Leitura Compartilhada :: O mistério dos três pedaços (The Mystery of Three Quarters)

☕ Prepare a xícara de chá, acomode-se em sua poltrona favorita e deixe as pequenas células cinzentas trabalharem. Para a nossa próxima Leitura Compartilhada, vamos voltar ao universo de Hercule Poirot em um mistério escrito por Sophie Hannah, com o personagem criado por Agatha Christie.

Em ‘O mistério dos três pedaços’, Poirot se vê diante de uma situação bastante peculiar: quatro pessoas recebem cartas assinadas em seu nome, todas acusando seus destinatários de terem assassinado o mesmo homem.

O problema? Poirot não escreveu nenhuma delas. E há algo ainda mais intrigante: ele sequer conhece Barnabas Pandy, o homem cuja morte está no centro das acusações.

Quem enviou as cartas? Por que escolher justamente aquelas quatro pessoas? E, afinal, Barnabas Pandy morreu por acidente ou foi assassinado?

É com essas perguntas que começamos mais uma investigação literária, daquelas em que cada detalhe pode esconder uma pista e qualquer personagem pode ter algo a esconder.

🖋️ Sophie Hannah e o desafio de escrever Poirot

Sophie Hannah é uma escritora britânica conhecida principalmente por seus thrillers psicológicos. Seus livros foram publicados em dezenas de países e conquistaram leitores muito além do universo da literatura policial, mas existe um capítulo particularmente curioso em sua trajetória: Hannah recebeu autorização do espólio de Agatha Christie para continuar as histórias de Hercule Poirot.

‘O mistério dos três pedaços’ é o terceiro romance de Hannah protagonizado pelo famoso detetive belga, depois de ‘Os crimes do monograma’ e ‘Caixão fechado’. A autora não tenta simplesmente reproduzir os romances de Christie, mas parte de um personagem e de um universo literário já conhecidos para construir novas investigações.

A própria biografia editorial de Hannah destaca sua experiência com thrillers psicológicos e sua atuação na formação de escritores de romances policiais e thrillers na Universidade de Cambridge. E, claro, existe ainda a enorme sombra literária sob a qual essa experiência acontece: Agatha Christie, uma das escritoras mais publicadas de todos os tempos e responsável por transformar Poirot em um dos grandes ícones da literatura policial.

📖 Um novo caso para as pequenas células cinzentas

A história começa quando Hercule Poirot retorna para casa depois de um almoço e encontra uma mulher furiosa esperando por ele,Sylvia Rule recebeu uma carta em que Poirot a acusa de assassinar Barnabas Pandy, um homem que ela afirma nunca ter conhecido, Poirot está tão surpreso quanto ela. Ele jamais escreveu aquela carta e nunca havia sequer ouvido falar de Pandy.

Então aparece outro destinatário. E outro. E mais um. Quatro pessoas receberam cartas aparentemente enviadas por Poirot, todas relacionadas ao mesmo assassinato. Algumas sequer conheciam a vítima. Outras possuem vínculos muito mais próximos com Barnabas Pandy.

A situação se torna ainda mais estranha quando se descobre que Pandy, um homem de 94 anos, morreu afogado em sua banheira e que sua morte havia sido considerada um acidente. Assim, Poirot precisa descobrir não apenas quem escreveu as cartas, mas também por que alguém teria tanto trabalho para incriminá-lo e qual é a verdadeira história por trás da morte de Pandy.

A investigação nos leva à Londres da década de 1930, mantendo o cenário histórico associado ao universo clássico de Poirot. A ambientação aparece como parte importante da proposta, embora a história se concentre principalmente no quebra-cabeça policial e nas relações entre os personagens.

