Resenha :: As vinhas da ira (The Grapes of Wrath)

Foi impossível não associar, durante a leitura, a Família Joad à Família Buscapé, do cinema. Porém, enquanto uma evoca a comédia, a outra é, sem dúvida, tragédia.

Confesso que esperava algo totalmente diferente e fui surpreendida pela fluidez do texto, pela belíssima narrativa e até pela facilidade de leitura com a qual me deparei. Foi, sem dúvida, uma excelente surpresa.


"Eu sei ler, mas não sei tão bem pra encontrar prazer na leitura como aqueles que sempre ia na escola"


O paralelo com os movimentos migratórios no Brasil foi inevitável, e a imagem dos nordestinos se deslocando para o Sudeste esteve muito presente durante a leitura. Essa foi, sem dúvida, uma das leituras mais ricas que fiz.

Outro elo com a realidade retratada no livro está na questão da solidariedade em meio à extrema pobreza. Quando o pouco que se tem é capaz de ser repartido, e a música e a conversa conseguem apaziguar a fome e a dor. As mortes durante a jornada são brutais, mas também nos fazem pensar sobre a dignidade humana.

A única coisa que talvez possa afastar alguns leitores é a alternância entre capítulos com longas e detalhadas descrições de paisagens, fenômenos naturais e acontecimentos alheios ao núcleo familiar principal e capítulos em que a narrativa avança com mais força. Para mim, esse ritmo tornou a leitura menos uniforme em alguns momentos. Porém, o que pode ser um ponto de dificuldade para alguns leitores também pode ser justamente um dos pontos fortes do livro, pois há capítulos belíssimos descrevendo as diferentes relações entre o homem e a terra.

E o livro nos faz pensar: quando se perde tudo, casa, emprego, alimentos, será que foi tudo mesmo? Porque, afinal, continuamos a lutar. Talvez porque, de todas as coisas, tudo se resuma à vida e à existência.

Os últimos capítulos são de tirar o fôlego, especialmente por três acontecimentos. Um deles é beeeeemmm pesado. E, mesmo sendo uma das cenas mais pesadas do livro, a cena mais censurada é a da última página, que é um verdadeiro tapa na cara do Sonho Americano e que me fez voltar várias vezes a ela para tirar a dúvida se eu realmente tinha lido o que tinha lido e entendido o que entendi. Como se apenas uma leitura fosse pouco para assimilar todas as camadas daquela cena.

As vinhas da ira é o retrato de um dos períodos mais cruéis e difíceis da história americana, e serve também como lição e alerta para que as nações criem mecanismos de defesa capazes de amenizar os efeitos das crises. Uma leitura necessária, poderosa e sempre atual.

Boa leitura e divirta-se!

”
Capa do Livro

Detalhes da Obra

  • Título Original: The Grapes of Wrath
  • Autor: John Steinbeck
  • Tradução: Herbert Caro e Ernesto Vinhaes
  • Editora: Best Seller
  • Páginas: 588 fls.
  • Ano: 2008
+ Ler Sinopse
Obra-prima de John Steinbeck em edição de bolso. As vinhas da ira é o clássico que valeu o Prêmio Pulitzer a John Steinbeck e permanece como um dos arquétipos da cultura norte-americana. Agraciado também com o Nobel de Literatura, o autor retratou o homem moderno diante das dificuldades, a pobreza e a privação em um universo hostil, protagonizado por vítimas da competição e párias sociais. O livro é fortemente marcada pela forma, pelas descrições realísticas e pela reflexão sobre o mito do paraíso americano.

As vinhas da ira representa o confronto entre indivíduo e sociedade, através da epopeia da família Joad, expulsa pela seca dos campos de algodão de Oklahoma, para tentar a sobrevivência como boias-frias nas plantações de frutas do Vale de Salinas, na Califórnia. Ao mesmo tempo em que denuncia os dramas e flagelos de um país debilitado pela Grande Depressão dos anos 30, Steinbeck defende o conceito de que o indivíduo isolado nada vale, e a sobrevivência só é possível quando existe solidariedade entre os semelhantes. Vencedor de dois Oscar, a adaptação para o cinema foi feita por John Ford em 1940, com Henry Fonda no papel de Tom Joad.
Minha experiência
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"Uma leitura para quem gosta de histórias que ultrapassam seu próprio tempo e continuam provocando perguntas sobre desigualdade, solidariedade e dignidade humana."

Minhas resenhas refletem sempre minha opinião sincera e pessoal.

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