Leitura realizada durante a Maratona Literária Capixaba - Manga Verde, me surpreendeu por ter um prefácio dos mais ricos que
encontrei e que de certa forma serve como texto de apoio ao leitor que não
está acostumado com a redação dos textos do livro. Mesmo tendo como base uma
linha do tempo definida, ainda, sim, são histórias diferentes e independente
umas das outras. São verdadeiras crônicas, pelas riquezas das histórias e
das reflexões.
Temos durante a leitura a visão masculina da vida. De início pode causar
estranheza a fantasia, o mundo dos sonhos, do imaginário que se funde ao
mundo real, mas com a continuidade da leitura vem a percepção que nada é
aleatório no texto. Desde o formato do texto a complexidade é tudo pensado
para reproduzir o crescimento, a passagem da criança e todas as fases que a
levarão para a vida adulta.
Desde as primeiras lições de causa/consequência abordado em A Linha,
quanto a alegria que advém da simplicidade, da ausência das cobranças e
obrigações da vida adulta. Em O garoto que adorava a chuva a beleza triste
do texto foi tão surpreendente que me deixou emocionada, triste por ver
pelos olhos do menino, aquilo que todo adulto já foi obrigado a ver mais
de uma vez, a dura realidade que recai a todos. A influência da sabedoria,
que é vista em manga verde
A percepção dos ritos de passagem em cada fase, o estilingue, o canivete,
a carteira, o primeiro amor... vão de forma simples e arrebatadora traçado
uma linha divisória entre os leitores. Existem aqueles que não entenderão
o mundo em que não existia a internet e aos smartphones e verão algumas
passagens como saídas de um universo paralelo, e para os que como eu são
os adultos de hoje que irão reviver momentos da própria vida, rememorar a
própria história. Depois, na fase adulta a vida fria e crua se mostra nos
causos, no dia-a-dia de pessoas e do cotidiano.
Eu poderia falar sobre cada texto, mas tentei manter algumas surpresas
para quem ainda irá ler. Manga verde pede uma degustação como a de fruta
tirada do pé, descascada na hora e um toque de sal para garantir a doçura.
Ficha Técnica do Livro
- Autor: Claus Zimerer
- Editora: Cousa
- Páginas: 114 fls.
- Ano: 2016
+ Ler Sinopse
A memória de tempos remotos deixa pelas linhas, fragmentos, na narrativa
poética da obra “Manga Verde” (Editora Cousa, 114 páginas), livro de contos
do escritor alegrense Claus Zimerer, que será lançado na quarta-feira (22),
a partir das 19h, no Grappino RangoBar, Centro de Vitória. A composição
mútua de vida e literatura transparece nos 21 contos, onde a ficção e
realidade aparentemente se entrelaçam ao longo do livro, em ótima totalidade
textual.
“Manga Verde” é a primeira publicação de Claus Rodrigues Zimerer, que além
de servidor do Tribunal Regional do Trabalho, escreve regularmente no blog O
Alpeh (esseoficiodoverso.blogspot.com/) dedicado a textos com variadas
linguagens literárias, ou seja, de abordagens experimentais e até mesmo
crônicas. Claus é graduado em filosofia pela Universidade Federal do
Espírito Santo (UFES).
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