Há lugares que existem no mapa e há lugares que passam a existir dentro da literatura. Macondo pertence à segunda categoria. É para lá que vamos na nossa próxima Leitura Compartilhada: de 29 de outubro a 10 de dezembro de 2026, abriremos juntos as páginas de Cem anos de solidão, de Gabriel García Márquez, nossa 79ª leitura.
Entre uma família, uma cidade, algumas lembranças e acontecimentos que parecem pertencer ao sonho e à realidade ao mesmo tempo, vamos acompanhar uma história que atravessa gerações. Uma leitura para fazer sem pressa, deixando que os nomes, os acontecimentos e as memórias encontrem seu lugar.
Prepare o café, o chá ou aquele cantinho em que você gosta de ler. Macondo nos espera. Venha ler com a gente.
🖋️ SOBRE O AUTOR
Gabriel García Márquez nasceu em Aracataca, na Colômbia, em 1927, e antes de se tornar um dos escritores mais conhecidos do século XX foi, sobretudo, jornalista. Começou a estudar Direito, mas abandonou a universidade e encontrou no jornalismo o caminho que marcaria boa parte de sua vida. Trabalhou em jornais colombianos, foi correspondente internacional e viveu em diferentes países antes de se estabelecer no México.
A infância em Aracataca teve um papel especialmente importante em sua formação literária. García Márquez cresceu cercado pelas histórias do avô, veterano da Guerra dos Mil Dias, e pela imaginação da avó, que contava acontecimentos fantásticos com a naturalidade de quem fala sobre as coisas mais corriqueiras. Essa maneira de contar o extraordinário como se fosse absolutamente cotidiano se tornaria uma das marcas de sua literatura.
Macondo, aliás, não surgiu pela primeira vez em Cem anos de solidão. A cidade já aparecia em A revoada (La hojarasca), seu primeiro romance, publicado em 1955. Ao longo dos anos, García Márquez foi construindo esse território literário até transformá-lo no centro da grande saga dos Buendía.
A história de Cem anos de solidão começou a tomar sua forma definitiva em meados dos anos 1960. O próprio escritor contou que, em uma viagem de carro para Acapulco, encontrou de repente o tom que procurava para o romance: aquele modo de narrar as coisas fantásticas com a naturalidade com que sua avó contava suas histórias. Voltou para casa e se sentou para escrever.
Publicado em 1967, o romance transformou sua trajetória. Quinze anos depois, em 1982, García Márquez receberia o Prêmio Nobel de Literatura pelo conjunto de sua obra.
📖 A OBRA E SEU CONTEXTO
Em Cem anos de solidão, acompanharemos a família Buendía e a história de Macondo, uma cidade imaginária que nasce, cresce, se transforma e atravessa diferentes momentos da história de seu país e de seu continente.
No centro dessa longa narrativa estão José Arcadio Buendía e Úrsula Iguarán, o casal a partir do qual se desenvolve uma linhagem que atravessará várias gerações. Ao redor deles surgem filhos, netos, bisnetos e outros personagens cujos nomes, paixões, obsessões e destinos parecem muitas vezes se repetir. A própria estrutura familiar faz da memória uma espécie de fio que precisamos acompanhar enquanto a história avança.
Macondo começa como uma pequena comunidade afastada do mundo e, pouco a pouco, entra em contato com novas tecnologias, disputas políticas, guerras, mudanças econômicas e interesses estrangeiros. A história íntima dos Buendía se mistura, assim, à história maior da Colômbia e da América Latina. Alguns acontecimentos presentes no romance dialogam diretamente com fatos históricos, como a Guerra dos Mil Dias e a violência relacionada às greves dos trabalhadores das plantações de banana.
É nesse encontro entre o cotidiano e o extraordinário que a narrativa encontra sua forma particular. Fantasmas, presságios, acontecimentos impossíveis e transformações absurdas podem aparecer na mesma página que uma guerra, uma refeição familiar ou uma conversa doméstica. Nada precisa interromper a realidade para que o maravilhoso aconteça.
Por isso, a obra costuma ser associada ao realismo mágico, embora sua relação com a tradição literária latino-americana seja mais ampla. O romance surgiu justamente no período conhecido como Boom latino-americano, quando escritores da América Latina passaram a alcançar uma projeção internacional extraordinária. A Biblioteca Pública do Paraná o apresenta como um marco desse movimento, enquanto outras fontes destacam sua importância para a consolidação internacional de García Márquez.
