A vida de Nina ia relativamente bem, encontrando normalidade dentro de suas
particularidades, afinal ela foi criada entendendo ser uma bruxa e
descendendo delas, porém tudo começa a mudar quando uma carta perdida há
trinta anos chega à casa da floresta, e Nina entende que está encrencada. E
assim, Nina nos narra a sua história de uma maneira muito verdadeira e,
algumas vezes, irreverente.
Como aceitar que está sendo convocada para reviver a tradição há muito
esquecida de peregrinar pelo mundo? Afinal de contas se a tradição foi
esquecida, deve ter sido por um bom motivo, e agora ela tem motivos para não
querer partir, afinal agora que conheceu Alex, o misterioso vizinho que
demonstra por ela um interesse ostensivo e inexplicável, e que faz ela
sentir e viver aquelas deliciosas emoções do primeiro amor.
"— Quem ama o mundo precisa aceitar também o que não é bom. Todo corpo sob a luz produz sombra, e a sombra faz parte de nós. É justamente na aceitação do imperfeito que vem a nossa força."
Mas nem tudo em seu caminho são flores, porque nesse exato momento o
governo está convencido de que por trás da fachada de normalidade de sua
família se esconde um rentável milagre, e que sua família tem obrigação
moral de revelar as chaves para controlar e usar esse “milagre”.
Porém, a força da carta ainda está sobre ela, que decide obedecer ao invés
de sacrificar, e embarca para a Romênia, onde uma bruxa com o carisma de uma
unha encravada a espera. E assim que somos recebidos por essa bruxa (Nina e eu, claro), somos brindados pela autora, com tudo que se espera de uma bruxa. O que
arranca risos e também começa a mostrar que muitas vezes, a maioria delas,
nossos olhos veem aquilo que queremos que eles vejam, e que o medo do
desconhecido é capaz de criar monstros em sombras, em locais que não existem
e que nunca existiram.
"— Dentes-de-Leão! — A velha exclama mais à frente com o traseiro para o alto. Suas mãos acariciam a flor amarela no meio da horta. —Eles são indestrutíveis. Quinze mil sementes em um único pé, já pensou? O mundo é dos persistentes, se alguém ainda não notou."
A mensagem do livro, para mim, foi mais do que um aprendizado e crescimento
de uma adolescente para adulta, alguém consciente de seus deveres e
responsabilidades para consigo, com os outros e para com a vida em torno de
si, seja animal, vegetal ou mesmo do espaço que parece sem vida, mas não é
da terra que nascem os vegetais? Não é dela que tiramos o sustento dos
corpos e da alma? Mas que todos, desde que nascemos, estamos em nossa
própria jornada de aprendizado e que, em algum momento, atribuíram nomes
para cada etapa dessa jornada, criança, adolescente, jovem, adultos e
idosos, e ainda hoje acho que o que conhecemos como morte é um bilhete de
uma jornada que ninguém volta para contar, é preciso estar nela para saber
como é.
Que todo ciclo envolve outro e que nada se perde, mas tudo volta e recomeça
a ser, como a água que evapora para voltar como chuva e voltar a evaporar. E
que muitos de nós se perdem, não por lutar contra o que queremos, mas pelo
que desejamos. Afinal o que é desejo, senão um capricho que pode nos enganar
e se mostra melhor e mais bonito do que é?!
E que o maior aprendizado é sermos quem somos, com nossas imperfeições e
perfeições, porque à medida que aprendemos nos tornamos melhores sem deixar
de ser o que somos. Afinal, lutar contra o que se é, é ser como Dom Quixote,
muitas vezes ignorando a companhia de Sancho Pança. E por fim, quando somos
nossa própria causa, qualquer luta não será apenas guerra e sim
justiça.
Assim um livro de fantasia me tocou, me fez pensar, refletir, sorrir e
também torcer muito pelo jornada de Nina e a minha própria, tudo de uma
maneira apaixonante e divertida. Obrigada,
Karina Heid, por mais uma
história incrível!!
Ficha Técnica do Livro
- Autora: Karina Heid
- Editora: Publicação Independente
- Páginas: 302 fls.
+ Ler Sinopse
Quando uma carta perdida há trinta anos chega à casa da floresta, Nina
entende que está encrencada. Como aceitar que está sendo convocada para
reviver a tradição há muito esquecida de peregrinar pelo mundo? Como partir
justamente agora que conheceu Alex, o misterioso vizinho que demonstra por
ela um interesse ostensivo e inexplicável? Justamente agora que o governo
está convencido de que por trás da fachada de normalidade de sua família se
esconde um rentável milagre?
Forçada a embarcar para a Romênia onde uma bruxa com o carisma de uma unha
encravada a espera, Nina aprenderá entre erros e acertos que o mundo é
perfeito em sua destruição e sua beleza, que círculos guardam os maiores
tesouros e que fazer as pazes com sua essência é fazer as pazes com o mundo.
A Jornada das Bruxas é um livro sobre três jornadas: a jornada individual
pela aceitação, a caminhada apaixonante pelo mundo e a incrível marcha
através do tempo. É sobre a excursão pelo doloroso caminho do crescimento e
sobre fazer as pazes com quem nascemos para a ser. Trata, acima de tudo,
sobre nossa odisséia por um planeta dramático e generoso que espera ser
trilhado por todos, e que tenta a todo tempo nos dizer, em uma miríade de
vozes, que o tesouro que procuramos está enterrado em algum lugar da
estrada...
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