🕰️ Recepção crítica: ontem e hoje

‘O mistério dos três pedaços’ chegou aos leitores em agosto de 2018 e rapidamente encontrou espaço entre os leitores de literatura policial. No Reino Unido, o livro estreou em 7º lugar na lista de mais vendidos do ‘Sunday Times’ e permaneceu entre os dez primeiros por duas semanas consecutivas. A obra também foi publicada internacionalmente e chegou a 23 idiomas em seu primeiro ciclo de publicação.

A recepção crítica foi, em grande parte, bastante positiva, a ‘Publishers Weekly’ destacou a engenhosidade do quebra-cabeça e considerou especialmente interessante a maneira como Hannah trabalha com uma solução que dialoga com uma das próprias soluções de Christie e a ‘Kirkus Reviews’ também chamou atenção para a inventividade da trama e para o desfecho, embora tenha observado que a revelação final se prolonga bastante.

Hoje, o livro continua despertando uma discussão interessante entre os leitores de Christie: até que ponto é possível reviver um personagem tão marcado pela personalidade de sua criadora sem simplesmente imitá-la? Essa talvez seja uma das partes mais divertidas desta leitura compartilhada. Afinal, não estamos apenas tentando descobrir quem matou Barnabas Pandy. Também podemos observar como outra escritora interpreta Poirot, seus métodos, suas excentricidades e a própria estrutura de um mistério clássico.

Entre leitores contemporâneos, a recepção permanece dividida, mas o livro conserva uma comunidade bastante ativa de leitores. Em plataformas como o Goodreads, milhares de avaliações continuam registradas, mostrando que a curiosidade em torno do ‘novo’ Poirot está longe de ter desaparecido.

E talvez seja justamente isso que torne a experiência tão interessante: ler Sophie Hannah depois de Agatha Christie é também conversar com a própria história do romance policial.


Capa do Livro

Ficha Técnica do Livro

  • Título original: The Mystery of Three Quarters
  • Autoras: Sophie Hannah e Agatha Christie
  • Série: The New Hercule Poirot Mystery #3
  • Tradução: André Gordirro
  • Editora: HarperCollins Brasil
  • Páginas: 320 fls.
  • Ano: 2021
+ Ler Sinopse
Ao chegar em casa após o almoço, Hercule Poirot é abordado por uma mulher irada. O motivo de tamanha revolta? Ter recebido uma carta em que o detetive a acusa de assassinato! Poirot, no entanto, está tão confuso quanto ela, pois jamais enviou aquela mensagem.

Logo a situação ganha novas proporções quando outras três pessoas batem à porta do belga com a mesma missiva. Algumas delas afirmam que nem conheciam Barnabas Pandy, o falecido em questão, e a neta dele diz que a morte de seu avô foi um acidente. Poirot se vê, então, envolvido em mais um surpreendente mistério.

Quem, afinal, enviou aquelas mensagens? E por quê? Quem é Barnabas Pandy? Ele foi mesmo assassinado? Alguém está em busca de confusão, e Poirot terá que usar suas pequenas células cinzentas para montar esse confuso quebra-cabeça.

🗓️ Nossa Leitura Compartilhada

Início da leitura: 05 de junho de 2021

Encerramento da leitura: 26 de junho de 2021

☕ Durante esse período, a ideia é que cada leitora possa avançar no seu próprio ritmo, guardar suas suspeitas, desconfiar dos personagens e, principalmente, resistir à tentação de descobrir o final antes da hora.

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Porque uma boa investigação fica ainda mais divertida quando podemos reunir nossas teorias, suspeitas e palpites em torno da mesma mesa. Como em toda boa história de Poirot, talvez a pessoa que parece menos suspeita seja justamente aquela que merece nossa atenção...

🔎 Fontes consultadas

Informações bibliográficas, contexto da obra, autoria e publicação foram conferidos em fontes editoriais e bibliográficas, incluindo a página oficial de Agatha Christie, o site de Sophie Hannah, HarperCollins Brasil, Google Books, ‘Publishers Weekly’, ‘Kirkus Reviews’ e registros de recepção de leitores.

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