Leitura Compartilhada :: Mulherzinhas (Little Women)

Há livros que atravessam gerações porque, de alguma maneira, sempre encontram uma nova leitora disposta a sentar-se à mesa da família March.

Em dezembro, nossa Leitura Compartilhada nos convida a ir para casa de Meg, Jo, Beth e Amy e acompanhar não apenas suas pequenas aventuras, mas também os sonhos, escolhas, perdas e descobertas que fazem parte do caminho para a vida adulta.

Em Mulherzinhas, conhecemos as quatro irmãs durante a Guerra Civil Americana. Em Boas Esposas, acompanhamos essas meninas já crescidas, diante das responsabilidades, dos amores e das decisões que a maturidade traz.

É uma leitura para fazer sem pressa, talvez com uma xícara de café ou chá por perto, e com aquela sensação gostosa de reencontrar personagens que parecem velhas conhecidas.

"Há histórias que envelhecem. E há histórias que crescem junto com suas leitoras."

Que tal passar dezembro na companhia das irmãs March?


🖋️ Louisa May Alcott: uma mulher que escreveu além do seu tempo

Louisa May Alcott nasceu em 1832, nos Estados Unidos, em uma família ligada ao movimento transcendentalista. Entre os amigos próximos de sua família estavam nomes como Ralph Waldo Emerson e Henry David Thoreau. Desde cedo, viveu em um ambiente intelectual, mas também conheceu as dificuldades financeiras que marcaram sua família.

Antes de alcançar fama com ‘Mulherzinhas’, Louisa escreveu contos, romances e textos para revistas. Durante a Guerra Civil Americana, em 1862, trabalhou como enfermeira em Georgetown, experiência que posteriormente transformaria em ‘Hospital Sketches’. A autora também publicou histórias de caráter mais sensacionalista sob o pseudônimo A. M. Barnard. Sua produção literária, portanto, estava longe de se limitar à literatura juvenil que acabou tornando seu nome mundialmente conhecido.

Mulherzinhas nasceu, em parte, das próprias experiências de Louisa e de suas irmãs. A família March é uma versão literariamente transformada da família Alcott, e Jo possui muitos traços de sua criadora: independente, apaixonada pela escrita e pouco disposta a aceitar que o casamento fosse necessariamente o destino de uma mulher. Curiosamente, Louisa não recebeu a proposta de escrever essa história com o entusiasmo que hoje poderíamos imaginar. O livro foi escrito a pedido de seu editor, e a própria autora inicialmente considerou a história pouco interessante. O público, porém, rapidamente provou o contrário.

O livro foi escrito em uma sociedade na qual as possibilidades de autonomia para as mulheres eram bastante restritas. Por isso, as escolhas de Meg, Jo, Beth e Amy podem ser lidas tanto como retrato de seu tempo quanto como diferentes maneiras de negociar com as expectativas impostas às mulheres.

🕰️ Recepção crítica: ontem e hoje

Quando ‘Little Women’ foi publicado, em setembro de 1868, o sucesso foi praticamente imediato. O livro agradou tanto ao público que leitores passaram a escrever para Louisa May Alcott pedindo mais histórias das irmãs March. A segunda parte veio no ano seguinte, em 1869.

A recepção crítica também foi bastante positiva. Resenhas da época destacavam a escrita considerada ‘fresca’ e ‘natural’ e apontavam a capacidade de Alcott de conquistar a simpatia dos leitores. Depois da publicação da segunda parte, tornou-se ainda mais evidente que o livro havia ultrapassado o público infantil para se transformar em um verdadeiro fenômeno editorial.

Nem tudo, porém, era unanimidade, alguns críticos da época estranhavam justamente aquilo que hoje pode tornar a obra tão interessante: o uso de linguagem cotidiana, as meninas pouco convencionais, seus questionamentos e determinadas escolhas que contrariavam expectativas tradicionais para personagens femininas. Jo, especialmente, chamava atenção por sua personalidade independente.

Hoje, ‘Mulherzinhas’ é frequentemente discutido sob perspectivas feministas, especialmente por causa de Jo March e de sua relação com trabalho, escrita, independência e casamento. A personagem se tornou uma das figuras femininas mais reconhecidas da literatura norte-americana.

