Olá, pessoas, mais uma história de amor pela capa. Sim, a cadeira de rodas e a de rodinhas me pegou de jeito, afinal inclusão na literatura é preciso e a visibilidade aos portadores de necessidades especiais é urgente! Sem falar que a capa é rosa, então, não preciso dizer mais nada. Mentira, vou dizer sim sobre a história.
Vamos acompanhar a história sob o ponto de vista da Catarina, ela literalmente vai nos mostrando que aprendeu a abrir espaço para si dentro da sociedade, que tenta lidar com as dificuldades com locais acessíveis, como restaurantes e casas de festas, além de, claro, precisar de espaço para se locomover como cadeirante em seu local de trabalho. Mas, para aumentar a lista de seus lamentos, que incluem: admitir que está errada e homens com nomes bíblicos.
"Daqui a pouco vai me dizer que o João Pedro é o novo Rodrigo Hilbert."
Além de representatividade PCD (Pessoa Com Deficiência) — preciso pontuar que representatividade aqui é daquelas boas e não panfletagem do politicamente correto — também temos muita brasilidade com a história se passando no interior da Bahia, nos quitutes, como acarajé e vatapá, que Catarina consome na lanchonete de sua melhor amiga, no nome dos personagens, como JPS (João Pedro da Silva). As referências bíblicas são ótimas, ainda mais para quem entende a referência, quando é um pouco menos conhecida, mas ainda sim dentro do contexto super se encaixam e dão uma leveza bem-vinda à trama. Por ser um romance “porta fechada” não entendi alguns termos e carícias mais para o final, ficaram muito destoantes, mas nada que vá ferir o conceito do romance.
"Eu odeio ser tratada como o Serviço de Atendimento ao Consumidor ou vista como a recepcionista num grande balcão de informações da vida, mas sinto uma dúvida genuína em seu semblante."
Eu realmente amei o fato de a personagem ser uma cadeirante e apresentar a vida sob essa condição, como é o olhar dela para os “andantes”, como ela sente os olhares sobre ela e também as dificuldades, não apenas na locomoção na cidade, mas de pequenas coisas do dia-a-dia, como a transferência da cama para cadeira de rodas, etc. Sem dúvida, traz riqueza e uma reflexão de forma leve e pertinente. Aos poucos, vamos entendendo a relação dela com a Bíblia e a vida cotidiana, porque os homens com nomes Bíblicos geram uma aversão particular.
A partir da metade do livro, a gente tem uma mudança no ritmo da história, e pode ser porque houve uma virada no queridinho da história. Catarina que me perdoe, mas João Pedro chega, chegando e tomando espaço. Até porque começa a irritar a Cathy não ver um palmo à frente do próprio nariz, tudo bem, eu sei que ao colocar a Cati toda querida e humilde já nos faz fazer as pazes com ela, mas o posto de querido fica com ele, risos, que não perde mais.
"Você quer dividir um quilo de sal comigo? Eu espero que sim. Porque comer sal contigo é tudo o que eu mais quero fazer."
Eu gostaria que os personagens tivessem tido mais camadas para dar corpo a trama e, da maneira como ficou, é como se houvesse um segundo livro para dar aos personagens secundários finais que ficaram em aberto e um fechamento mais final de novela ao casal, por quem tanto torcemos por todo o livro. Falando sobre o pano de fundo da história, aviso que é repleta de cultura pop, Rebelde, Crepúsculo e anos 2000, um prato cheio para quem ama. A parte legal é que não achei que as referências ficaram saturadas, o que faz com quem não conhece as referências ainda sim consiga aproveitar bastante. A leitura fechou com o gosto de gostei de ter lido, curti o casal gata e rato e o saldo positivo de um final com coração quentinho.
Boa leitura, divirta-se!
Ficha Técnica do Livro
- Autora: Vanessa Reis
- Editora: Verus
- Páginas: 294 fls.
- Ano: 2024



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