Hoje quero conversar com vocês sobre uma leitura que me levou para um lugar muito delicado: o da maternidade diante de um filho que percorre um caminho diferente daquele que a sociedade costuma esperar. Em 'Mãe, me ensina a conversar', Dalva Tabachi compartilha sua experiência como mãe de quatro filhos, entre descobertas, dúvidas, renúncias, conquistas e os muitos aprendizados que acompanham cada nova etapa da vida de uma família.
"Cada progresso por menor que seja, leva a outros. Nada se faz num piscar de olhos. Não existem milagres. Ricardo jamais parou de aprender. Continua aprendendo – e toda a nossa família aprende junto com ele."
Com diversos depoimentos de profissionais que assistem ou assistiram à família e ao Ricardo nessa caminhada, vemos a importância de a mãe não ter tentado esconder o filho ‘diferente’, ainda que os preconceitos alheios causem dor ou estranheza, afinal quem é mãe sabe que o fim de uma etapa significa apena o começo de outra.
⠀⠀⠀
Assim de etapa em etapa Dalva nos apresenta sua vida enquanto mãe de 4 filhos sendo um dentro do espectro do autismo, o eterno dilema entre a vida doméstica e a carreia, as conquistas e renúncias que são feitas e a culpa que acompanha ambas na vida, em especial da mulher;
⠀⠀⠀
As afirmações dela sobre o elo materno para mim além de verdadeiras são tocantes, no fato de Dalva em sua experiência ter tido a nítida constatação que o olhar de mãe é sábio e insubstituível. Outro ponto é que o papel da unidade familiar foi de suma importância para cada conquista e vitória alcançada com Ricardo. E também imprescindível para a própria saudade física e mental da mãe, resguardada por essa mesma união.
⠀⠀⠀
Fala do quanto a falta da mesma empatia e conhecimento são danosos, nas situações em que os pais veem a si e seus filhos não “normais” sendo discriminados e o quanto isso é um peso ainda maior a quem já encara diariamente uma batalha pelo desenvolvimento de seu filho no dia-a-dia. Que o preconceito abre uma ferida que cicatriza, mas não sara em quem sabe que o comportamento pode ser melhorado, mas não será 100%. Que a resiliência dos pais é re-testada nesse momento e que apenas o amor incondicional pelo filho é o combustível para passar por cima dessas situações e continuar.
Mais do que conhecer a trajetória de Ricardo, o que encontrei neste livro foi uma reflexão sobre o olhar que oferecemos ao outro e sobre a importância de não esconder aquilo que não se encaixa nos padrões que tantas vezes nos são impostos. É uma leitura que fala de família, de cuidado e, principalmente, de amor, mas também nos convida a pensar sobre empatia, preconceito e sobre como podemos aprender a enxergar cada pessoa para além das diferenças.
Ficha Técnica do Livro
- Autora: Dalva Tabachi
- Editora: Rocco
- Páginas: 96 fls.
- Ano: 2006
+ Ler Sinopse
Quando Ricardo era um bebê seus pais se encantavam com a criança tranquila que passava horas sentado na mesma posição, brincando com um objeto sem interessar-se por outros. Só quando o menino vai para o jardim-de-infância é que os pais são alertados pela professora de que o filho apresenta sinais de autismo. A luta desta família para integrar Ricardo a uma sociedade que geralmente exclui os "diferentes" é mostrada em Mãe, me ensina a conversar, escrito por Dalva Tabachi, a mãe do jovem autista e de outros três rapazes. Uma disfunção neurológica de causas ainda não conhecidas, o autismo só passou a ser registrado a partir de 1911.
Atualmente, sabe-se que é uma inadequação no desenvolvimento que se manifesta durante a vida inteira e que acomete 20 entre cada 10 mil nascidos, sendo 4 vezes mais comum entre meninos do que em meninas. Não há padrão para sua manifestação, no entanto, hoje, acredita-se que o autismo esteja ligado a causas genéticas, como problemas na gestação, associadas a causas ambientais, entre elas a contaminação por mercúrio. A principal característica do autismo é o aparente alheamento da criança em relação ao mundo exterior.
Mais do que um emocionante relato sobre a experiência da família para adaptar Ricardo ao mundo e enumerar os progressos que o rapaz alcançou, Dalva Tabachi alerta para a necessidade de não esconder as chamadas "pessoas especiais" e enfrentar "olhando de frente" a discriminação, a incompreensão e o preconceito.
Para a autora, quem tenta proteger o filho especial e o retira do convívio social pode estar querendo ocultar que produziu alguém que foge aos padrões idealizados pela sociedade. Médicos, psicólogos, professores de música e outros profissionais da equipe que acompanhou Ricardo desde criança também contam, no livro, a evolução do tratamento do rapaz, que, hoje, aos 25 anos, trabalha na empresa da mãe, aprendeu a ler e a escrever, faz parte da equipe Máster de natação do Flamengo e demonstra interesse em noticiário.




.png)
.png)


Nenhum comentário:
Postar um comentário