Olá, leitores! Hoje eu venho falar de um livro com uma capa linda. Porém
quem vê capa não vê conteúdo; e gostaria de compartilhar sobre a minha
experiência de leitura com você.
Esse livro teve uma inspiração diferente da usual, de uma coluna da
escritora e tem um viés de dossiê, mas até pelas datas dos crimes, não
chegaria a tanto. Para mim, ficou mais para um documentário sobre assassinas
em série e seus crimes, comprovados ou não ao longo dos últimos séculos e
uma nova visão sobre os fatos, julgamentos sumários ou não, e até mesmo o
que foi alardeado sobre durante a época em que ocorreram.
Outro questionamento é sobre como a mídia ou o senso popular e a "justiça"
interpretavam os crimes e os assassinatos em séries cometidos por mulheres,
principalmente a forma errônea que os atribuía a hormônios ou ao conceito de
não reciprocidade afetiva. Além do mais, mostra de forma clara que elas nada
tinham de apenas insanas, e sim com graus variados de inteligência,
imprudência e egoísmo, por vezes até um senso de vingança, que as levava a
fazerem o que fosse necessário para mudar os rumos de suas vidas para o que
elas entendiam como de seu direito ou simplesmente ao seu alcance. E, muitas
vezes, de forma tão elaborada que não deixava quase nenhum rastro, com
crimes quase perfeitos.
De forma nada "corporativa" a autora convida a tirar a aura de sexo frágil,
vovó gentil, mãe carinhosa, perfeita esposa, dona do lar acima de qualquer
suspeita para mostrar que, assim como os mais perigosos assassinos, as
mulheres são eficientes em mostrarem a imagem que querem que as pessoas
vejam e acreditem. Até o limiar da mentira e a verdade exposta sem
cerimônia.
A autora manteve uma escrita que facilitou a leitura, tornou a leitura bem
compreensiva mediante as coisas que aconteceram e foram relatados no texto;
além de que ela não tortura o leitor com detalhes excessivamente descritivos
dos crimes, apesar de que os detalhes são macabros o suficiente para
entender o grau de horror dos crimes praticados.
Outro convite irresistível é a busca pela resposta de porque a
"primeira serial killer" não foi
nem de longe ou perto a primeira, e em uma espécie de amnésia seletiva, se
esquecia com grande facilidade dos crimes cometidos por essas mulheres,
convertendo tudo em lendas urbanas e histórias de fantasmas ou até mesmo de
fadas. E a questão que a mim mais chamou atenção: TODAS as mulheres possuem
o chamado "amor materno" inato?
Seriam todas dotadas de um irrevogável
"amor de mãe", mesmo com a mente
tão sombria?
Enfim, eu gostei da parte principal do livro, mas preciso explicar sobre
minha nota ao livro e —
surpresa — é que a nota é mais
relativa à edição, que tanto chama atenção por sua beleza e pelo designer
gráfico muito bonito da capa e da edição em si. Aconteceu o seguinte: eu
tive muito problema com o cheiro ao retirar o livro da embalagem e afetou a
minha experiência de leitura porque esse cheiro foi muito forte, me fazendo
adiar a leitura em quase duas semanas para conseguir lidar com o cheiro da
tinta. Não sei ao certo se o fato de várias imagens (incluindo fotos) não terem legenda e outras partes terem palavras e frases totalmente em
inglês, que deixam a curiosidade, mas também me deixaram chateada porque,
desculpa, mas eu estou lendo uma edição traduzida em português, então eu
gostaria de poder ler em minha língua aquilo que está escrito no
livro.
Mais um detalhe foi o fato de as citações em destaque, no livro, serem
reproduções de parte do texto e tornar a leitura cansativa, porque eu ficava
lendo duas vezes a mesma coisa em tão pouco tempo. Veja bem, eu não tinha
esquecido o que eu tinha acabado de ler e me pareceu ser o que vou chamar de
reforço desnecessário daquele
trecho. Outra coisa que me incomodou foi a marcação, que apesar de muito
bonita, de um
"falso marca-texto" fluorescente
rosa, me tirou o prazer de eu fazer as minhas marcações com post-it. De eu
perceber o que era importante para mim na leitura. Ficou parecendo quase que
uma repreensão do tipo:
"Leia isso aqui e preste atenção que é importante". Eu sinceramente não gostei, prefiro ser eu quem decide o que é importante
ou não para ressaltar em um texto, seja ficção ou não.
Assim um livro já tem uma cor berrante, um contraste muito forte, tem
disposições de imagens que, da maneira que foram dispostas, geraram um final
da leitura cansativo, por ter um apelo visual muito grande. Por esses
motivos, não vou ou posso dizer que foi uma leitura que a edição tornou
prazerosa não, porque para mim não foi. Mas calma!!!!!! Nem tudo são coisas
negativas, não.
