Resenha :: O Bicho-Papão está de volta (Becoming the Boogeyman)


Olá leitores, estamos de volta a Edgewood, em Maryland. E essa volta acontece muito tempo depois, porém parece que já estávamos sentindo a mudança no clima, aquela calmaria que antecede a tempestade.

Vou tentar ao máximo não dar nenhum spoiler do livro anterior, afinal alguém pode cair aqui de paraquedas e perder toda a surpresa de descobrir quem seria “o Bicho-Papão”. Mas deixo um aviso importante: este segundo livro é continuação direta do anterior. Mesmo achando que seja possível lê-lo sem ter passado pelo primeiro, eu não recomendo. A experiência fica muito mais completa conhecendo o que aconteceu antes.

A história se passa em 2022, no período pós-pandemia. O Chizmar adulto continua obcecado em entender o assassino, visitando-o na prisão em busca de respostas, mas você sente que existe algo além disso. E é aí que o livro me pegou: não é apenas sobre o crime, mas sobre essa linha perigosa entre curiosidade e obsessão. Até que ponto vale a pena encarar o mal de perto?

O que mais gostei foi a crítica que o autor faz à nossa obsessão por true crime. Ele mostra como, de tanto consumirmos essas histórias, acabamos transformando assassinos em figuras muito maiores do que deveriam ser. O livro mistura ficção e true crime de uma maneira que faz a gente duvidar do que é real. E aqui mora o perigo para os aficionados: quando essa zona cinzenta deixa de ser uma zona e passa a ser apenas um borrão?

Nesta sequência, o retorno do Bicho-Papão carrega um peso quase tangível. É o lembrete de que o mal raramente desaparece, ele apenas se transforma. A cidade, que um dia foi refém do medo nos anos 80, volta a ser palco de uma tensão constante, onde cada rosto familiar parece esconder segredos e cada silêncio carrega o prenúncio de que alguma coisa está prestes a acontecer.

A prosa de Chizmar continua íntima e perturbadora, construindo uma atmosfera sufocante. E gosto de como a figura do Bicho-Papão funciona também como uma materialização daquele medo que nunca desapareceu completamente.

Outro aspecto que me conquistou foi o amadurecimento dos personagens. É muito interessante perceber como os acontecimentos do primeiro livro deixaram marcas e influenciaram quem eles se tornaram. As experiências vividas anteriormente carregam peso, consequências e reflexos que tornam a construção da trama ainda mais rica. A ligação entre os dois livros foi trabalhada de forma excelente e fez com que essa continuação tivesse ainda mais impacto para mim.

Confesso que entrei neste segundo livro já esperando encontrar aquela função de ponte que muitas vezes existe nas histórias continuadas: retomar o que ficou para trás, desenvolver os personagens e preparar o terreno para o que virá. E Chizmar faz isso, mas encontra também uma maneira de acrescentar um elemento novo à história, algo que eu não estava esperando encontrar justamente neste ponto da série.

É aquele thriller que te prende e também te deixa meio desconfortável. A história volta para o caso do Bicho-Papão, mas agora tudo parece mais intenso. A narrativa vai ficando cada vez mais pesada, mais tensa, e você percebe que nada ali é simples. Tem segredos, manipulação e aquela sensação constante de que alguma coisa muito errada está prestes a acontecer.

E talvez seja justamente essa mistura que tenha funcionado tão bem comigo: o suspense, o desconforto e essa discussão sobre a fascinação que existe em torno do true crime. É um livro sombrio, envolvente e com um clima que vai deixando a gente inquieta até a última página.

E quando chega ao final, você percebe que o autor não está simplesmente deixando um gancho para o próximo livro. Ele praticamente coloca o anzol na sua frente e você engole com isca e tudo. Risos.

Depois desse final, fica difícil não querer voltar a esse universo e descobrir o que Richard Chizmar ainda tem guardado para essa história.

”
Capa do Livro

Detalhes da Obra

  • Título Original: Becoming the Boogeyman
  • Autor: Richard Chizmar
  • Série: O Bicho-Papão #2
  • Tradução: Marcello Lino
  • Editora: Valentina
  • Páginas: 464 fls.
  • Ano: 2026
+ Ler Sinopse
Por isso eu não estava muito preocupado com o misterioso saco preto naquela manhã. Deve ser um monte de folhas, pensei. É bem provável que tenha caído da traseira de algum caminhão. Nada de mais. Até eu me aproximar... e me dar conta." No verão de 1988, o jovem Richard Chizmar foi catapultado para o centro de um pesadelo quando um serial killer – apelidado pela mídia de Bicho-Papão – começou a assombrar sua pacata cidade natal. 2026 De lá para cá, muitas coisas mudaram. Muitas mesmo. Hoje, mais de trinta anos depois, o próprio Chizmar – apesar de já ter alcançado um certo nível de celebridade e fama como autor best-seller – continua sendo a única pessoa com quem o assassino se abre. Chizmar acredita que está prestando um serviço à comunidade ao visitá-lo na prisão, pois há outras vítimas, outros casos sem conclusão. 2026 Quem sabe assim o Bicho-Papão revela seus segredos, levando um pouco de paz às famílias enlutadas? Contudo, acaba descobrindo que, para ir ao inferno e dançar com o diabo, há um preço a ser pago. O pesadelo está de volta e, ao que parece, mais aterrorizante, mais complexo, mais cruel. Enquanto a história se aproxima de uma conclusão devastadora, somente uma pessoa tem todas as respostas – e talvez essa pessoa seja, ou tenha se tornado, um monstro ainda mais maligno
Minha experiência
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"Uma continuação que cumpre seu papel de ponte, mas encontra uma maneira própria de surpreender. Para quem chegou até aqui, fica difícil resistir ao próximo volume. Leia, mas não espere conseguir parar quando chegar à última página."

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Minhas resenhas refletem sempre minha opinião sincera e pessoal.

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