Olá, quero falar da leitura de
Lady Audácia. E desde agora digo, LEIA se você ama uma história bem escrita, um
excelente romance, um cenário maravilhoso e um pano de fundo com a nuance
das melhores histórias.
Mas vamos à história. Por se passar na Alemanha a história nos tira do eixo
Inglaterra-França, trazendo um frescor ao romance de época que nós lemos.
Outra coisa é começar com o período onde a indústria e seus industriais
começam a ter força econômica frente ao poder dos títulos de nobreza.
Por nosso nobre, o
Duque de Württemberg, ser um
soldado em dispensa por acidente em campo de batalha, começamos e ver as
sutis diferenças com a nobreza inglesa que não manda seus nobres a campos de
batalha. Porém, além disso, somos surpreendidas por qual ferimento quase
mortal deu a Dietrich a baixa honrosa. Nenhuma sociedade de época se
furtaria ao prazer de fofocar sobre onde ele foi alvejado. Justo em seu
orgulho e sua masculinidade.
"— Mulheres em grupos disputam espaço com os castigos do inferno."
Mas alvejado ou não em suas partes, ele precisa cumprir com o primeiro
dever do ducado que é gerar herdeiros, mas em situação delicada sobre sua
masculinidade e totalmente avesso ao casamento, vê em Emma Thiessen, filha
do meio do maior industrial do aço, uma jovem de aparência frágil, a chance
de se livrar da mão de ferro da mãe.
O que certamente ele não esperava era que, por trás da saúde frágil,
esconde-se uma moça inteligente e determinada a fazer algo relevante da
vida. E, durante uma dança, a batalha travada com palavras os levaria a
perder bem mais que a compostura, perder as barreiras que protegiam seus
corações.
"Sua delicadeza e personalidade de um cacto lhe eram simplesmente irresistíveis."
Assim o convite à leitura vem irresistível e já nos primeiros capítulos é
impossível largar essa história que, além de bem contada, traz cenas
idílicas de um lugar que pouco visitamos na leitura, personagens com a mente
e as palavras afiadas e com tiradas inteligentes que te conquistam de forma
irrevogável. O humor não é um traço germânico, mas quando surge é como o sol
após um dia de nuvens negras, simplesmente é impossível não se
maravilhar.
Outra coisa que observei foi o uso das expressões em alemão, que vem, de
forma inteligente e bem colocada, acrescentando a trama sem cair, em momento
nenhum, no tom novelesco de quem joga a palavra apenas para lembrar onde se
passa a história. Ao contrário, é de uma riqueza que faz o cenário dos
castelos, campos e casas serem vividos na memória e te fazem rir tentando
ler aquelas palavras sem enrolar a língua. Acho que a magia se faz por serem
como “mein Lieber”, mesmo sem
saber a tradução você sente que é um elogio, mesmo antes de buscar no
Google Tradutor e descobrir que
significa: minha querida. É o
não precisar de tradução que acrescenta tanto a fala, a palavra
“canta” a emoção com que foi
dita.
"— Meu coração pertence agora a você, Häschen."
Um dos pontos altos para mim foi Dietrich não ter se redimido das
libertinagens em um passe de mágica, que sua desconstrução enquanto um nobre
indolente foi sendo feita aos poucos, a parte de que ele não se exime ou
tenta amenizar seus erros com mentiras. Amei a honestidade cheia de remorso,
mas cheia de honestidade da parte dele. Emma também se mostra fiel a si
mesma, mesmo quando ela precisa aprender que seus sonhos não eram exatamente
pelo motivo que ela afirmava. Ambos crescem durante a trama, mas sem perder
as suas próprias características.
Outro ponto delicioso na trama são os personagens secundários que começam a
gravar em sua mente e coração as próprias histórias que serão contadas nos
dois próximos livros. Ah! Não tem como não saber que nenhum personagem está
ali por acaso, o que te faz pensar:
preciso do próximo livro no meu Kindle para ontem e os físicos na minha
estante para logo!
Porque o final canta ao coração e faz você se sentir em plenitude mesmo em
ansiedade pela próxima história.
"Do alto de nossa soberba, não vimos que estamos atrapalhando o caminho, mein Lieber. Ou aprendemos a rolar, ou o progresso passará sobre nós."
Como sou fã da autora, amei a primeira escrita dela nesse gênero, porque dá
para ver em cada página que o DNA dela está impresso e, como nas histórias
anteriores, mantém personagens com diálogos surpreendentes e cheios de
inteligência, humor e um toque de sabedoria em nos mostrar que algumas lutas
existem desde que o mundo é mundo e quem veio antes de nós deve ter seu
legado honrado com a continuidade dessas lutas até que haja a comemoração
pela vitória derradeira.
Ficha Técnica do Livro
- Autora: Karina Heid
- Série: Damas de Aço #1
- Editora: Publicação Independente
- Páginas: 353 fls.
+ Ler Sinopse
Reino de Württemberg, 1871
Tudo que o duque de Württemberg faz desde que foi constrangedoramente
alvejado na guerra é embebedar-se e fugir das demandas da mãe, que quer
vê-lo casado e produzindo herdeiros. Mas se tem algo que Dietrich teme mais
do que tiros, são as mulheres. Cruéis, elas conseguem ser piores que suas
lembranças das balas ricocheteando sobre a cabeça. Ele prefere as
trincheiras aos bailes, onde seu acidente - e fracassos justamente naquela
área - rendem mexericos infinitos.
Emma Thiessen, filha do meio do maior industrial do aço, foi criada
em uma redoma, como uma flor vulnerável. Mas por trás da saúde frágil
esconde-se uma moça inteligente e determinada a fazer algo relevante da
vida. Assim que a rigorosa governanta dos Thiessen se ausenta, ela espalha
seus mapas pela sala e estuda maneiras de unir-se à aclamada expedição do
maior naturalista do reino rumo à África. Ela se recusa a ser uma inválida.
Quando o destino a coloca frente a frente com o mais irritante, indecente e
mal falado dos homens, o Duque de Württemberg, ela o repele. Obrigada a
dançar com ele, convence-se que só precisa tolerá-lo por uma dança e nada
mais.
Mas uma dança seria tempo suficiente para se apaixonarem? A resposta
seria não, se não fosse por um detalhe: a inexplicável e incompreensível
reação do duque à sua audácia...



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Eu amei a escrita da autora e achei muito interessante a história se passar na Alemanha.
ResponderExcluirUm deleite, de fato, para quem gosta de uma boa história bem escrita.
Eu gosto muito da escrita da autora e achei a escolha da Alemanha como cenário um diferencial delicioso. É mesmo um deleite para quem gosta de um romance histórico bem construído. ❤️
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