Olá, leitores! Minha leitura dessa semana é um livro que ganhei no meu aniversário, da querida Jaque Felix. E, como todo ano, leio ao menos um livro do autor, aqui estou eu para falar de Misery, que considero um clássico moderno.
Antes de falar sobre a história, preciso dizer: King é um gênio. Qualquer leitor que nunca escreveu nada além de resenha e redação na escola precisa entender isso, mesmo que não goste da história que leu ou do gênero. As citações e referências que ele faz a autores que eu amo me deixam sem fôlego! Em Misery, ele cita diretamente Tess e Judas, o Obscuro, de Thomas Hardy, além de outras obras e autores.
"A dor era como um pontão velho, por vezes estava encoberto, e outras, visível, mas sempre presente."
E, claro, King não cria vilões politicamente corretos ou heróis que não vacilam na linha da ética e da moralidade. Ele entrega plenamente algumas das piores categorias de vilões: os assustadoramente reais. Afinal, já lemos sobre “Anne Wilkes” da vida real em jornais e documentários. E esses monstros são os que realmente me dão medo.
"Depressivos se matam. Psicóticos, acalentados no berço venenoso de seus egos, querem fazer um favor aos outros, levando-os junto."
Essa história já foi publicada no Brasil com o título de Angústia, que resume muito bem o sentimento durante a leitura. Este não é um livro de ação. A movimentação acontece muito mais na trama paralela que se desenrola durante a história, afinal temos um livro dentro do livro, do que na trama principal. Porque o que esperar de um cárcere em que o cativo é obrigado a escrever um livro para sua fã número 1?
"O motivo de os autores quase sempre colocarem dedicatórias em livros, Annie, é que o egoísmo deles no final horroriza até eles próprios."
Misery entrega uma reflexão muito interessante sobre o processo de escrita, sobre de onde surgem as ideias e sobre como, depois de publicado, um livro deixa de pertencer apenas ao autor e passa também a pertencer a quem o lê. Mostra que não é fácil nem rápido transformar uma trama em palavras e coloca em discussão a diferença entre escritores e contadores de histórias.
"Aqui ontem nós tomamos jeito, e planejamos tomar jeito amanhã, mas hoje nunca tomamos jeito."
Anne Wilkes absorve todas as loucuras de quem é fã e as eleva a uma potência que não conseguimos mensurar. E é justamente aí que a história fica tão assustadora. O próprio autor precisa descobrir quando um personagem deixa de ser apenas fictício e passa a ser real depois de lido. E, em Misery, até matar um personagem pode colocar a própria vida de quem escreve em risco.
É uma leitura para entender por que Stephen King é King.
Boa leitura e divirta-se!
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Detalhes da Obra
- Título Original: Misery
- Autor: Stephen King
- Tradução: Elton Mesquita
- Editora: Suma
- Páginas: 326 fls.
- Ano: 2014
+ Ler Sinopse
"Uma leitura para quem gosta de terror psicológico, mas também para quem se interessa pelo processo de escrita, pela relação entre autor, personagem e leitor e pelo momento em que uma história deixa de pertencer apenas a quem a escreveu. E, claro, para quem quer entender por que Stephen King é Stephen King."



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