Olá leitores, hoje é sobre um livro curtinho, mas cheio de bom humor e reflexões! Ele é narrado por um garoto muito inteligente, que observa as manias de sua família porque não quer se tornar um adulto cheio delas. E você, já parou para pensar em todas as manias que adquirimos ao decorrer da vida?
"O autor (eu) deseja registrar aqui que tem sentimentos conflitantes diante dessa constatação. Ele (eu) enxerga certa poesia na repetição dos padrões familiares, mas também um medo apavorante de se tornar um adulto cheio de manias."
Keldon Khomuassim decide então catalogar os hábitos e manias de cada integrante da família. Para isso, organiza suas observações por atividades como escovar os dentes, vestuário, sono e, por fim, a família sendo família. E claro que as observações sobre si mesmo também entram no relatório, afinal, ele quer descobrir se determinados comportamentos são realmente seus ou se herdou de alguém.
E, claro, todo bom grupo de observação precisa de um segundo e até um terceiro grupo para comparação. Muito científico o nosso menino Keldon! Assim, ele passa a observar também a família amiga de sua mãe e seus vizinhos de porta, ampliando sua investigação até conseguir compreender melhor aquilo que descobriu sobre si e sobre sua própria família. E eu amo quando ele entra naquele melhor modo de “família é tudo igual, mas a minha é mais legal”.
"Se você pedir a opinião de alguém, tenha a gentileza de levá-la em consideração. Não ignore a opinião dos outros, pois nós ficamos magoados"
A família Khomuassim acaba se tornando um pequeno universo de comportamentos curiosos, daqueles que podem parecer muito particulares quando vistos de fora, mas que, no fundo, dizem muito sobre a maneira como cada família funciona. A Índigo coloca seu humor peculiar e inteligente a serviço dessas pequenas maluquices do cotidiano, e é justamente aí que o livro ganha boa parte do seu encanto.
Já dizia o filósofo: “Conhece-te a ti mesmo”. E este livro nos convida justamente a isso e a um pouco mais, a olhar que somos não apenas indivíduos, mas também herdeiros de um legado que vai além do genético. Todos que nos precederam formaram, de alguma maneira, aquilo que somos, mesmo que seja nos mostrando quem não queremos ser.
"Gritos podem ser libertadores. Gritos podem ser infernais. Se você vem de uma família que grita, dificilmente saberá que a sua família é gritante. Você se acostuma e acha que é normal. Se você vem de uma família que não grita, os primeiros dias podem ser bem assustadores."
O olhar de uma criança é sempre surpreendente, traz o filtro da curiosidade e da descoberta, além daquela inocência bem-vinda de uma crítica pela estranheza, e não pelo julgamento. Isso deixa todo o processo leve e divertido.
Essa leitura foi muito divertida! Eu ri em vários momentos e também me senti representada, já que sou uma pessoa cheia de manias, assim como os personagens do livro. Mas não somos todos nós? Além disso, ainda refleti, pois percebi que esses comportamentos que, às vezes, parecem malucos, na verdade são comuns para a maioria das pessoas. Como dizem, nenhuma experiência é individual.
A escrita da Índigo casa de uma forma tão perfeita com as ilustrações e a diagramação que a leitura se transforma como se estivéssemos, de fato, diante dos escritos do nosso pequeno investigador. Essa combinação deixa o livro e a história ainda mais próximos de quem lê, além disso, como sempre, foi muito fluida. Amei ler essa história tão fofa e inteligente!
Detalhes da Obra
- Autora: Índigo Ayer
- Ilustração: Venes Caitano
- Editora: Ciranda Cultural
- Páginas: 80 fls.
- Ano: 2021
+ Ler Sinopse
"Uma leitura leve e criativa para quem gosta de histórias que transformam situações simples do cotidiano em humor, identificação e pequenas reflexões sobre família e sobre quem somos."
Minhas resenhas refletem sempre minha opinião sincera e pessoal.



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