Resenha :: Minha Vida Mora ao Lado (My Life Next Door)

Olá leitores! "Tem livros que lemos por causa da capa. Tem livros que lemos por causa da sinopse. Tem livros que lemos porque alguém indicou ou até porque alguém praticamente nos obrigou a ler". Eu li Minha Vida Mora ao Lado e começo essa resenha usando as palavras da Danii porque foi graças a resenha dela que coloquei esse livro na minha lista de leituras, e agora que li vou dizer como foi.

"Nunca sabemos com certeza se, quando as coisas desmoronarem, vamos pensar na nossa segurança primeiro ou se isso vai ser a última coisa que vai passar pela nossa cabeça."


Eu gostei muito da escrita de Fitzpatrick. É uma leitura que flui muito bem e nos envolve de verdade, o que explica ter terminado o livro em um dia, assim como a Dani. Mesmo com uma família enorme e muitos personagens, a autora consegue fazer com que cada um tenha sua própria personalidade, tanto entre os protagonistas quanto entre os personagens secundários. E talvez seja justamente essa família tão grande, cheia de personalidades diferentes, que faça o livro funcionar tão bem.

Gostei muito da Sam. Ao mesmo tempo, preciso admitir que tive uma relação um pouco contraditória com a Samantha durante a leitura. Em alguns momentos, ela me pareceu distante e até um pouco sem sal, como se sua personalidade não tivesse sido aprofundada tanto quanto eu gostaria. Talvez seja justamente porque gostei das escolhas que ela precisa fazer e da maneira como amadurece que senti falta de conhecer melhor quem ela é para além dessas situações. No fim, gostei da personagem e da trajetória dela, mas não senti que a construção da sua personalidade tenha sido tão forte quanto a de outros personagens do livro.


"Dá para saber em quem você pode confiar. As pessoas conseguem sentir isso, que nem os animais. Nem sempre confiamos nos instintos tanto quanto eles, mas isso ainda está na gente. Aquela sensação estranha de que alguma coisa está errada. A calma que vem quando tudo está certo."


E o Jase é apaixonante. Mas, para mim, quem realmente rouba a cena são os Garrett. Entre eles, preciso destacar George, um dos mais novos. Ele é tão fofo, inteligente e assustado que parece uma pequena enciclopédia sobre riscos. É impossível não gostar dele. Também gostei muito do Tim, irmão da melhor amiga da Sam. No começo, ele é um baita garoto-problema, mas sua trajetória ao longo da história é muito interessante. Ele amadurece e acaba se tornando um personagem querido e importante para o desenvolvimento da trama. Aliás, depois de descobrir que o próximo livro, The Boy Most Likely, acompanha justamente o Tim, fiquei ainda mais curiosa para ver o que acontece com ele.

Também gostei de descobrir, depois da leitura, que a autora tem seis filhos. Depois de passar tanto tempo com os Garrett, uma família enorme, barulhenta e cheia de crianças, achei uma informação bastante divertida e, de certa forma, explica de onde pode ter vindo essa intimidade da autora com a dinâmica de uma família desse tamanho.


 "Quando a gente era pequeno, a Alice costumava perguntar à minha mãe se éramos ricos. Ela sempre dizia que éramos ricos de todas as coisas que importavam. Preciso me lembrar de que ela está certa."


Uma coisa que me deixou feliz durante a leitura foi perceber que o segredo e a escolha que movimentam boa parte da história eram apenas uma parte dela, e não a história inteira. O livro cria aquele senso de proibido principalmente até a metade, o que deixa tudo muito empolgante e emocionante, mas depois abre espaço para que os personagens se desenvolvam. E isso foi importante para mim, porque fez com que Sam e Jase não parecessem existir apenas em função do romance. Os dois foram construídos de uma maneira muito bonita e, em vários momentos, bastante real.

Só que a vida não é um mar de rosas e, no meio do caminho, acontece algo inesperado que faz a Sam perder o chão. E então chega a hora de fazer algumas escolhas importantes. Claro que, em algum momento, você vai querer dar umas sacudidas na Sam, haha, mas também acaba lembrando que, por mais madura que ela seja, ela só é uma adolescente e não deveria estar naquela situação. Não deveria ter que escolher.

Por exemplo, o ocorrido com Nan, a melhor amiga da Samantha, me deixou pensando: "Mas que que é isso, meu povo?" A criatura é INSUPORTÁVEL em alguns momentos. Fiquei realmente incomodada com a maneira como determinadas coisas são colocadas na história, especialmente quando uma amizade tão antiga parece desandar de uma hora para outra e determinadas acusações aparecem mais para o fim sem que eu sentisse que havia contexto suficiente para sustentá-las. Talvez isso também tenha relação com aquela sensação de que não conheci a Samantha tão profundamente quanto gostaria. Fiquei pensando que, sem conhecer melhor a personagem, nem eu mesma conseguiria defendê-la com tanta propriedade. Talvez, se eu fosse ela, nem seria amiga da Nan.


