, Emma conhece a família Edwards e os Osbornes, família mais abastada da região, além do antigo tutor de lorde Osborne, o senhor Howard, personagens cruciais no desenrolar da trama.” Os conflitos das irmãs fazem desta história de Jane Austen um terreno fértil à criatividade de Lis Wey, autora de outros romances de época nacionais ambientados na Inglaterra de Austen.

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