Olá, pessoas, o que esperar de um jantar que, a começar pelo título, sabemos que não termina bem para alguém ou, sendo mais preciso, termina mal e de maneira definitiva? Confesso que esse tipo de livro me faz pensar nos escritos pela rainha do crime e no misto entre curiosidade e saudades, do estilo, embarco nessa leitura já encantada com a citação inicial a Anna Karenina.
"Mas seu pai está apenas começando. Feliz Páscoa para todos. Essa será memorável."
É minha primeira experiência com a escrita de Shari Lapena, e por isso me surpreendi com o tom quase teatral com que os personagens são apresentados no primeiro capítulo. E, de forma gradual, eles ganham vida, à medida que a trama caminha para o fatídico jantar já no segundo capítulo. Isso me chamou a atenção e fiquei muito curiosa com essa dinâmica diferente. Apesar da dinâmica completamente diferente, não teve como eu não me lembrar do caso Von Richthofen, o que me atrapalhou diversas vezes em traçar quem teria cometido o crime e qual sua motivação.
Eu sei que dinheiro é a primeira resposta, porém pela sinopse eu já esperava muito mais, porque tantos golpes e tanto ódio contra o pai demonstrava, desde antes, que havia além dessa outra motivação, ou seria mais de duas? Com tantas conjecturas, comecei a leitura e posso dizer que o jantar em família queria manter uma aparência de que são perfeitos, porém a verdade não poderia estar mais longe do que essa imagem. E, quanto mais o crime é investigado, mais a verdade se mostra por trás das ilusões de perfeição e o drama familiar se apresenta da forma mais crua.
"... não precisariam passar anos fazendo visitas, por obrigação, a asilos. Tinham se livrado de tudo aquilo. Agora, eles enfim poderiam começar a viver. Se não fosse inapropriado, eles deveriam mesmo é estar comemorando. Sua vontade era de abrir um champanhe da geladeira."
A autora aborda temas importantes nesse livro, como: ambição, ganância, narcisismo, psicopatia, além disso, de que forma os cônjuges de famílias desestruturadas podem sofrer ao entrarem nesses sistemas familiares. O que mantém ainda mais a leitura em alta é o fato de os capítulos serem curtos e terminarem de um modo que é impossível não ter curiosidade sobre o próximo, alinhado com a escrita fluida e, lógico, a falta de suspeita para com os filhos ricos, em certos momentos, chega a ser enervante, afinal quem é de baixa renda é tratado de outra forma. Enquanto uns são inocentes até que se prove o contrário, outros são culpados mesmo que não sejam.
Definitivamente o final será o ponto de discórdia desse livro, pois termina em aberto e de uma maneira um tanto quanto novelesca, sim teremos quem cometeu o crime contando vantagem e todo seu plano, e também muitas pontas soltas que deixam aquela pergunta de “será que foi mesmo essa pessoa?” Afinal, durante todo o livro, será que fez tudo sem ajuda? Quem está acostumado com o gênero vai levar tranquilamente, porém pessoas que gostam de finais mais fechados ou com mais informações podem não curtir a proposta. Eu penso que a melhor pedida nesse caso é você ler e saber de qual lado você está.
Leia, divirta-se e, talvez como eu, adore imaginar todos eles mortos, risos, e muito feliz pela família da qual faz parte ser bem diferente dessa.
Ficha Técnica do Livro
- Título original: Not a Happy Family
- Autora: Shari Lapena
- Tradução: Anna Carla Castro
- Editora: Record
- Páginas: 336 fls.
- Ano: 2024



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