7 livros para sair da cidade!

Olá, leitores!

No próximo mês de julho, vamos ter nosso encontro julino no Clube do Livro ES, e o tema proposto foi: Livros que saem da zona urbana. Pode ser pelas festas nacionais, pelas festas juninas, pelos rodeios ou simplesmente por histórias que acontecem no campo, no interior, longe do movimento das grandes cidades.

A ideia é deixar a iluminação artificial para trás e conseguir enxergar as luzes da natureza e dos corpos celestes. E, pensando nisso, separei 7 livros que li e adoraria que vocês lessem também. Cada um chegou até mim por um motivo diferente e, por várias razões, acho que vale compartilhar um pouco dessas histórias com vocês.

Lembrando! O link para a resenha completa estará na postagem, então aperte os cintos porque lá vamos nós!

CAPA DO LIVRO

1) O Vento de Piedade

Chirlei Wandekoken

Minha leitura: Se eu não houvesse lido que essa história é uma obra de ficção, acreditaria piamente que estava diante de uma história real. Daquelas que chegam até nós pela voz de alguém próximo, como se uma amiga estivesse contando os relatos de uma família, relembrando acontecimentos guardados há anos entre afetos, perdas, silêncios e segredos. Foi assim que me senti ao conhecer a família Nicolini, no interior de Minas. Corina, depois de perder a própria família e ser lançada tão cedo às incertezas da vida, encontra naquele lugar pessoas que, dentro das possibilidades que têm, passam a acolhê-la, protegê-la e amá-la. Uma história sobre família, proteção, perdas e as mudanças que chegam sem pedir licença.
💬 Leia a resenha completa: O Vento de Piedade, de Chirlei Wandekoken.
CAPA DO LIVRO

2) Eternamente Cecilia

Elysanna Louzada

Minha leitura: Uma viagem da Itália para o Espírito Santo em 1890, em busca de trabalho e das terras prometidas pelo governo. Cecilia e sua família chegam ao Brasil e vão trabalhar em uma fazenda de café, descobrindo que a realidade podia ser bem diferente das promessas feitas ainda na Europa. Foi uma leitura que me encantou pelos detalhes históricos e pelo cuidado da autora com cada personagem. Gostei especialmente de acompanhar não apenas o romance, mas também as mudanças de uma sociedade que ainda carregava os costumes do período escravocrata enquanto o país começava a viver uma nova realidade. E ainda tem um final que, ah!! Fez valer cada momento de leitura dessa história.
💬 Leia a resenha completa:: Eternamente Cecilia, de Elysanna Louzada.
CAPA DO LIVRO

3) Vidas Secas

Graciliano Ramos

Minha leitura: Começo por um livro que, para mim, traduz muito do que significa realmente sair da zona urbana. Em Vidas Secas, não estamos apenas longe da cidade: estamos diante de uma realidade em que a natureza determina os caminhos, a sobrevivência é uma luta diária e a esperança pode ser, ao mesmo tempo, aquilo que mantém alguém caminhando e uma ferramenta de dominação. Acompanhamos Fabiano, Sinha Vitória, os dois filhos e Baleia em sua caminhada pelo sertão nordestino. E Baleia foi um dos elementos que mais me atravessaram durante a leitura. Afinal, já no nome, de um ser das águas, existe uma pergunta. Graciliano Ramos fez da história uma realidade enquanto eu a lia. Porque ele, durante toda a obra, usa a mais cruel de todas as torturas: a esperança.
💬 Leia a resenha completa: Vidas Secas, de Graciliano Ramos.
CAPA DO LIVRO

4) Cowboy sem Vergonha

Karina Heid

Minha leitura: Incrível como uma história que poderia ser mais um clichê dos romances de banca ganha um tempero brasileiro, com gosto caipira e de leite tirado da vaca, galinha ciscando e criança correndo descalço pelo quintal, livre, feliz. Dante também não é o típico machão. É uma criança que cresceu sem perder aquele sorriso bobo, mas que aprendeu a esconder a tristeza nos olhos. Mariana sofreu como poucos podem sonhar, pagou caro por sua vontade de ser mais, de não se conformar, e precisou voltar para casa depois de tantos anos. Uma história que pega elementos conhecidos do romance e coloca tudo isso em um cenário brasileiro, rural e cheio de personalidade.
💬 Leia a resenha completa: Cowboy sem Vergonha, de Karina Heid.
CAPA DO LIVRO