“É bom ficar de olho nessas pessoas que acham que sabem o jeito certo de se viver. Elas podem atropelar você se estiver no caminho.”


A trama principal chega ao seu desfecho, mas fiquei com a sensação de que havia espaço para aprofundar determinadas situações e personagens que poderiam ter sido resolvidas ainda durante aquele verão, dentro da própria proposta do livro. Esse foi, para mim, o principal ponto negativo: algumas coisas ficam em aberto e senti falta de saber um pouco mais sobre o futuro de Jase e Sam. Como The Boy Most Likely é sobre Tim, talvez algumas dessas respostas apareçam por lá e seja possível reencontrar esses personagens em outro momento. De qualquer maneira, teria gostado de receber um pouco mais dessas informações ainda neste livro.

Ainda assim, gostei muito da forma como a história trabalha o amadurecimento da Sam. Minha Vida Mora ao Lado fala sobre descoberta, amor, família e escolhas, mas consegue fazer isso sem transformar tudo em uma história exclusivamente romântica. O relacionamento entre Sam e Jase é bonito, construído com calma e na medida certa, mas não é o único centro da narrativa.


"Você está andando por um caminho, impressionado com a perfeição dele, com o fato de você se sentir incrível e, algumas esquinas depois, se perde num lugar pior do que qualquer coisa que poderia ter imaginado."


O que mais gostei foi justamente a importância dada às famílias. O livro mostra tanto os problemas que podem surgir da convivência familiar quanto aquilo que uma família pode oferecer quando existe acolhimento, apoio e amor. E também mostra como crescer significa, em determinado momento, começar a fazer escolhas próprias e assumir as consequências delas.

É uma história gostosa, envolvente e cheia de personagens de quem é fácil gostar. A escrita da autora me conquistou, os Garrett certamente ganharam meu coração e Jase é daqueles personagens que ajudam a tornar a leitura ainda mais prazerosa. Mas algumas pontas soltas, determinadas relações pouco desenvolvidas e a sensação de que eu poderia ter conhecido melhor a própria Samantha fizeram com que, para mim, o livro ficasse um pouco abaixo daquela leitura que teria sido inesquecível alguns anos atrás.

Boa leitura e divirta-se!!!

Capa do Livro

Detalhes da Obra

  • Título Original: My Life Next Door
  • Autora: Huntley Fitzpatrick
  • Série: Stony Bay #1
  • Tradução: Carolina Selvatici
  • Editora: Valentina
  • Páginas: 320 fls.
  • Ano: 2024
+ Ler Sinopse
"Minha mãe nunca ficou sabendo de uma coisa, algo que ela reprovaria radicalmente: eu observava os Garrett. O tempo todo."

Os Garrett são tudo que os Reed não são. Barulhentos, caóticos e afetuosos. São de verdade. E, todos os dias, de seu cantinho no telhado, Samantha sonha ser uma deles, ser da família. Até que, numa noite de verão, Jase Garrett vai até lá e...

Quanto mais os adolescentes se aproximam, mais real esse amor genuíno vai se tornando. Contudo, precisam aprender a lidar com as estranhezas e maravilhas do primeiro amor. A família de Jase acolhe Samantha, apesar dela ter que esconder o namorado da própria mãe.

Até que algo terrível acontece, o mundo de Samantha desmorona e ela é repentinamente forçada a tomar uma decisão quase impossível, porém definitiva. A qual família recorrer? Ou, quem sabe, Sam já é madura o bastante para assumir suas próprias escolhas? Será que está pronta para abraçar a vida e encarar desafios?

Quem você estaria disposto a sacrificar pela coisa certa a se fazer? O que você estaria disposto a sacrificar pela verdade?

É um livro encantador sobre a família, o amadurecimento, a lealdade, o primeiro amor e, principalmente, sobre como ser sincero com alguém que amamos demais sem trair grandes verdades. Cada escolha uma renúncia. Cada escolha uma consequência: bem-vindos à vida!

Melhor Romance Juvenil pela YALSA (Young Adult Library Services Association)

Finalista do Prêmio RITA (Romance de Estreia)
Minha experiência
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"Uma boa escolha para quem gosta de romances Jovem Adulto (YA) em que o primeiro amor divide espaço com família, amizade, amadurecimento e escolhas."

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