Leitura Compartilhada :: Pássaros feridos (The Thorn Birds)

Há histórias que parecem caber em uma casa, em uma família, em uma paisagem. E há aquelas que precisam de décadas para contar tudo o que têm a dizer.

Nossa próxima Leitura Compartilhada será Pássaros feridos, de Colleen McCullough, uma saga que acompanha a família Cleary ao longo de gerações, tendo como cenário uma enorme propriedade no interior da Austrália. Entre laços familiares, escolhas, desejos e tudo aquilo que a vida transforma com o passar dos anos, vamos atravessar essa história juntos.

A leitura acontece de 23 de julho a 24 de setembro de 2026, na nossa 76ª Leitura Compartilhada.

Prepare o café, o chá ou aquele cantinho em que você gosta de ficar quando uma história pede tempo. Porque, desta vez, vamos acompanhar uma família por muitos anos e descobrir o que permanece quando o tempo passa.

Venha ler Pássaros feridos com a gente.


🖋️ SOBRE A AUTORA

Colleen McCullough nasceu em 1937, em Wellington, na Austrália, e teve uma trajetória bastante diferente daquela que costumamos imaginar para uma romancista. Antes de se tornar conhecida mundialmente pela literatura, formou-se e trabalhou como neurofisiologista, tendo participado da criação do Departamento de Neurofisiologia do Royal North Shore Hospital, em Sydney, e posteriormente trabalhado durante dez anos como pesquisadora e professora na Yale Medical School.

Foi já na vida adulta que a literatura ganhou espaço definitivo. Seu primeiro romance, Tim, foi publicado em 1974. Três anos depois veio Pássaros feridos, seu segundo romance, e o sucesso extraordinário do livro mudou completamente sua trajetória profissional. A obra tornou-se um fenômeno editorial internacional e permitiu que McCullough abandonasse a carreira científica para se dedicar à escrita.

A autora continuaria escrevendo romances de diferentes naturezas, incluindo Uma obsessão indecente e a extensa série histórica sobre Roma, conhecida como Masters of Rome. Depois do sucesso de Pássaros feridos, McCullough estabeleceu-se em Norfolk Island, no Pacífico Sul, onde viveu e escreveu durante grande parte de sua vida.

Há algo especialmente interessante nessa trajetória para a nossa leitura: antes de escrever sobre famílias, paixões, religião, ambição e passagem do tempo, McCullough havia passado anos observando o mundo pela perspectiva rigorosa da ciência. Em sua obra, essas duas experiências acabariam convivendo de maneira muito particular.

📖 A OBRA E SEU CONTEXTO

Publicado originalmente em 1977 com o título The Thorn Birds, Pássaros feridos é uma saga familiar ambientada principalmente em Drogheda, uma grande propriedade de criação de carneiros no interior da Austrália. A narrativa acompanha os Cleary ao longo de várias décadas, atravessando gerações e transformações pessoais, familiares e sociais.

A história começa quando Paddy Cleary, sua esposa Fiona e os sete filhos deixam a Nova Zelândia para viver em Drogheda, propriedade de Mary Carson, irmã de Paddy. É nesse novo mundo que conhecemos Meggie Cleary, a única filha do casal, cuja trajetória se torna um dos principais fios da narrativa.

Outro personagem fundamental é Ralph de Bricassart, um jovem sacerdote cuja vida se cruza profundamente com a de Meggie. A relação entre os dois coloca em movimento questões que ultrapassam o âmbito pessoal: desejo, fé, vocação, poder, ambição e as escolhas que fazemos quando aquilo que queremos entra em conflito com aquilo que acreditamos dever fazer.

Mas a história não se resume a esse relacionamento. A estrutura de saga permite que a narrativa acompanhe diferentes membros da família e diferentes gerações, fazendo de Drogheda quase uma personagem da própria história. A propriedade, o trabalho, a paisagem australiana e as mudanças provocadas pelo passar dos anos formam o cenário para uma família que cresce, se transforma, perde pessoas e constrói novos vínculos.

O romance atravessa boa parte do século XX, aproximadamente de 1915 a 1969, e combina a dimensão íntima da família com acontecimentos e transformações de seu tempo.

