Há histórias que parecem pertencer à infância, mas que guardam dentro delas perguntas que continuam nos acompanhando muito depois de fecharmos o livro. E talvez seja justamente esse o encanto de 'O Mágico de Oz': uma história de aventuras, amizade e descobertas que nos convida a olhar novamente para aquilo que acreditamos não ter.
Nesta Leitura Compartilhada, vamos atravessar a estrada de tijolos amarelos ao lado de Dorothy, Totó, do Espantalho, do Homem de Lata e do Leão Covarde. Entre bruxas, criaturas fantásticas, perigos e encontros inesperados, vamos descobrir juntos o que existe por trás da famosa viagem até a Cidade das Esmeraldas.
Prepare o chá, acomode-se e venha caminhar conosco por Oz.
🖋️ Sobre a autoria
Lyman Frank Baum, conhecido como L. Frank Baum, nasceu em 1856, em Chittenango, no estado de Nova York, e morreu em 1919, na Califórnia. Antes de encontrar seu lugar definitivo na literatura, passou por diferentes atividades, trabalhando no teatro, em jornais e em outros empreendimentos. A literatura infantil, porém, seria o campo em que sua imaginação encontraria maior liberdade.
Publicado em 1900, 'The Wonderful Wizard of Oz' tornou-se seu trabalho mais conhecido e deu origem a uma série que chegaria a 14 livros escritos pelo próprio Baum. A Biblioteca do Congresso registra ainda que o primeiro volume foi ilustrado por William Wallace Denslow, parceiro de Baum em trabalhos anteriores, e que a série continuaria depois de sua morte.
Há algo especialmente interessante na trajetória de Baum: ele escrevia em um momento em que grande parte da literatura infantil ainda estava muito ligada a ensinamentos morais e religiosos. Oz surge, então, com outra proposta: uma fantasia construída para encantar, divertir e levar seus jovens leitores para um mundo em que a imaginação não precisa pedir licença. O National Endowment for the Humanities observa justamente essa transformação ao apresentar a obra como uma espécie de conto de fadas genuinamente americano.
📖 A obra e seu contexto
Publicado originalmente em 1900 com o título 'The Wonderful Wizard of Oz', o livro acompanha Dorothy, uma menina que vive no Kansas e que, depois da passagem de um ciclone, é levada com seu cachorro Totó para a extraordinária Terra de Oz. Ali, começa uma jornada que a conduz até a Cidade das Esmeraldas, onde espera encontrar o poderoso Mágico de Oz e descobrir como voltar para casa.
No caminho, Dorothy encontra três companheiros que também carregam desejos muito particulares: o Espantalho acredita que lhe falta inteligência, o Homem de Lata deseja ter um coração e o Leão Covarde procura a coragem que acredita não possuir.
É uma premissa simples e encantadora, mas que permite que a viagem seja também uma história sobre aquilo que cada personagem acredita faltar em si mesmo.
'E se aquilo que procuramos pelo caminho já estiver conosco?'
A Terra de Oz mistura elementos tradicionais dos contos de fadas com imagens muito ligadas aos Estados Unidos do início do século XX. A estrada de tijolos amarelos, as bruxas e os seres mágicos convivem com o Kansas, o ciclone e uma paisagem que se distancia dos cenários europeus mais comuns nas histórias infantis daquele período. A própria Biblioteca do Congresso destaca essa combinação como uma das razões para a permanência da obra no imaginário cultural.
🕰️ Recepção crítica: ontem e hoje
Quando 'The Wonderful Wizard of Oz' chegou às livrarias, em setembro de 1900, a recepção foi bastante positiva. A imprensa da época reconheceu a originalidade da obra e o cuidado visual da publicação. O 'New York Times', por exemplo, destacou a capacidade da história de alcançar tanto as crianças quanto os adultos que a lessem para elas, além de elogiar a combinação entre texto, desenhos e cores.
O sucesso comercial também veio rapidamente. A obra vendeu milhares de exemplares logo após o lançamento e se tornou o mais conhecido dos livros de Oz. As ilustrações coloridas de W. W. Denslow tiveram papel importante nesse sucesso e ajudaram a estabelecer visualmente personagens que se tornariam inseparáveis da história.
Mas a trajetória crítica de Oz não foi completamente tranquila. Durante boa parte do século XX, a obra recebeu pouca atenção dos estudiosos de literatura infantil e chegou a ser questionada por bibliotecários e educadores. Em 1957, por exemplo, a Biblioteca de Detroit chegou a retirar o livro de suas estantes, alegando que ele não apresentaria valor adequado para as crianças daquele momento.
A partir da segunda metade do século XX, entretanto, a obra passou a despertar novas interpretações. Em 1964, o historiador Henry Littlefield propôs uma leitura bastante conhecida segundo a qual a história poderia ser entendida como uma alegoria relacionada ao movimento populista norte-americano e aos debates econômicos dos Estados Unidos do final do século XIX. A interpretação gerou interesse acadêmico e mostrou que, por trás de uma aventura aparentemente simples, havia espaço para diferentes camadas de leitura.
Hoje, porém, talvez seja justamente essa multiplicidade que faça de Oz um clássico tão resistente ao tempo. A história pode ser lida como fantasia, aventura, narrativa sobre amizade, amadurecimento e pertencimento, ou simplesmente como uma deliciosa viagem por um mundo imaginário.
Mais de um século depois, a obra continua sendo traduzida, adaptada e recriada em diferentes linguagens. A Biblioteca do Congresso registra sua presença em sequências literárias, teatro, musicais, cinema, televisão, estudos acadêmicos e inúmeros produtos da cultura popular.
E talvez exista uma razão muito bonita para isso: Dorothy quer voltar para casa, mas precisa percorrer um mundo inteiro para descobrir o que 'casa' realmente significa.
🔎 Fontes pesquisadas
Para esta apresentação, foram consultados materiais da Biblioteca do Congresso dos Estados Unidos, do National Endowment for the Humanities, do Smithsonian's National Museum of American History e registros bibliográficos da edição brasileira publicada pela Clássicos Zahar. Também foram consultados materiais biográficos sobre L. Frank Baum e registros históricos da recepção da obra.
🗓️ Cronograma e dinâmica da leitura
Nossa viagem pela Terra de Oz acontece de 04 a 31 de maio de 2020.
Durante esse período, cada participante pode avançar no próprio ritmo, mas também teremos um espaço para compartilhar impressões, descobertas, personagens favoritos, estranhamentos e, claro, aquelas teorias que aparecem quando começamos a conversar sobre o que estamos lendo. Porque uma Leitura Compartilhada não termina na última página. Ela continua nas conversas que surgem depois dela.
Ficha Técnica do Livro
- Título original: The Wonderful Wizard of Oz
- Autor: L. Frank Baum
- Tradução: Sergio Flaksman
- Editora: Zahar
- Páginas: 224 fls.
- Ano: 2013
+ Ler Sinopse
✦ Há estradas que percorremos para chegar a algum lugar.
✦ E há aquelas que percorremos para descobrir onde queremos estar.
Que tal seguir a estrada de tijolos amarelos conosco? Nos encontramos em Oz. 🏠🌈📖



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