Resenha :: Uma canção de Natal (A Christmas Carol)


Eu senti falta dos dias natalinos. Senti falta dos bons sentimentos e da convergência de pensamentos que unem as pessoas nessa época. Da presença dos amigos, do calor que aquece o coração com as trocas de votos de paz na Terra e boa vontade entre as pessoas.


“Feliz Natal! Que direito você tem de estar feliz? Que razão tem para ficar feliz? Você nem ganha muito dinheiro.” “Mas, então”, retrucou o sobrinho, jovial, “que direito o senhor tem de ficar triste? Que razão tem para ser amargurado? O senhor ganha muito dinheiro.”


Muito provavelmente por isso eu tenha escolhido essa leitura. E já nas notas da edição, escritas por Sandra Sirangelo Maggio, tive tanta empatia pelos sentimentos que, segundo a introdução, levaram o escritor Dickens a escrever essa linda e emocionante história.

“Viverei no passado, no presente e no futuro. Os espíritos dos três estarão sempre comigo. Não me fecharei às lições que me ensinam."


Creio que, de forma geral e ampla, todos já fomos apresentados a alguma referência ou obra inspirada nessa história, em que um fantasma e três espíritos natalinos fazem uma visita a Ebenezer Scrooge. Um velho triste e avarento que, na esperança de ser independente de tudo, tornou-se vazio. E talvez tenha sido justamente essa parte que mais me tocou durante a leitura: perceber que Scrooge não se tornou alguém amargo de uma hora para outra. Ele foi fazendo escolhas, abrindo mão das pessoas, dos afetos e da capacidade de se deixar tocar pela vida, até transformar a própria solidão em uma espécie de proteção.

Por isso, acompanhar sua transformação é tão bonito. Não porque ele simplesmente passa de avarento a generoso, mas porque precisa olhar para a própria história e reconhecer aquilo que perdeu pelo caminho. Ao ser levado a reencontrar o passado, enxergar o presente e encarar a possibilidade de um futuro que já não pode controlar, Scrooge finalmente percebe que a independência que tanto buscou também o havia afastado de tudo aquilo que poderia lhe trazer felicidade. E existe algo muito humano nessa descoberta, porque nos faz pensar sobre quantas vezes podemos estar tão preocupados em nos proteger, acumular ou não depender de ninguém que acabamos deixando de viver aquilo que realmente importa.


"O sofrimento comum a todos, sem dúvida, decorria do fato de tentarem, com boas intenções, interferir nos assuntos humanos, mas estarem para sempre impossibilitados de fazê-lo."


Sei que uma das minhas primeiras lembranças é de uma versão em animação feita pela Disney, e depois dela várias outras vieram. Mas o encontro com o original tem algo de mágico, de realmente especial, mesmo conhecendo o mote da história e também seu final. Terminei ainda mais encantada e surpreendida com o alcance de algo nascido do desejo do autor, que transformou os natais de tantas pessoas e que, de certa forma, 'inventou' a celebração do Natal como a conhecemos hoje. E essa história é uma das provas 'vivas' do poder de uma história bem escrita.

Sobre a edição: O livro que li foi a nova tradução da Penguin-Companhia, com as ilustrações originais de John Leech, o que deixa a obra perfeita. Livro brochura, sem orelhas, com folhas amareladas, texto de apoio e diagramação, fonte, ortografia e tradução impecáveis.

Boa leitura, divirta-se e Feliz Natal!!


Capa do Livro

Ficha Técnica do Livro

  • Título original: A Christmas Carol. 
  • In Prose. Being a Ghost Story of Christmas
  • Autor: Charles Dickens
  • Ilustração: Anthony Mazza
  • Tradução: Rodrigo Lacerda
  • Editora: Penguin-Companhia
  • Páginas: 136 fls.
  • Ano: 2019
+ Ler Sinopse
O livro que “inventou” a celebração do Natal como a conhecemos hoje ganha nova tradução pela Penguin-Companhia, com as ilustrações originais de John Leech.

Incapaz de compartilhar momentos de amizade e de compreender a magia do Natal, Ebenezer Scrooge só encontra refúgio na riqueza e na solidão. Até que, num 24 de dezembro, recebe a visita do fantasma de Jacob Marley, seu ex-sócio falecido há sete anos.

É ele quem avisa a Scrooge que mais três espíritos o visitarão para lhe dar a chance de mudar seu triste fim e ser poupado de vagar a esmo depois de morto, como Marley. Assim, o Fantasma dos Natais Passados, o Fantasma do Natal Presente e o Fantasma dos Natais Futuros levarão o protagonista para uma viagem no tempo, mostrando-lhe que a generosidade é sempre a melhor escolha.
Um dos livros mais carismáticos da literatura inglesa, Uma canção de Natal recebe o crédito por ter concebido a celebração desse evento como a entendemos hoje: uma ocasião para agradecer e ajudar o próximo.

Nenhum comentário:

Postar um comentário