Olá leitores, Quando falamos em autismo, é muito comum que o foco esteja na pessoa autista. Falamos do diagnóstico, dos comportamentos, das necessidades e dos desafios que ela enfrenta, mas muitas vezes esquecemos de olhar para quem está ao lado: a família. E essa família também precisa aprender a lidar com a notícia, com as mudanças, com as novas necessidades e com tudo aquilo que o diagnóstico traz consigo. Ignorar isso pode ser muito prejudicial para todos.
Em Meu menino vadio, Luiz Fernando Vianna vai além de abordar o autismo de seu filho, Henrique. O que encontramos é também um relato muito honesto sobre o que pode acontecer quando alguém tenta lidar sozinho com uma realidade que, muitas vezes, está muito além das capacidades de uma única pessoa.
"Não é uma tragédia, mas não é uma comédia"
Eu me senti lendo um diário. Como se cada capítulo fosse uma nova entrada sobre a vida desse pai, suas experiências, seus sentimentos e sua tentativa de compreender o filho autista não verbal, decifrando seus sons, seus desejos, seus silêncios e também os momentos em que não consegue alcançar aquilo que existe lá no fundo dele.
Escrito por um jornalista, o texto é primoroso, dividido em capítulos e, ao
mesmo tempo, muito cru e seco.
Não há espaço para romantização, para frases bonitas que tentem transformar sofrimento em lição de vida ou para desculpas que suavizem aquilo que é difícil. Luiz Fernando fala sobre o autismo do filho, mas também sobre depressão, alcoolismo e suicídio, questões que atravessam a vida de muitos adultos depois de um diagnóstico que muda completamente a dinâmica familiar.
Para mim, uma das grandes questões que ficam da leitura é justamente a necessidade de uma rede de apoio.
Se pensarmos no equilibrista sobre uma corda bamba, essa rede pode ser a diferença entre viver e não viver depois da queda. E digo isso pensando nas palavras de alguém que parece, em muitos momentos, resignado. Sofrido. Alguém que mostra, sem suavizar, que os pais de pessoas autistas também precisam de ajuda — tanta quanto, e em determinados momentos até mais, do que seus filhos.
Outra coisa que achei MEGA válida no livro são as indicações de livros e autores que aparecem ao longo da leitura. Alguns eu já conhecia e outros imediatamente entraram para a minha lista de futuras leituras. Gosto muito quando um livro consegue abrir essas pequenas portas para outros livros.
Meu menino vadio foi, para mim, uma leitura de alerta e aprendizado. Não apenas sobre o autismo, mas sobre a família, sobre os limites humanos e sobre o perigo de acreditar que precisamos dar conta de tudo sozinhos. E, por isso, indico muito a leitura desse pai estranho e de seu menino vadio.
Ficha Técnica do Livro
- Autor: Luiz Fernando Vianna
- Editora: Intrínseca
- Páginas: 208 fls.
- Ano: 2017



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