Há histórias que parecem pedir uma biblioteca silenciosa, uma xícara de café e algumas horas sem pressa. O nome da rosa, de Umberto Eco, nos leva para um mosteiro italiano no inverno de 1327, onde livros, manuscritos, corredores e segredos passam a fazer parte de uma investigação.
Entre páginas antigas e mortes misteriosas, a nossa próxima Leitura Compartilhada vai nos apresentar a um dos romances mais conhecidos de Eco, escritor, filósofo, medievalista e semiólogo que transformou sua paixão pelo conhecimento em uma narrativa que mistura investigação, história, religião, filosofia e literatura.
De 10 de julho a 26 de agosto de 2023, vamos acompanhar frei Guilherme de Baskerville e seu jovem aprendiz Adso de Melk enquanto tentamos desvendar os mistérios que cercam uma abadia medieval, prepare o marcador de páginas, escolha seu cantinho preferido e venha conversar conosco. A biblioteca está aberta.
🖋️ Umberto Eco entre livros, signos e o mundo medieval
Antes de se tornar conhecido mundialmente como romancista, Umberto Eco já havia construído uma importante trajetória como filósofo, semiólogo, crítico literário e estudioso da Idade Média. Nascido em Alexandria, na Itália, em 1932, Eco dedicou grande parte de sua vida à investigação dos signos, da comunicação, da literatura e das formas pelas quais interpretamos o mundo.
Essa formação ajuda a compreender a particularidade de sua estreia na ficção. Publicado originalmente em 1980, O nome da rosa foi seu primeiro romance, escrito quando Eco já era um intelectual reconhecido. A narrativa reúne justamente alguns de seus grandes interesses: os livros antigos, a Idade Média, a história das ideias, o humor e a investigação policial.
A partir de então, Eco seguiria também pela ficção com romances como O pêndulo de Foucault, A ilha do dia anterior, Baudolino, A misteriosa chama da rainha Loana, O cemitério de Praga e Número zero. Ao mesmo tempo, continuaria produzindo uma extensa obra ensaística, dedicada à semiótica, à literatura, à estética e à cultura.
📖 Uma abadia cercada de perguntas
A história começa na última semana de novembro de 1327. Em uma abadia italiana, frei Guilherme de Baskerville chega acompanhado de seu jovem aprendiz, Adso de Melk, para participar de uma reunião religiosa. O que deveria ser uma estadia ligada a questões teológicas logo ganha outra dimensão quando mortes misteriosas começam a acontecer.
Eco constrói o romance sobre uma combinação curiosa: de um lado, temos a estrutura de uma investigação policial; de outro, uma narrativa profundamente interessada pelo conhecimento, pela religião, pela interpretação e pela vida intelectual da Idade Média. A própria Record descreve o romance como uma investigação de crimes e, ao mesmo tempo, como uma crônica da sociedade medieval.
O cenário também é parte essencial dessa experiência. A abadia não funciona apenas como pano de fundo, mas como um espaço que guarda livros, pessoas, disputas e segredos. E, no centro de tudo, está a biblioteca, com seus caminhos difíceis de decifrar e sua atmosfera quase tão misteriosa quanto os acontecimentos que cercam os monges.
A edição da Record utilizada como referência nesta Leitura Compartilhada traz uma revisão do texto realizada por Ivone Benedetti, incorporando modificações feitas pelo próprio Eco em 2012. O volume também apresenta um glossário com a tradução dos termos em latim utilizados no romance, um recurso particularmente útil para acompanhar uma narrativa em que os textos e as línguas têm papel importante.
🕰️ Um romance que atravessou o tempo
Quando O nome da rosa chegou às livrarias italianas, em 1980, ninguém poderia prever completamente a dimensão que aquele primeiro romance teria. Publicado pela Bompiani, o livro rapidamente deixou de ser apenas a estreia literária de um respeitado intelectual para se transformar em um fenômeno editorial internacional.
O romance recebeu o Prêmio Strega em 1981 e conquistou leitores em diferentes países. A combinação entre mistério, história e reflexão intelectual ajudou a fazer da obra um daqueles casos em que um livro de grande densidade consegue também alcançar um público muito amplo. A Record o apresenta como um fenômeno editorial que ultrapassou fronteiras linguísticas.
A história também ganhou outras formas de existência. Em 1986, foi adaptada para o cinema por Jean-Jacques Annaud, com Sean Connery no papel de Guilherme de Baskerville. Décadas depois, uma minissérie televisiva retomaria a história, mantendo viva a presença do romance no imaginário de novos leitores e espectadores.
Mais de quatro décadas depois da publicação original, o livro continua provocando discussões justamente pela quantidade de caminhos que oferece. É possível entrar nele pelo mistério, pela história medieval, pela biblioteca, pela religião, pelos debates sobre conhecimento e interpretação ou simplesmente pela curiosidade de descobrir o que está acontecendo naquela abadia.
🗓️ Nosso cronograma de leitura
Teremos um cronograma para acompanhar a leitura e um espaço para conversar sobre o que encontrarmos pelo caminho, nossa Leitura Compartilhada nº 58 acontece de 10 de julho a 26 de agosto de 2023.
O grupo de interação ficará no Telegram: Lendo com Elis no Telegram
A proposta é simples: ler, conversar e descobrir juntos. Cada participante pode acompanhar o livro no seu próprio ritmo, respeitando seu tempo de leitura e construindo sua própria relação com a história. Não precisamos chegar às mesmas conclusões. Podemos nos encantar por personagens diferentes, prestar atenção a detalhes distintos e descobrir perguntas que talvez nem tivéssemos feito sozinhos.
A graça está justamente na conversa que acontece entre uma leitura e outra.
Ficha Técnica do Livro
- Título original: Il nome della rosa
- Autor: Umberto Eco
- Tradução: Homero Freitas de Andrade e Aurora Fornoni Bernardini
- Editora: Record
- Páginas: 588
- Ano: 2022
- Edição: Texto integral, edição revisada, com novo projeto gráfico
- Notas: glossário com a tradução dos termos em latim utilizados na obra
+ Ler Sinopse
Uma biblioteca labiríntica, manuscritos antigos, corredores silenciosos e uma investigação que começa quando todos parecem ter alguma coisa a esconder. E pode ser que O nome da rosa peça exatamente isso de nós: tempo, atenção e disposição para seguir pistas que podem estar escondidas onde menos esperamos.
Então escolha seu cantinho de leitura, prepare o café ou o chá e deixe algumas horas livres para essa viagem à Itália medieval, nos encontramos entre as páginas, na biblioteca e, depois, nas conversas do grupo. 📖



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