Leitura Compartilhada :: O jardim secreto (The Secret Garden)

 

Há livros que parecem guardar uma chave entre suas páginas. Basta encontrá-la para que uma porta se abra e nos conduza a um lugar onde a imaginação, a amizade e a natureza podem transformar tudo ao redor. É nesse clima que nossa próxima Leitura Compartilhada nos convida a entrar em um dos grandes clássicos da literatura infantojuvenil: ‘O jardim secreto’, de Frances Hodgson Burnett.

Publicado originalmente no início do século XX, o romance acompanha Mary Lennox, uma menina órfã enviada da Índia para a Inglaterra depois da morte dos pais. Sozinha em uma enorme e misteriosa mansão, Mary começa a explorar seus arredores até descobrir que, entre os muitos segredos daquele lugar, existe um jardim que permanece trancado e abandonado há anos.

E talvez seja justamente aí que esteja o coração da história, porque, enquanto Mary tenta descobrir o que existe por trás daquele muro, nós também acompanhamos uma transformação: a de uma criança solitária, mal-humorada e acostumada a receber tudo sem realmente receber afeto, que pouco a pouco começa a descobrir a amizade, a curiosidade, o cuidado e a alegria de estar viva.

‘Talvez alguns jardins só precisem de alguém disposto a acreditar que ainda podem florescer.’

Durante nossa leitura, vamos abrir essa porta juntos e descobrir o que Burnett plantou nessa história que continua encontrando leitores mais de um século depois.


🖋️ Sobre Frances Hodgson Burnett

Frances Eliza Hodgson Burnett nasceu em Manchester, na Inglaterra, em 1849. Após a morte do pai, quando ainda era criança, sua família enfrentou dificuldades financeiras e, em 1865, mudou-se para os Estados Unidos. Foi ali que Frances começou a escrever para ajudar no sustento da família, publicando histórias em revistas ainda muito jovem.

Ao longo da carreira, tornou-se uma escritora e dramaturga de grande sucesso, construindo uma obra bastante diversificada. Hoje, porém, seu nome permanece especialmente ligado a três romances que atravessaram gerações: ‘O pequeno lorde’, ‘A princesinha’ e ‘O jardim secreto’.

Burnett tinha uma habilidade especial para escrever sobre crianças sem tratá-las como personagens simplificados. Em suas histórias, elas podem ser difíceis, egoístas, solitárias, imaginativas e até desagradáveis. São crianças que precisam crescer, mas que também têm muito a ensinar aos adultos que as cercam.

Em ‘O jardim secreto’, essa característica ganha uma dimensão especialmente bonita: a transformação não acontece apenas com Mary. O contato com a natureza, a amizade e a redescoberta da esperança alcançam pouco a pouco todos aqueles que vivem na mansão.

📖 A obra e seu contexto

‘The Secret Garden’, título original da obra, foi publicado em livro em 1911. Antes disso, o romance havia sido publicado em série na revista americana ‘The American Magazine’, entre novembro de 1910 e agosto de 1911, uma trajetória editorial curiosa para uma obra que hoje associamos tão imediatamente à literatura infantil.

A história começa na Índia, então parte do Império Britânico, onde Mary Lennox perde os pais durante uma epidemia de cólera. Órfã, ela é enviada para a Inglaterra para viver com o tio, Archibald Craven, em uma grande propriedade localizada nos campos de Yorkshire. Ali, Mary encontra uma casa cheia de portas fechadas, corredores silenciosos, adultos misteriosos e histórias que ninguém parece disposto a contar. Entre essas histórias está a existência de um jardim pertencente à falecida esposa de seu tio, mantido trancado desde sua morte.

Ao lado de Dickon, um menino que possui uma relação extraordinária com os animais e as plantas, e de Colin, seu primo que vive recluso e acredita estar gravemente doente, Mary começa a recuperar aquele jardim. E, enquanto as plantas começam a florescer novamente, algo semelhante acontece com as próprias crianças. O jardim funciona, assim, como muito mais do que um cenário. Ele se torna uma imagem poderosa de renascimento, amizade, amadurecimento e transformação.

A própria história de Burnett dialoga curiosamente com esse universo: enquanto escrevia o romance, a autora também estava planejando o jardim de sua propriedade em Plandome, Long Island, nos Estados Unidos. 

🕰️ Recepção crítica: ontem e hoje

Quando ‘O jardim secreto’ chegou aos leitores, em 1911, a recepção foi positiva. Críticos perceberam desde cedo uma característica importante do romance: sua capacidade de conversar tanto com crianças quanto com adultos.

Ainda assim, o livro não alcançou imediatamente o mesmo nível de popularidade de outros trabalhos de Burnett. Durante a vida da autora, ‘O pequeno lorde’ e ‘A princesinha’, por exemplo, tiveram maior destaque. ‘O jardim secreto’ só conquistaria plenamente seu lugar como clássico infantil algumas décadas depois.