Ao mesmo tempo, a obra não precisa ser transformada em um manifesto para continuar provocando perguntas. Ela também pode ser lida como uma história sobre família, amadurecimento, amizade, luto, dinheiro, expectativas sociais e as diferentes formas de construir uma vida.

Louisa May Alcott permaneceu solteira, e há registros de que ela não pretendia necessariamente casar Jo. Cartas de jovens leitoras, entretanto, pressionavam a autora para que desse à personagem um par romântico. A questão do casamento de Jo se tornou, desde então, um dos pontos mais debatidos pela crítica.

‘O que uma mulher deseja para sua própria vida?’

Talvez essa seja uma das perguntas que fazem com que ‘Mulherzinhas’ continue encontrando leitoras mais de um século depois de sua publicação.

🔎 Fontes pesquisadas

As informações históricas, biográficas e sobre a recepção da obra foram conferidas em fontes como:

Grupo Editorial Record, responsável atualmente pela publicação de Louisa May Alcott no catálogo da José Olympio.

Cambridge University Press, em estudo sobre Louisa May Alcott e a recepção inicial de ‘Little Women’.

Wikisource, para conferência da edição original de ‘Good Wives’, publicada pela Roberts Brothers em Boston, em 1869.

Capa do Livro

Ficha Técnica do Livro

  • Título original: Little Women
  • Autora: Louisa May Alcott
  • Série: Mulherzinhas #1
  • Tradução: Thalita Uba
  • Editora: José Olympio
  • Páginas: 322 fls.
  • Ano: 2020
+ Ler Sinopse
Inicialmente considerado um romance infantojuvenil, Mulherzinhas é hoje, para leitores de todas as idades, um romance feminista entre os maiores clássicos da literatura americana.É provável que Louisa May Alcott jamais tenha sonhado em deixar uma marca tão profunda na literatura. Mas foi o que fez essa mulher extraordinária! Abolicionista ferrenha, sufragista, feminista até os ossos em uma sociedade cuja voz da mulher mal passava de um sussurro, ela ousou desafiar as convenções ao decidir viver de sua escrita ― entre outros tantos feitos incríveis.

Little Women, publicada em 1868, sua obra mais aclamada, foi um enorme sucesso em seu lançamento, a ponto de os leitores escreverem para a autora implorando por mais um pouco das quatro irmãs. E Louisa prontamente os atendeu no ano seguinte, com Good wives. O motivo de tanto encantamento fica claro tão logo conhecemos as irmãs March: quatro garotas cheias de sonhos tentando extrair o melhor de cada dia, numa América assolada pela Guerra Civil e assombrada pela fome.

Neste primeiro volume, acompanhamos a vida das filhas de um clérigo que escolheu servir ao país na guerra, fazendo o melhor que podem para distrair a mãe e manter alguma normalidade em casa. É fácil para Meg, a mais velha das quatro, com sua personalidade serena e quase maternal. O oposto acontece com a intempestiva Jo; a aspirante a escritora tem dificuldade para domar seu gênio e não se conforma com a “má sorte” de ter nascido mulher, sendo assim proibida de lutar ao lado do pai. Já Beth, tão doce quanto as músicas que seus dedos extraem do velho piano, enfrenta seus próprios demônios. A mimada Amy sonha acordada com belos vestidos, joias brilhantes e um príncipe encantado, como qualquer menina de sua idade.

Essas adoráveis mulheres não poderiam ser mais diferentes. No entanto, há algo que as une mesmo nas piores desavenças: o amor de umas pelas outras. E será esse amor que as ajudará a enfrentar o período mais sombrio de suas vidas...Alegre, delicado e comovente, Mulherzinhas é um retrato fiel da sociedade americana em meados do século 19, da dura realidade e das lutas constantes de quatro mulheres jovens e imperfeitas tentando sobreviver em um mundo onde apenas o perfeito é aceitável. Uma leitura deliciosa do início ao fim. Todo amante de livro precisa tê-lo na estante!

🗓️ Nossa Leitura Compartilhada

Período da leitura: 03 a 31 de dezembro de 2021

Durante essas semanas, a proposta é acompanhar as irmãs March com calma e abrir espaço para conversar sobre aquilo que a história desperta em cada uma de nós.

Porque uma leitura compartilhada não termina quando fechamos o livro. Às vezes, ela começa justamente aí.

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