Olá, pessoa!! Por aqui colocando as leituras em dia, e aproveitando para compartilhar muito sobre elas, antes que a faculdade retorne e as leituras não sejam aquelas que você gostaria de ler me falando a respeito dela. Então, fiquemos com essa leitura que é do mesmo autor do aclamado A Paciente Silenciosa.
Temos aqui um narrador bastante conversador, afinal ele decide nos contar a história de um crime do qual foi testemunha ocular, no entanto fica claro, graças a sua mania de divagar, falando de si mesmo ou explicando suas falhas e defeitos, sempre culpando a outra pessoa ou a falta de outra pessoa, não se tratar de alguém particularmente confiável em qualquer aspecto, em especial ao narrativo.
"Que hipócrita você, Elliot. Mentiroso do cacete."
A ideia de um crime em uma ilha não é particularmente nova, e o próprio narrador reconhece isso, quando diz ser “algo como de Agatha Christie”, contudo o cenário é totalmente paradisíaco, afinal é uma ilha grega. Com a trama recheada de referências aos mitos e pensamentos dessa terra, que tanto influencia, até os dias de hoje, o pensamento ocidental. A começar pelo título, que não se trata de um sentimento, mas sim do mito, o que já adiciona diversas camadas ao contexto da trama.
Os personagens são famosos do meio artístico, seja cinema ou teatro, e estão retirados para festejar e descansar, não necessariamente entre amigos. Mas, como atores, eles sabem como atuar e, muitas vezes, quando a máscara cai e a realidade se mostra, sabem como ninguém tirar o melhor proveito dela. Elliot Chase, nosso narrador, vai nos apresentando a anfitriã e os outros convidados, não apenas seus nomes, mas também suas vidas e seus comportamentos, como bom contador de história (não vou chamá-lo de fofoqueiro), também suas particularidades privadas e tudo aquilo que não se pergunta, mas ninguém deixa de ouvir (nesse caso ler) quando encontra alguém que conhece minimamente os fatos para narrar.
"Vou lhe contar sobre mim e Lana — sobre nossa amizade, estranha e extraordinária como era. Mas essa é só a ponta do iceberg, para ser franco. Meu relacionamento com Lana Farrar começou muito antes de nos conhecermos."
Não vou dizer que me apeguei ou amei nenhum dos personagens nessa trama. Eles têm suas vidas sobre a luz dos holofotes e uma existência vazia e líquida, alimentados a base de comprimidos, pó e cigarros de vários tipos e muita, muita encenação, não sobre alguma história e sim sobre quem realmente são. Seus nomes artísticos escondem o passado, mas não conseguem construir uma base para uma vida fora dos palcos e, assim, fui lendo sem me interessar particularmente por ninguém e, de forma geral, por todos, afinal Elliot mantém sempre a história interessante, contando o que presenciou ou mesmo ouviu atrás das portas.
Mais que uma história de assassinato, essa é uma história de amor, ou melhor, obsessão. Um drama grego, em cinco atos, sempre em um vai e vem cronológico, que faz você repensar todo o tempo a visão sobre os personagens, inclusive sobre ele mesmo, nosso narrador. Que além da história dá alguns conselhos, de como escrever, contar uma história, montar uma trama ou, simplesmente, dicas como a de nunca irritar um autor, pois você pode ser usado de personagem. E isso pode ser bom, ou muito, muito ruim.
Sobre o final não posso dizer que não tenha gostado. Eu gostei, mas acho que com tantos "e depois" (para explicar sem spoiler), acaba perdendo o clímax e começa a ficar uma sensação ruim de que acaba, mas nunca termina. Não sei, talvez o mesmo final em outra ordem não deixaria essa sensação. Posso finalizar dizendo que sim, foi coerente com a trama e com nosso personagem Elliot. Antes que eu me esqueça! Você leu As Musas? Se sim, encontrou o crossover das histórias? Não leu?? Bem, comece por A Paciente Silenciosa e venha descobrir o fascínio da Grécia de Alex Michaelides!!
Boa leitura e divirta-se!
Ficha Técnica do Livro
- Título original: The Fury
- Autor: Alex Michaelides
- Tradução: Adriano Scandolara
- Editora: Record
- Páginas: 336 fls.
- Ano: 2024



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