Parte dessa permanência veio justamente da capacidade da história de continuar oferecendo novas possibilidades de leitura. À primeira vista, temos uma história sobre crianças, uma mansão misteriosa e um jardim escondido. Mas, olhando um pouco mais de perto, encontramos discussões sobre luto, abandono, relações familiares, diferenças sociais, crescimento, saúde, imaginação e a necessidade humana de pertencimento.

O jardim também permite uma leitura simbólica particularmente forte. Sua recuperação acompanha a transformação dos personagens e faz da natureza uma espécie de força regeneradora. Estudos críticos posteriores destacam justamente os temas de renascimento e transformação presentes no romance.

Ao mesmo tempo, uma leitura contemporânea também nos permite questionar alguns aspectos da obra. As ideias de Burnett sobre saúde e ‘cura’ estão relacionadas às crenças de sua época e, especialmente, à influência da Christian Science em sua visão de mundo. Além disso, a representação da deficiência de Colin merece ser observada criticamente pelos leitores atuais, especialmente porque determinadas interpretações do romance podem reduzir questões complexas de saúde à força do pensamento positivo.

Talvez seja justamente essa combinação que torne a leitura tão interessante hoje: ‘O jardim secreto’ permanece encantador, mas não precisa ser lido de maneira ingênua. Podemos apreciar sua delicadeza, seus símbolos e sua capacidade de emocionar enquanto também conversamos sobre aquilo que mudou na nossa maneira de compreender infância, saúde, deficiência, classe social e relações familiares.

Mais de um século depois, o romance continua sendo publicado, adaptado para diferentes mídias e apresentado a novas gerações. A história já ganhou versões para cinema, televisão e teatro, e novas edições ajudaram a manter Mary, Colin, Dickon e seu jardim entre os personagens mais queridos da literatura infantil.

🔎 Fontes pesquisadas

Para a elaboração dos textos sobre a autora, a obra e sua recepção, foram consultadas fontes bibliográficas e institucionais como a Library of Congress, Dartmouth Libraries, Encyclopedia.com, Persée e o Grupo Companhia das Letras, além de material editorial da edição brasileira de 2020.

🗓️ Cronograma e dinâmica da leitura

Nossa viagem até o jardim começa em:

🍂 Início da leitura: 9 de novembro de 2020

🌿 Término da leitura: 5 de dezembro de 2020

Durante esse período, vamos acompanhar Mary em sua descoberta da mansão, conhecer os segredos que cercam aquela família e, principalmente, observar o que acontece quando algumas crianças encontram espaço para serem curiosas, fazer amizades e cuidar de algo que parecia condenado ao abandono.

E, claro, depois de cada descoberta, teremos aquele nosso momento indispensável de conversa: impressões, teorias, personagens favoritos, passagens que nos emocionaram e aquelas cenas que simplesmente precisamos comentar com alguém.

💬 Espaço para nossa conversa e troca de impressões: Grupo de Leitura no WhatsApp

Capa do Livro

Ficha Técnica do Livro

  • Título original: The Secret Garden
  • Autora: Frances Hodgson Burnett
  • Tradução: Liliana Negrello e Christian Schwartz
  • Apresentação: Rodrigo Lacerda
  • Editora: Zahar
  • Páginas: 352 fls.
  • Ano: 2020
+ Ler Sinopse
Uma história encantadora de transformação e empatia. Um clássico da literatura inglesa infantojuvenil adorado há mais de um século por leitores de todas as idades.

o perder os pais numa epidemia de cólera na Índia, onde nasceu e foi criada, a pequena e mimada Mary Lennox é enviada para viver na lúgubre mansão de seu tio, no coração da Inglaterra rural. Deprimido pela morte da esposa, o tio está sempre viajando, enquanto seu filho Colin, primo de Mary, passa a vida na cama como inválido. Solitária, Mary tenta se divertir vasculhando a propriedade, até que descobre um segredo incrível: o deslumbrante jardim de sua falecida tia, trancado e abandonado.

A descoberta do jardim faz com que Mary conheça Dickon, menino que conversa com os animais e as plantas, e se aproxime do primo, que volta a sair da casa numa cadeira de rodas improvisada. Assim, a amizade das três crianças e o encantamento causado pelo jardim começam a transformar a vida de todos na casa.

Publicado em 1911, O jardim secreto já inspirou diversas adaptações para teatro, TV e cinema.

Quem sabe, ao final dessa leitura, a gente descubra que o verdadeiro segredo daquele jardim não está apenas atrás de uma porta trancada. Talvez esteja naquilo que acontece quando encontramos alguém disposto a abrir a porta conosco. 

Então prepare o chá, escolha um cantinho confortável e venha descobrir com a gente o que ainda pode florescer.

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