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25/10/2025

Resenha :: As Lembranças que encontramos pelo caminho (The Cats We Meet Along the Way)

outubro 25, 2025 0

☕ Leitura de 4 min • Juvenil (YA) • Experiência Pessoal

Oi pessoal, não existe nenhuma chance de eu não dizer que fui atraída por esse livro pelo gato na capa, e em especial por suas imperfeições e traços que de o tornavam único, e claro por ser um gato laranja...uma cor que sempre promete a personalidade mais caótica gatito.
 
Outro fator que é um livro que tem uma sinopse que traz uma vibe muito de fim de ano, afinal estamos próximos de celebrar o fim de um ano que nunca mais viveremos e as promessas de um novo ano que começa. Por isso te convido a vir comigo, por essas linhas conhecer o que achei da história.
 
Vamos sendo guiados pela visão de Aisha, e por seus pensamentos e lembranças. O que faz com que a sintonia com a personagem traga muito do que será sua experiência de leitura. Para mim, trouxe muitos momentos de lembrar como era a cabeça, hormônios e sentimentos de uma adolescente prestes a “crescer” e entrar de vez na vida adulta, contudo, por ela ser uma personagem melancólica (não adicione nenhum sentido pejorativo aqui, ok), ler foi construindo camada por camada um sentimento de empatia e claro, entendimento.
 
Eu achei a trama incrivelmente original e a forma como foi sendo ainda mais criativa, adicionando elementos que vão dando corpo e significado a história de forma ora sutil e em outros momentos bem delineados. Outro ponto muito marcante são os fatos e momentos que servem tanto para narrar a história como analogias com a construção dos sentidos de quem lê, que acaba por interagir com a trama. Alguns momentos, você consegue de alguma forma, se pegar pensando em suas próprias lembranças ou entender perfeitamente os sentimentos que estão sendo vividos naquele ponto da história, pela simples conexão do cotidiano e da humanidade que nos une em grandes momentos de identificação.

No final, poucas coisas importavam: somente aquelas que eram de fato essenciais. Coisas como suco de manga carlotinha e o amor dos filhos.

A narrativa vai sendo construída em tempo presente e passado, porém os retornos ao passado não deixam nenhum sentimento de cansaço pelo contrário, eles estabelecem conexões que vão explicando situações e sentimentos de uma forma muito fluida. Tanto que eu vivia o eterno clichê de vou ler só um pouquinho e quando via tinha esquecido de alguma coisa que eu tinha que fazer porque queria apenas continuar lendo. “Quem nunca? Eu sempre.. risos.”
 
Mesmo que a carga emocional de Aisha e sua mãe seja intensa e não muito positiva, por suas dores e vivências é impossível não simpatizar com elas e ir se apegando, porém, a família de Walter é muito amorzinho, seus pais são do tipo que você amaria terem pra vizinhos e definitivamente adoraria fazer parte da vida deles. Outra coisa que adorei sobre a construção dos personagens são dos destaques para características físicas que nos tornam únicos e as de personalidade deixando os personagens brutalmente reais durante a leitura, porque eles perdem aquele filtro de irrealidade e perfeição e ganham vida de uma maneira muito bonita e delicada durante a leitura.
 
O texto conta com palavras e referências a cultura da Malásia e notas explicativas que te fazem adorar ir conhecendo a cultura e algumas curiosidades locais. Os diálogos são numa linguagem coloquial e perfeitas ao ambiente em que a história está acontecendo. Com diálogos tanto falados, quando os que ocorrem no pensamento de Aisha perfeitamente em harmonia com a trama, e na medida certa para darem fluidez e dinamismo a leitura.

Mas, agora, o tempo era algo precioso. Ela acordava cedinho, encarava o dia e o que quer que ele trouxesse.

Para você que leu até aqui, vou compartilhar que pra mim foi incrível ler e talvez, entender como alguém continua depois da morte de alguém que era o amor e centro de toda sua vida – não se preocupe, não vou dar spoiler – e sinceramente é muito intenso ver como continuar também é uma forma de não deixar essa pessoa morrer de fato, porque a frase que os que são lembrados nunca deixam de existir, ganha contornos muito forte nessa narrativa.
 
Questões como sempre que vivemos estamos dando continuamente adeus e que não é apenas um “apocalipse” que traz fim, mas diariamente tempos finais de histórias e vidas, sonhos e até mesmo de anos. Porém, muitas das vezes, também temos novos começos e não apenas com o ano novo, mas com novos trabalhos, nascimentos e tantas outras coisas que dão novas cores a vida.
 
É comovente ver a menina apaixonada com seus desejos e anseios femininos, também a desconstrução da sua vida e a da mãe não como algo único e sim com a percepção de serem duas pessoas distintas e que a mãe é também uma pessoa com sua própria história e sentimentos que vão além da maternidade. O mais incrível é forma extremamente bonita e respeitosa que isso se dá na história sem perder a leveza, veracidade e beleza em cada um desses momentos.

Aisha tinha tantas lembranças de lá, boas, ruins e tudo mais. E essas lembranças pertenciam a ela.

Amei não apenas o caminho mas o desfecho que a autora deu a história, sua delicadeza em tratar tantos temas sensíveis e até dolorosos sem trazer dor, mas com toda a seriedade e importância que cada tema precisava. As pequenas reviravoltas e as questões não sobre a morte, mas sobre a vida que iremos viver até que ela chegue e quem escolhemos estar conosco nesse trajeto. 
 
Eu adoro as edições da Valen, porque tem tudo para tornar a leitura ainda mais maravilhosa, ótima encadernação, impressão limpa e sem borrões, papel amarelo e diagramação pensada na experiencia de leitura. A tradução garantiu uma leitura muito tranquila e as notas além de informação demonstram cuidado com o texto e com quem está lendo. Não observei nenhum erro de ortografia ou digitação durante a leitura.
Capa do Livro: Título do Livro

Detalhes da Obra

  • Autora: Nadia Mikail
  • Tradução: Ananda Alves
  • Editora: Valentina
  • Páginas: 192 fls.
  • Gênero: Juvenil (YA)
  • Tropos: Família Encontrada, Viagem, Amadurecimento e Fim do Mundo.
+ Ler Sinopse da Editora
Aisha não vê June, a irmã mais velha, faz bastante tempo. Há uns três anos ela saiu abruptamente de casa, abandonou a família e nunca mais deu sinal de vida. Levou consigo seu cabelo cor-de-rosa e sua personalidade forte e obstinada, ou melhor, sua irritante teimosia. Foi devorar o mundo. Mas... agora o tempo está voando, afinal um imenso asteroide se encontra a caminho da Terra, e falta menos de um ano para que a vida humana seja exterminada. Então, as prioridades são outras, muita coisa mudou. Aisha, sua mãe e o namorado Walter – ah, sim, e um gato vira-lata chamado Pulguento que Walter achou na rua – se juntam com os pais dele num motorhome customizado, os seis formando uma nova família, numa viagem pela Malásia em busca de June... e de si mesmos. Faltam oito meses para o fim do mundo, e o que todos desejam, na verdade, é curar o passado, fazer as pazes com o presente e talvez até torcer para que haja um futuro. E, quem sabe, além de June, todos encontrem o que mais procuram: ESPERANÇA.
Notas da Elis
☕☕☕☕☕

"Uma narrativa original e sensível que, sob a sombra do fim do mundo, nos ensina que continuar vivendo e lembrando é a forma mais bonita de manter o amor aceso."

* Este conteúdo contém links de afiliados ou foi fruto de parceria com a editora.
Minhas resenhas refletem sempre minha opinião sincera e pessoal.
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