Também é interessante observar que o romance chegou ao público em um momento em que McCullough ainda estava consolidando sua carreira literária. O livro foi publicado primeiro nos Estados Unidos e o manuscrito alcançou um valor extraordinário para a época, em um dos negócios editoriais mais comentados de sua trajetória. O sucesso transformou rapidamente a autora em um nome internacional.

E existe ainda uma outra camada para nossa leitura: a história de Pássaros feridos não terminou nas páginas do romance. Em 1983, a obra ganhou uma minissérie televisiva protagonizada por Richard Chamberlain e Rachel Ward, tornando seus personagens conhecidos por uma nova geração de espectadores e ampliando ainda mais o alcance da história.

🕰️ RECEPÇÃO CRÍTICA: ONTEM E HOJE

Desde sua publicação, Pássaros feridos foi recebido como um grande fenômeno editorial. O romance tornou-se um best-seller internacional e alcançou uma dimensão de popularidade que ultrapassou a literatura, especialmente depois da adaptação televisiva de 1983. A obra chegou a vender dezenas de milhões de exemplares no mundo e permanece entre os romances australianos de maior circulação.

A minissérie teve papel importante nessa permanência. Sua exibição nos Estados Unidos tornou-se um grande acontecimento televisivo, ajudando a fixar no imaginário popular a história de Meggie e Ralph e a transformar The Thorn Birds em uma referência cultural que vai além do livro.

Com o passar do tempo, porém, a obra também passou a ser revisitada por outras perspectivas. O que em sua época podia ser lido principalmente como uma grande saga romântica e familiar abre espaço para conversas sobre religião, celibato, poder institucional, gênero, maternidade, desejo, ambição e as limitações impostas pelas escolhas sociais e pessoais.

É justamente essa distância entre o enorme sucesso popular da obra e as diferentes perguntas que ela pode provocar hoje que torna interessante reencontrá-la tantos anos depois de sua publicação.

Durante a nossa leitura, talvez seja justamente aí que esteja uma das conversas mais interessantes: perceber o que pertence ao seu tempo, o que permanece familiar e o que muda quando nós, leitores, chegamos a uma história escrita há quase cinquenta anos.

🗓️ CRONOGRAMA E DINÂMICA DA LEITURA

Nossa leitura acontece de 23 de julho a 24 de setembro de 2026.

O cronograma de leitura será o nosso fio condutor para avançarmos pela história sem pressa, respeitando o tamanho e o ritmo de uma saga que acompanha seus personagens durante muitos anos.

As conversas começam no grupo do Telegram: Lendo com Elis no Telegram

A dinâmica é simples: temos um cronograma para acompanhar a leitura e um espaço de conversa para compartilhar impressões, descobertas, dúvidas, sentimentos e aquelas observações que aparecem quando estamos lendo a mesma história ao mesmo tempo.

E, como sempre, o cronograma é uma companhia, não uma obrigação. Cada participante pode acompanhar a leitura no seu próprio ritmo e construir sua própria relação com o livro.

O mais bonito de uma Leitura Compartilhada é justamente isso: entramos pela mesma porta, mas cada leitor encontra uma casa um pouco diferente lá dentro.

Capa do livro Pássaros feridos, de Colleen McCullough

Ficha Técnica do Livro

  • Título original: The Thorn Birds
  • Autora: Colleen McCullough
  • Tradução: Octavio Mendes Cajado
  • Editora: Bertrand Brasil
  • Páginas: 545 fls.
  • Ano: 1994
+ Ler Sinopse

Agora é hora de abrir o livro e entrar em Drogheda, vamos conhecer os Cleary, acompanhar seus caminhos e deixar que o tempo da narrativa faça o que só uma boa leitura compartilhada consegue fazer: permitir que uma história cresça também dentro da conversa entre leitores.

Separe seu livro, encontre um cantinho confortável e prepare o café ou o chá de 23 de julho a 24 de setembro, temos uma longa história para atravessar juntos.

Nos vemos em Drogheda. ☕📖

2 comentários:

  1. Agora lendo a biografia da autora entendo um pouco sobre Tim, seu primeiro livro, que é um pouco mais dentro da realidade dela. Já Pássaros Feridos é um dos melhores livros que já li na minha juventude.

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    1. Que interessante essa comparação com Tim! Eu ainda gosto muito quando uma leitura acaba levando a outra e mudando a nossa percepção da obra. E entendo completamente esse lugar especial que Pássaros Feridos ocupa para você. ❤️

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