Neste livro, vamos mergulhar na história de uma família com dois irmãos adolescentes que enfrentam a dura realidade do isolamento social durante a pandemia, contada por dois narradores, um em terceira pessoa e outro em primeira pessoa, na voz de Carlos ou Carlinhos.
A dinâmica familiar já tinha sido modificada antes da pandemia, mas agora, com as medidas de prevenção à contaminação, é novamente modificada, afetando diretamente a dinâmica e as emoções dos residentes. Devo dizer que me envolvi desde a dedicatória, pois já ali evidenciavam que eles possuíam muito mais história do que suas identidades retratadas no livro.
"De que importa um rosto se eu trago ideias interrogação De que adianta me julgar se talvez você me veja e não me escute interrogação De que adianta ficar me abrindo para vocês se eu nem sei se vocês merecem."
No início da história, conheceremos Carlinhos, um homem que vive isolado em seu quarto, gravando vídeos e áudios sobre si próprio ou compartilhando nas redes sociais. E rapidamente descobre que o personagem "tem seguidores" na internet. Sinceramente, ao longo da leitura, comecei a acreditar que o "Carrinho", como é conhecido pelos amigos, possui habilidades de marketing digital. Eu, que não sou tão jovem, já começo a pensar, adoraria ter aulas com ele. Risadas.
"E, assim, nossa princesinha foi em busca da sua realização. Não queria saber de ser a metade da laranja de ninguém. Queria mesmo era ser uma laranja inteira"
A sua irmã Vitória se esforça ao máximo para gerir o que possui, e acaba encontrando no papel um meio de expressão e reflexão neste momento em que a compreensão do seu lugar no mundo se mistura com a incerteza do próprio mundo acerca do futuro. Para mim, o contraste entre o digital e o analógico ficou em segundo plano, pois o que impulsiona Vitória ao papel é algo mais inerente ao ser humano, a necessidade de expressão através dos meios disponíveis, algo que já era evidente nos humanos das cavernas.
Percebi que a leitura se torna cada vez mais reflexiva e prazerosa à medida que estou com o livro físico em mãos - papel, ouvindo as playlists digitais, acompanhando os capítulos através de um código QR. Achei essa ideia incrível.
As imagens são impressionantes e demonstram mais do que um vínculo com a história. Inclui identidade cultural, social e literária de forma muito, muito descontraída e alegre. Nas referências literárias, encontramos sugestões para elaborar uma "TBR" (To be Read, ou Lista a ser Lida) e começar a lê-la, caso ainda não tenha feito isso. Em outras situações, recomenda-se uma pesquisa urgente, pois "Eu tenho um sonho" é um dos vários elementos que tornam essa narrativa aparentemente simples tão singular por sua riqueza de detalhes.
"A liberdade é uma vitória por isso temos o compromisso de lutar sempre pela Liberdade de todos. Agora... Ter a cabeça livre já é outra coisa."
Apesar de ser uma história curta e com ilustrações, não diria que é uma leitura rápida, mas sim que deve ser apreciada no seu tempo. Seja pausando para escutar as músicas enquanto reflete sobre o que leu, ou simplesmente escutando enquanto lê, ou até mesmo como eu, que li durante as pausas diárias e senti nesse ritmo um grande prazer na leitura.
Boa leitura e divirta-se!!
Ficha Técnica do Livro
- Autor: Lázaro Ramos
- Ilustração: Oga Mendonça
- Editora: Objetiva
- Páginas: 135 fls.
- Ano: 2022



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