Olá, pessoa. Quando vi a sinopse desse livro senti saudades dos dias em que morei em São Paulo. Além de ter ficado intrigada com a capa. E a vontade de ler só ficou maior. E, agora que li, posso dizer: “que bom que li!”. E nas próximas linhas espero explicar o porquê.
"É disso que gosto na arte, o que você vê às vezes diz mais sobre quem você é do que sobre o que está na parede."
Essa história tem uma narrativa em primeira pessoa, porém alternando entre três personagens: Lucy, Ed e o Poeta, sendo que esse fala através de suas poesias. Então nem sempre a narrativa será feita por palavras, às vezes fica por conta da descrição das artes, em uma linguagem simples e clara, sem ser caricata em momento nenhum.
A autora nos coloca nesse romance urbano de uma forma envolvente e moderna, apesar de que os dramas são os mesmos desde que o mundo é mundo, quando ainda não se é adulto, muito menos criança. E, enquanto acompanhamos os personagens nessa zona cinza, vamos junto com Lucy tentar desvendar o mistério de “quem é o Sombra?”. Mas vamos por partes.
O livro começa nos apresentando Lucy Dervish. Filha de uma
romancista/dentista e uma pai ator/mágico que, por tanto amarem as artes,
apoiam sua filha a seguir seu grande amor, na arte dos vidros feitos por
sopro. Somos apresentados ao básico dessa arte de uma maneira bastante
gostosa e que nos leva a entender o fascínio de Lucy pelo grafiteiro
Sombra.
Claro que o segredo é restrito a Lucy e quem está lendo logo vai ficar sabendo quem é o artista, que nos explica, além de sua arte, a diferença entre grafite e vandalismo. O que separa a arte da pichação e como, ainda sim, existem zonas em que ambas se encontram e se repelem.
Edward Phil Skye está sem emprego e precisa encontrar um novo caminho para si, porque o abrigo que tinha encontrado, após abandonar a escola, na amizade de Bert, amigo que lhe deu emprego e o carinho que nunca recebeu do pai ausente, se perdeu com a morte de Bert e a venda da loja, tornando as coisas ainda mais difíceis para ele, que tem nas pinturas a única forma de expressar seus sentimentos. Mas, enquanto ele tiver sua mãe e seu amigo Leo, ele sabe que de alguma forma as coisas ainda ficarão bem.
Eu curti os diálogos recheados de referências e um rodapé incrível para
quem, como eu, não reconheceu todas. As conversas giram em torno dos eventos
que ocorreram durante os anos do ensino médio. Mas, nesse dia, tudo o que
importa é que o ano letivo acabou, aliás, o último ano do ensino médio. Lucy
planejou a maneira perfeita de comemorar: nessa noite, finalmente, ela
encontrará o Sombra, o genial e
misterioso grafiteiro, cujo fantástico trabalho se encontra espalhado por
toda a cidade. Ele está de spray na mão, escondido em algum lugar,
espalhando cor, desenhando pássaros e o azul do céu na noite. E Lucy sabe
que um artista como o Sombra é
alguém por quem ela pode se apaixonar — se apaixonar de verdade.
"Eu disse que ele estava sonhando. Ele me respondeu que sonhar é o único jeito de se chegar a algum lugar."
Quando Ed conta para Lucy que sabe onde achar o Sombra, os dois, de repente, se juntam em uma busca frenética aos lugares onde sua arte, repleta de tristeza e fuga, reverbera nos muros da cidade. Mas Lucy não consegue ver o que está bem diante dos seus olhos.
Os diálogos muitas vezes ficam alternados nas narrativas e, ao contrário do
que pode parecer, ficam mais fluidos e nem um pouco cansativos. Os
personagens vão conquistando e cativando, à medida que vamos os conhecendo,
porque a autora mostra a personalidade de cada um e vai, aos poucos, criando
uma intimidade leve, mas forte o bastante para nos envolver em seus dramas e
criar aquela torcida para que tudo dê certo e ainda tenha romance.
"— Você é divertido, e não poderia ser se não fosse inteligente. Meu pai diz que é mais difícil fazer rir do que fazer chorar.
— Porque sempre se pode socar alguém pra fazer chorar."
Eu terminei a leitura extremamente animada, porque o livro me entregou tudo que prometeu ser: uma aventura emocionante e perigosa, como um grafite clandestino. Uma noite de arte e poesia, humor e autodescoberta, expectativa e risco e, quem sabe, amor verdadeiro onde amigos, novos e antigos amores descobrem que uma noite tanto esconde, quanto revela os segredos e paixões, desde que se tenha o coração aberto para viver intensamente. Boa leitura e divirta-se!
Preciso dizer que a capa fica duas vezes mais bonita após a leitura. Os
detalhes do título em relevo e as cores da capa ganham um novo significado,
em uma encadernação e impressão ótimas, papel e fontes perfeitos para a
leitura. Diagramação excelente e uma tradução que me agradou muito. Uma
excelente revisão e todo o capricho da editora nas orelhas e detalhes.
Ficha Técnica do Livro
- Título original: Graffiti Moon
- Autora: Cath Crowley
- Tradução: Marina Slade
- Editora: Valentina
- Páginas: 240 fls.







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