Há ainda uma particularidade que pode tornar nossa leitura especialmente interessante: o tempo em Macondo não parece obedecer inteiramente ao nosso modo habitual de entendê-lo. Passado, presente, lembrança, repetição e antecipação podem se aproximar. A narrativa atravessa gerações, mas também retorna continuamente a nomes, acontecimentos e padrões familiares.
Talvez seja por isso que esta seja uma leitura para fazer com alguma atenção aos detalhes, sem transformar a leitura em tarefa. Os nomes podem se repetir, os acontecimentos podem conversar entre si e pequenas coisas podem adquirir importância muitas páginas depois.
A primeira edição de Cien años de soledad foi publicada em Buenos Aires, pela Editorial Sudamericana, em maio de 1967. O romance rapidamente ultrapassou as fronteiras da América Latina e se tornou uma referência mundial.
🕰️ RECEPÇÃO CRÍTICA: ONTEM E HOJE
A recepção de Cem anos de solidão foi extraordinária desde sua publicação. A primeira edição se esgotou em poucos dias, e o sucesso rapidamente ultrapassou o espaço literário colombiano. O livro foi traduzido para diversos idiomas e colocou García Márquez no centro da literatura latino-americana internacional.
Com o passar do tempo, a importância do romance só se ampliou. A obra passou a ser lida não apenas como uma grande saga familiar, mas também como uma narrativa capaz de colocar em diálogo memória, política, violência, colonialismo, identidade latino-americana, história e imaginação. Sua influência ajudou a consolidar uma nova maneira de pensar a literatura produzida no continente.
Em 1982, quando García Márquez recebeu o Nobel, o romance já havia se tornado sua obra mais conhecida. A Academia Sueca destacou justamente a combinação entre fantasia e realidade em suas narrativas, reconhecendo uma literatura profundamente ligada à experiência histórica de um continente.
E talvez seja justamente essa permanência que torne a leitura interessante tantos anos depois. Macondo pode ser uma cidade inventada, mas as perguntas que surgem de sua história continuam muito próximas de nós: o que lembramos? O que esquecemos? O que uma família repete sem perceber? O que acontece quando uma comunidade perde a capacidade de reconhecer o próprio passado?
Durante nossa Leitura Compartilhada, essas perguntas poderão aparecer naturalmente, conforme cada leitor encontre seus próprios caminhos pela história dos Buendía.
🗓️ CRONOGRAMA E DINÂMICA DA LEITURA
Nossa leitura acontecerá de 29 de outubro a 10 de dezembro de 2026.
Teremos um cronograma de leitura para nos ajudar a avançar juntos pela história e um grupo de conversa no Telegram, onde poderemos compartilhar impressões, dúvidas, descobertas e aquelas pequenas surpresas que só aparecem quando várias pessoas estão lendo o mesmo livro ao mesmo tempo.
O cronograma existe para criar um ponto de encontro, não uma obrigação. Cada participante pode acompanhar a leitura no seu próprio ritmo e construir sua própria relação com o livro.
A graça da Leitura Compartilhada está justamente nisso: cada pessoa chega com sua bagagem, enxerga coisas diferentes e, quando voltamos para conversar, a obra parece ganhar novas portas.
Ficha Técnica do Livro
- Título original: Cien años de soledad
- Autor: Gabriel García Márquez
- Tradução: Eric Nepomuceno
- Texto: Integral
- Editora: Record
- Ano: 1977
- Páginas: 448 fls.
+ Ler Sinopse
Agora é hora de preparar a mesa, separar o marcador de páginas e deixar um espaço para os muitos nomes que vamos encontrar pelo caminho.
De 29 de outubro a 10 de dezembro, vamos entrar em Macondo juntos. Cada leitor chegará por uma porta diferente, encontrará suas próprias histórias e talvez saia da cidade carregando perguntas que nem estavam esperando encontrar.
Que nossa leitura seja demorada, compartilhada e cheia dessas pequenas descobertas que fazem a literatura continuar viva depois que fechamos o livro.
Nos encontramos em Macondo. ☕📖



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