"Supere isso e, se não puder superar, supere o vício de falar a respeito."
Olá leitores, essa frase abre de cara o ponto alto do livro. Falar sobre depressão e como não é fácil saber onde fica o limite entre a tristeza e a depressão (doença).
O livro começa no momento em que tudo deveria ser cor e luz na vida de um casal, em especial da mãe a espera de seu primeiro bebe. Porém um futuro-ex em pleno estado de egoísmo resolve jogar uma bomba em cima de Claire. Além de estar deixando a ela e a filha informa que tal atitude é tomada em virtude de um caso extraconjugal.
"Mas me sentia tão vazia e solitária. Triste e solitária e todas as outras emoções que se enquadram no gênero “Perda”, subespécie “Rejeição”."
Como boa filha não existe outro lugar pra se ir numa hora dessas do que a casa dos pais, para os braços acolhedores de outra mulher e mãe. Filha mais velha dentre 5 irmãs o fato de voltar agora mãe-quase-solteira, traída e com todos os traços que uma mulher carrega tanto físicos quando emocionais de um pós-parto, tornam esse retorno ainda mais penoso.
Recomeçar, Reconstruir a si e a própria vida, tentar aceitar a escolha de outra pessoa quando não se entendem os motivos que a levaram a isso é a dura lição que Claire tem pela frente.
"Você, simplesmente, tem de passar por tudo isso. É só o que pode fazer. Não tente entender, você enlouqueceria."
O bom humor da escrita de Marian Keyes fica mais ou menos evidente a depender do leitor. Não é fácil falar desse tema que caminha tão próximo a extrema tristeza com leveza. Mas ainda sim a Keyes não te afunda junto a personagem.
As outras pessoas da família Walsh mostram que cuidar uma das outras é fundamental, mas não seguem os padrões dos comerciais de margarina. Então a medida que cada personagem é apresentado você se surpreende por começar a vê-los em sua própria família. Talvez não uma irmã, mas com certeza alguma prima pode ser uma Walsh.
"Se você deixa de ter alguém ou alguma coisa, sente sua perda e, depois, passado algum tempo, preenche o buraco que ficou em sua vida, a ausência, aos poucos, fica cada vez menor e, afinal, desaparece. Há um sentido na dor. Há um motivo e uma direção para ela."
Pedir ajuda para sair da depressão é fundamental. Porém o caminho pra saída se dá pela descoberta da felicidade a partir de si. Sem dependência. O outro é para somar, acrescentar. Estar com alguém não é preencher seu próprio vazio. Essa foi a lição que tirei desse livro.
"Deus ajuda àqueles que ajudam a si mesmos. E Deus não pode dirigir um carro estacionado. Se eu tivesse ficado em casa, na cama, com o chocolate e a Marie Claire, será que o encontraria? A resposta só pode ser não."
Boa leitura!
Ficha Técnica do Livro
- Título original: Watermelon
- Autora: Marian Keyes
- Série: As Irmãs Walsh #1
- Tradução: Sonia Coutinho
- Editora: Bertrand Brasil
- Páginas: 490 fls.
- Ano: 2017



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