A tradução foi o ponto forte da edição. Pequenos trocadilhos da autora
ficaram incríveis, porque eu sei que eles se perderiam se não fossem as
notas de rodapé durante a leitura, fatos históricos que me fizeram aprender
coisas que eu achei muito relevantes para o contexto de entendimento, fatos
que aconteceram e me deram uma perspectiva nova, apesar de partir de coisas
que eu li nos textos.
E para concluir, eu quero dizer que não foi uma leitura ruim de modo
nenhum; foi uma leitura muito boa, mas que não chegou a ser ótima por causa
dos fatores que me fizeram ter problemas na minha experiência literária. E
outra coisa que eu quero dizer é que, quem estiver curioso a respeito do
livro, leia e tire suas próprias conclusões.
Ah! No fim do livro existem alguns anexos, que para os fãs do tema são uma
fonte rica de referências sobre esse universo.
Ficha Técnica do Livro
- Título original: Lady Killers: Deadly Women Throughout History
- Autora: Tori Telfer
- Tradução: Marcus Santana e Daniel Alves da Cruz
- Editora: DarkSide Books
- Páginas: 384 fls.
+ Ler Sinopse da Editora
Quando pensamos em assassinos em série, pensamos em homens. Mais
precisamente, em homens matando mulheres inocentes, vítimas de um apetite
atroz por sangue e uma vontade irrefreável de carnificina. As mulheres podem
ser tão letais quanto os homens e deixar um rastro de corpos por onde passam
— então o que acontece quando as pessoas são confrontadas com uma assassina
em série? Quando as ideias de “sexo frágil” se quebram e fitamos os
desconcertantes olhos de uma mulher com sangue seco sob as unhas? Prepare-se
para realizar mais uma investigação criminal ao lado da DarkSide® Books e
sua divisão Crime Scene®. Esqueça tudo aquilo que você achava que sabia
sobre assassinos letais — perto de Mary Ann Cotton e Elizabeth Báthory, para
citar apenas algumas, Jack, o Estripador ainda era um aprendiz.
Inspirado na coluna homônima da escritora Tori Telfer no site Jezebel.com,
Lady Killers: Assassinas em Série é um dossiê de histórias sobre assassinas
em série e seus crimes ao longo dos últimos séculos, e o material perfeito
para você mergulhar fundo em suas mentes. Com um texto informativo e
espirituoso, a autora recapitula a vida de catorze mulheres com apetite para
destruição, suas atrocidades e o legado de dor deixado por cada uma delas.
As histórias são narradas através de um necessário viés feminista. Telfer
dispensa explicações preguiçosas e sexistas e disseca a complexidade da
violência feminina e suas camadas. A autora também contesta os arquétipos —
vovó gentil, mãe carinhosa, dama sensual, feiticeira traiçoeira, entre
outros — e busca entender por que as mulheres foram reduzidas a definições
tão superficiais.
Além disso, questiona a “amnésia coletiva” a respeito dos assassinatos
cometidos por mulheres. Por que falamos de Ed Kemper e não de Nannie Doss, a
Vovó Sorriso, que dominou as páginas dos jornais norte-americanos em 1950
por seu carisma e piadas mórbidas (ela matou quatro maridos)? Por que
continuamos lembrando apenas de H.H. Holmes quando Kate Bender recebia
viajantes em sua hospedaria (e assassinava todos que ousavam flertar com
ela)? A linha que divide o bem e o mal atravessa o coração de todo ser
humano. Lady Killers: Assassinas em Série faz parte da coleção Crime Scene®:
histórias reais, de assassinos reais, indicadas para quem tem o espírito
investigador. Entre os títulos da coleção estão Casos de Família e Arquivos
Serial Killers, de Ilana Casoy, e o best-seller Serial Killers: Anatomia do
Mal, de Harold Schechter. O livro de Tori Telfer, ilustrado pela artista
salvadorenha Jennifer Dahbura e complementado com uma rica pesquisa de
imagens, se junta a estas grandes fontes de estudo para alimentar a mente
dos darksiders mais curiosos. Através das páginas de Lady Killers:
Assassinas em Série os leitores vão perceber que estas damas assassinas eram
inteligentes, coniventes, imprudentes, egoístas e estavam dispostas a fazer
o que fosse necessário para ingressar no que elas viam como uma vida melhor.
Foram implacáveis e inflexíveis. Eram psicopatas e estavam prontas para
dizimar suas próprias famílias. Mas elas não eram lobos. Não eram vampiros.
Não eram homens. Mais uma vez, a ficha mostra: elas eram horrivelmente,
essencialmente, inescapavelmente humanas.







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