Resenha :: Você nunca mais vai ficar sozinha

Olá leitores! Confesso que a frase “Você nunca mais vai ficar sozinha” me pegou quando li a sinopse, porque um dia questionando minha avó (Deus a tenha) sobre não ter se casado novamente após anos de viuvez ela me disse exatamente isso: “Depois que você tem filhos, você nunca mais vai estar sozinha”. E assim, depois ser mãe eu consigo entender exatamente o que ela quis dizer, e pelo visto, nossa personagem também.


"Ser adulto é passar mal e querer sua mãe mas já ser mãe e seu filho querer você"

 

Os capítulos são marcados pelos exames pré-natais. Karine, Hipocondríaca assumida, cumpre com rigor a rotina de exames pré-natais. Em intermináveis conversas com sua enfermeira predileta, Beth rememora episódios da turbulenta relação com a mãe, maldiz as agruras da gestação e antecipa o amor e os medos da maternidade. Ah! Preciso avisar que Beth é uma ouvinte silencia, te deixando a chance de assumir seu lugar durante a leitura.

Karine tem um emprego que não a satisfaz intelectualmente e um sonho de escrever para o cinema, enquanto carrega também uma relação complicada com a própria família e uma necessidade quase obsessiva de construir para si uma vida diferente daquela de onde veio. E é justamente nesse momento, durante a gravidez, que tantas dessas questões começam a voltar à superfície.

A escrita da Tati Bernardi usa uma linguagem coloquial e muito verdadeira, que deixa toda a história com um tom de confidência íntima, rasgada e quase secreta. É como uma conversa que não é exatamente com você, mas, ao mesmo tempo, é. Eu ri várias vezes durante a leitura, porque Karine, assim como muitas mulheres, não se sente em plenitude com a gestação. Pelo contrário, ela está descobrindo aquilo que nem sempre se fala sobre como a gravidez é, de verdade. E então todos os fatos estão lá.

O livro também consegue costurar humor, neuroses, medos e amor sem transformar a maternidade em uma experiência idealizada. Karine está tentando entender o que significa se tornar mãe enquanto ainda carrega as marcas de ter sido filha. E talvez seja justamente aí que aquela frase do título ganhe tantos significados diferentes.

Vou concluir dizendo que não precisa ser mulher, mãe ou está gestante para ler essa história que mesmo sendo visceral é incrível de tantas formas, concordo que talvez falte estrogênio para os homens durante a leitura, mas pode ser um ótimo guia para entender o que está acontecendo naquele momento. Enfim, deixo meu voto que você leia e aproveite ao máximo porque é uma leitura incrível!

Boa leitura e divirta-se!


Capa do Livro

Detalhes da Obra

  • Autora: Tati Bernardi
  • Editora: Companhia das Letras
  • Páginas: 144 fls.
  • Ano: 2020
+ Ler Sinopse
os trinta e cinco anos, Karine faz roteiros para prêmios como "Você Faz a Diferença no Setor Têxtil" ou "Prêmio Nacional de Saúde Bucal". O emprego que não a satisfaz intelectualmente — seu sonho é escrever para o cinema — permitiu ao menos que ela saísse de seu bairro natal, o Belenzinho. Sua obsessão com sucesso financeiro é o caminho mais curto que encontrou na tentativa desesperada de se afastar da vida tacanha e neurótica de sua família.

"Você nunca mais vai ficar sozinha" é a frase que ela ouve de sua mãe quando conta que está grávida de uma menina. Hipocondríaca, ela cumpre com rigor a rotina de exames pré-natais. Em intermináveis conversas com sua enfermeira predileta, Karine rememora episódios da turbulenta relação com a mãe, maldiz as agruras da gestação e antecipa o amor e os medos da maternidade.

O novo livro de Tati Bernardi tem a química explosiva que só ela sabe produzir: altas doses de humor, neurose e cinismo, costuradas numa prosa ágil e inteligente que confere humanidade e empatia aos personagens mais improváveis. Neste romance intenso e hilariante, a ideia do fim da solidão que o nascimento de uma filha pode trazer parece ser ao mesmo tempo um bálsamo e uma danação.
Minha experiência
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"Para quem gosta de humor ácido, personagens neuróticos e histórias que olham para a maternidade com muita honestidade e pouca idealização."

Minhas resenhas refletem sempre minha opinião sincera e pessoal.

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