5) Ross Poldark

Winston Graham

Minha leitura: Ross Poldark retorna à Cornualha depois de três anos no exército, tendo lutado na guerra da independência estadunidense. O que deveria ser um alegre retorno se transforma em um cenário completamente diferente: o pai morreu, sua propriedade está abandonada e a garota que ele amava está noiva de seu primo. O que mais gostei foi a maneira como a narrativa me colocou naquele ambiente, em uma terra sem asfalto, onde as pessoas lutam para sobreviver e encontrar momentos de felicidade na dura rotina do dia a dia. Uma época em que uma palavra vale um contrato e a honra pode ser decidida nos punhos ou na bala, mas onde também existe amor feito à luz da lua e das velas. Terminei encantada e já na expectativa pelo próximo volume.
💬 Leia a resenha completa: Ross Poldark, de Winston Graham.
CAPA DO LIVRO

6) O Jardim Secreto

Frances Hodgson Burnett

Minha leitura: Ao perder os pais para uma epidemia de cólera na Índia, a pequena Mary Lennox é enviada para viver na mansão de seu tio, no coração da Inglaterra rural. E foi uma enorme surpresa encontrar em uma história sobre crianças uma narrativa tão verdadeira e delicada sobre luto, abandono afetivo, solidão e transformação. O jardim, claro, é parte essencial dessa transformação. Mas talvez o mais bonito seja perceber que a mudança não acontece apenas porque um jardim é reencontrado. Ela acontece porque pessoas se encontram, porque começam a olhar umas para as outras de outra maneira e porque a empatia abre espaço onde antes havia solidão. Uma leitura que continua encontrando leitores de tantas idades, mais de um século depois de sua publicação.
💬 Leia a resenha completa: O Jardim Secreto, de Frances Hodgson Burnett.
CAPA DO LIVRO

7) Tess dos D'Urbervilles

Thomas Hardy

Minha leitura: Foi meu primeiro contato com Thomas Hardy e uma experiência incrível. A história começa apresentando a família Durbeyfield e a região rural onde vivem, seus costumes e as dificuldades de uma vida em que as escolhas de uma pessoa podem ser determinadas por circunstâncias muito maiores que ela. Tess é uma personagem que luta o tempo todo para manter o mínimo de dignidade enquanto tenta sobreviver em um mundo que parece ter decidido seu destino antes mesmo que ela pudesse escolher. Acompanhar sua luta, os trabalhos sazonais, a desigualdade e as consequências das decisões tomadas ao seu redor tornou essa leitura muito mais que um romance para mim. E Hardy escreve lindamente. De certa forma, é um texto poético, que me acrescentou muito como leitora.
💬 Leia a resenha completa: Tess dos D'Urbervilles, de Thomas Hardy.

E afinal, o que esses sete livros têm em comum?

Talvez, olhando rapidamente para os sete títulos, pareça que estajam falando sempre da mesma coisa: campo, interior, fazenda, natureza, mas não estão.

Temos o sertão brasileiro, o interior de Minas, uma fazenda de café no Espírito Santo, o interior brasileiro de um romance contemporâneo, a Cornualha, a Inglaterra rural e a vida camponesa retratada por Thomas Hardy. São épocas diferentes, países diferentes, gêneros diferentes e histórias completamente diferentes.

E acho que é justamente isso que mais gostei ao montar esta lista. Sair da zona urbana não significa ir sempre para o mesmo lugar. Às vezes significa conhecer uma fazenda. Outras vezes, atravessar uma seca. Pode ser caminhar por uma propriedade abandonada, descobrir um jardim escondido ou acompanhar uma família que vive muito longe daquilo que conhecemos como cidade.

No fim das contas, talvez seja isso que os livros fazem tão bem: nos tiram do lugar onde estamos e nos permitem enxergar outras paisagens, outras vidas e outras formas de existir.

Agora me conta: qual desses sete você escolheria para levar para o nosso encontro julino?

Minhas recomendações refletem sempre minha opinião sincera e escolha pessoal.

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